
Hidrolato, também chamado de água floral ou hidrossol, é a água aromática que sobra da destilação de plantas para produzir óleo essencial. Ele contém traços do óleo essencial, em geral menos de 1 grama por litro, e compostos que se dissolvem em água, e por isso é muito mais suave.[1][4] Pode ser borrifado na pele, usado em compressas e para perfumar ambientes. Em laboratório, o óleo essencial chegou a ser milhares de vezes mais tóxico para células do que o hidrolato da mesma planta.[2] É uma boa opção quando o óleo essencial é forte demais, mas pede cuidado com a conservação, porque fungos e bactérias crescem com facilidade.[4]

Resumo rápido
O que é hidrolato
Na destilação a vapor, o vapor de água passa pela planta e arrasta as moléculas aromáticas. Depois de resfriado, forma-se uma camada de óleo essencial e uma parte aquosa. Essa parte aquosa é o hidrolato.[1]
Ele contém uma pequena quantidade de moléculas do óleo essencial dissolvidas e compostos hidrossolúveis da planta, que não aparecem no óleo essencial.[1] Por isso o aroma lembra a planta, mas é mais leve e diferente do óleo. Durante muito tempo, o hidrolato foi tratado como subproduto; hoje, pesquisadores defendem que ele pode ser um produto principal, com usos próprios.[1][6]
Hidrolato x óleo essencial
| Hidrolato | Óleo essencial | |
|---|---|---|
| Concentração | baixa: traços de moléculas aromáticas[4] | muito alta |
| Uso na pele | puro, borrifado ou em compressas | sempre diluído em óleo vegetal |
| Base | água | moléculas voláteis, não se mistura com água |
| Composição | mais moléculas solúveis em água, como álcoois[6][7] | todas as moléculas voláteis |
| Conservação | mais sujeito a contaminação; validade menor depois de aberto[4] | oxida com o tempo, principalmente os cítricos |
A diferença de força é grande. Num estudo com hidrolato e óleo essencial de imortelle, o óleo essencial foi de 180 a 25.000 vezes mais tóxico para células da pele e do intestino em laboratório do que o hidrolato.[2]
A composição também é diferente, e não só mais fraca. No hidrolato de lavandim, por exemplo, aparecem linalol, 1,8-cineol, cânfora e terpinen-4-ol em proporções diferentes das do óleo[6]; no de imortelle, o hidrolato teve um perfil próprio, com moléculas que nem se destacam no óleo.[7] Por isso um hidrolato não é um óleo essencial diluído em água.

O que tem dentro de um hidrolato
Uma análise de 22 hidrolatos de flor de laranjeira e de rosas encontrou, em média, entre 116 e 677 miligramas de óleo essencial por litro, ou seja, menos de 1 grama por litro. Os hidrolatos também levaram pequenas quantidades de açúcares e outras substâncias da planta, arrastadas na destilação.[4]
Esses compostos dão ao hidrolato o aroma e parte das propriedades, mas também servem de alimento para microrganismos, o que explica por que o hidrolato estraga mais fácil que o óleo essencial.[4] A composição varia conforme a planta, a parte usada (flores, folhas, caules), a idade da planta e o tempo de destilação.[6][7]
Os principais hidrolatos e seus usos
| Hidrolato | Uso mais comum | Observação |
|---|---|---|
| Lavanda | pele sensível, tônico facial, spray para travesseiro | em laboratório, ajudou a conservar géis cosméticos[5] |
| Melaleuca | pele oleosa e com tendência a acne | uso tradicional; poucos estudos |
| Alecrim | couro cabeludo, pele oleosa, tônico | em ratos, hidrolato de alecrim foi estudado para o sono[10] |
| Camomila | pele irritada e sensível | uso tradicional, suave |
| Rosas | pele seca e madura, tônico facial | dos mais usados em cosméticos |
| Gerânio | equilíbrio da oleosidade, pele mista | aroma floral marcante |
| Flor de laranjeira | pele sensível, calma, ambiente | um dos mais ricos em óleo essencial dissolvido[4] |
A maioria desses usos vem da tradição e da cosmetologia, e os estudos em pessoas ainda são poucos. Os resultados de laboratório são promissores e precisam ser aprofundados com pesquisas clínicas.[1][9]
Para que serve o hidrolato
- Rosto: como tônico, borrifado depois da limpeza, em peles sensíveis, oleosas ou secas, conforme o hidrolato.
- Acne e oleosidade: hidrolatos de melaleuca, alecrim e gerânio são os mais usados como tônico, junto com os cuidados do dermatologista.
- Pele irritada e dermatite: compressas frias com hidrolatos suaves, como camomila e lavanda; uma revisão sugere potencial de hidrolatos para pele frágil em cuidados paliativos.[9]
- Cabelo e couro cabeludo: borrifado no couro cabeludo, como tônico; queda de cabelo pede avaliação do dermatologista.
- Ambiente: spray suave para tecidos, travesseiros e roupas de cama.
- Quando o óleo é forte demais: alternativa para quem não tolera bem o óleo essencial, sempre com avaliação.
- Complemento: em planejamentos que usam óleo essencial em uma via e hidrolato em outra.
O que dizem os estudos
| O que foi estudado | Onde | Resultado |
|---|---|---|
| Ação antioxidante e antimicrobiana | laboratório[2] | hidrolato de imortelle teve ação antioxidante e contra microrganismos, com toxicidade muito menor que o óleo |
| Conservação de cosméticos | laboratório[5] | hidrolatos de lavanda no lugar da água ajudaram a conservar géis hidratantes |
| Higienização de alimentos | laboratório[11] | hidrolatos reduziram bactérias como E. coli e Salmonella em frutas e legumes cortados |
| Biofilmes de bactérias | laboratório[12] | hidrolato de segurelha teve efeito bactericida |
| Sono | ratos[10] | hidrolato de alecrim foi estudado em modelo de insônia |
| Bebidas tradicionais | tradição persa[8] | hidrolatos são consumidos como bebidas na cultura do Irã |
Esses estudos sugerem que os hidrolatos têm atividade própria e precisam ser aprofundados com pesquisas em pessoas. Por enquanto, o uso na aromaterapia se apoia sobretudo na tradição, na segurança e na experiência clínica.
Como usar o hidrolato
| Uso | Como fazer |
|---|---|
| Tônico facial | borrife no rosto limpo ou aplique com algodão, 1 a 2 vezes ao dia |
| Compressa | molhe uma gaze ou pano limpo no hidrolato gelado e aplique por 10 a 15 minutos |
| Spray de ambiente e travesseiro | borrife a 30 cm do tecido |
| Couro cabeludo | borrife nas raízes, com massagem leve |
| Base de máscaras de argila | use no lugar da água |
| Banho | algumas colheres na água do banho ou da bacia para os pés |
Ao contrário do óleo essencial, o hidrolato é usado puro. Ainda assim, faça um teste numa pequena área se a pele for sensível.[3] Para misturas com óleo, veja como escolher o óleo carreador.
Hidrolato, água aromatizada e spray: qual a diferença
| Produto | Como é feito | O que esperar |
|---|---|---|
| Hidrolato | destilação da planta, junto com o óleo essencial | composição própria, suave, com compostos solúveis em água[1] |
| Água aromatizada | gotas de óleo essencial misturadas em água, muitas vezes com álcool ou emulsionante | é só um perfume diluído; o óleo não se dissolve bem na água |
| Spray de ambiente | álcool de cereais com óleo essencial | para tecidos e ambiente, não para a pele |
| Água de rosas de mercado | pode ser hidrolato ou água com fragrância | leia o rótulo: procure destilação e nome científico |
Na hora de comprar, desconfie de produtos chamados de hidrolato que listam óleo essencial e água nos ingredientes: se foi feito por mistura, não é hidrolato.
Receitas simples com hidrolato
Prepare só a quantidade de uso imediato quando misturar o hidrolato com outros ingredientes, como argila, porque a mistura contamina ainda mais rápido.[4]
Hidrolato para bebês e crianças
Por ser suave, o hidrolato é muitas vezes lembrado para bebês e crianças. Hidrolatos como camomila e lavanda podem ser usados em compressas ou borrifados no ambiente, com orientação profissional e atenção à pele e à respiração da criança. Não borrife perto do rosto do bebê. Recém-nascidos não usam óleo essencial, e mesmo os hidrolatos pedem conversa com o pediatra. Veja óleo essencial para bebê.
Hidrolato pode ser ingerido?
Em alguns países, como o Irã, hidrolatos são consumidos tradicionalmente como bebidas.[8] Mas os hidrolatos vendidos para uso cosmético não são produzidos nem conservados como alimento, e os estudos mostram que fungos e bactérias crescem neles com facilidade.[4] Por isso, hidrolato não deve ser ingerido por conta própria, só com orientação profissional e com produto próprio para isso. Crianças e gestantes não devem ingerir.
Como escolher e conservar
No estudo francês com 22 hidrolatos, os microrganismos cresceram em todas as amostras guardadas em frasco não estéril, tanto em temperatura ambiente quanto a 5 °C.[4] Use frascos limpos, não encoste o bico na pele e não devolva o que sobrou ao frasco original.

Hidrolato também pede cuidado
Mais suave não quer dizer isento de risco.[3] Pessoas com pele muito reativa, alergia a plantas da família da camomila ou dermatite precisam de teste e avaliação. Hidrolato contaminado pode irritar ou infectar a pele, principalmente se houver feridas. Não use nos olhos.
Para escolher entre óleo essencial, hidrolato e óleo vegetal em cada caso, a aromaterapeuta usa o mesmo raciocínio clínico de qualquer planejamento: objetivo, pele, idade, sensibilidade e segurança. Se você quer um plano feito para você, conheça a consulta de aromaterapia online, com Camila Castellan e/ou aromaterapeutas da equipe, ou fale com a equipe pelo WhatsApp. Se você é aromaterapeuta, aprofunde esse raciocínio na Mentoria ATP.

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Perguntas frequentes
Hidrolato é a mesma coisa que água floral?
Sim. Hidrolato, hidrossol e água floral são nomes diferentes para a água aromática obtida na destilação de plantas.[1]
Posso passar hidrolato puro na pele?
Em geral, sim. Diferente do óleo essencial, o hidrolato é usado puro. Faça um teste numa pequena área se a pele for sensível.[3]
Hidrolato substitui o óleo essencial?
Não exatamente. Tem composição e força diferentes.[6][7] Pode ser uma alternativa mais suave em alguns casos, ou um complemento.
Para que serve o hidrolato de lavanda?
Como tônico para pele sensível, compressas e spray para travesseiro. Em laboratório, ajudou a conservar géis cosméticos.[5]
Hidrolato serve para acne?
Hidrolatos de melaleuca, alecrim e gerânio são usados como tônico em pele oleosa, junto com os cuidados do dermatologista.
Hidrolato pode ser usado no cabelo?
Sim, borrifado no couro cabeludo como tônico. Queda de cabelo pede avaliação médica.
Hidrolato pode ser ingerido?
Não por conta própria. Os hidrolatos cosméticos não são feitos como alimento e contaminam com facilidade.[4]
Hidrolato pode ser usado em bebê?
Com orientação do pediatra ou de aromaterapeuta, em compressas ou no ambiente, longe do rosto.
Quanto tempo dura um hidrolato?
Depois de aberto, dura menos que um óleo essencial. Guarde bem fechado, longe da luz e do calor, e descarte se ficar turvo ou mudar de cheiro.[4]
Referências
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- Bezek K, Kramberger K, Barlič-Maganja D. Antioxidant and antimicrobial properties of Helichrysum italicum (Roth) G. Don hydrosol. Antibiotics. 2022;11(8):1017. doi:10.3390/antibiotics11081017
- Tisserand R, Young R. Essential Oil Safety: A Guide for Health Care Professionals. 2. ed. Edimburgo: Churchill Livingstone/Elsevier; 2014.
- Labadie C, Ginies C, Guinebretiere MH, et al. Hydrosols of orange blossom (Citrus aurantium), and rose flower (Rosa damascena and Rosa centifolia) support the growth of a heterogeneous spoilage microbiota. Food Research International. 2015;76(Pt 3):576-586. doi:10.1016/j.foodres.2015.07.014
- Kunicka-Styczyńska A, Śmigielski K, Prusinowska R, et al. Preservative activity of lavender hydrosols in moisturizing body gels. Letters in Applied Microbiology. 2015;60(1):27-32. doi:10.1111/lam.12346
- Politi M, Menghini L, Conti B, et al. Reconsidering hydrosols as main products of aromatic plants manufactory: the lavandin (Lavandula intermedia) case study in Tuscany. Molecules. 2020;25(9):2225. doi:10.3390/molecules25092225
- Kunc N, Frlan A, Baričevič D, et al. Essential oil and hydrosol composition of immortelle (Helichrysum italicum). Plants (Basel). 2022;11(19):2573. doi:10.3390/plants11192573
- Hamedi A, Moheimani SM, Sakhteman A, Etemadfard H, Moein M. An overview on indications and chemical composition of aromatic waters (hydrosols) as functional beverages in Persian nutrition culture and folk medicine for hyperlipidemia and cardiovascular conditions. Journal of Evidence-Based Complementary & Alternative Medicine. 2017;22(4):544-561. doi:10.1177/2156587216686460
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