
O óleo essencial de melaleuca (Melaleuca alternifolia, o “tea tree”) é o óleo antimicrobiano mais estudado da aromaterapia e um grande aliado da pele. Em gel a 5%, melhorou a acne de forma semelhante ao peróxido de benzoíla, com menos efeitos colaterais[2][3]; em xampu a 5%, reduziu a caspa[4]; em solução, tratou a frieira (pé de atleta) em cerca de 7 de cada 10 pessoas[5] e teve resultado comparável ao clotrimazol na micose de unha.[6] Junto com lavanda, eliminou os piolhos em quase todas as crianças tratadas.[7] Use sempre diluído, guarde bem fechado (o óleo oxidado causa mais alergia) e mantenha longe de gatos e cães.[9][11]

Resumo rápido
O que é e o que tem dentro
A melaleuca é uma árvore nativa da Austrália, cujas folhas eram usadas pelos povos aborígenes em feridas e infecções. O óleo é destilado das folhas e tem composição regulada por norma internacional: o principal componente é o terpinen-4-ol, responsável por grande parte da ação antimicrobiana, e há limite máximo para o 1,8-cineol.[1]
Outras melaleucas, como o niaouli (M. quinquenervia) e o cajepute (M. cajuputi), têm composições diferentes, mais ricas em 1,8-cineol, e usos mais respiratórios.
Como a melaleuca age
O terpinen-4-ol e outros terpenos da melaleuca desorganizam a membrana de bactérias e fungos, fazendo a célula perder seu conteúdo. Em laboratório, o óleo age contra bactérias como o estafilococo e a Cutibacterium acnes (ligada à acne), contra fungos como a Candida e os dermatófitos (causadores de micoses) e contra alguns vírus.[1] Além disso, tem ação anti-inflamatória na pele.[1]
O que dizem os estudos
| Uso | Estudo | Resultado |
|---|---|---|
| Acne | Bassett et al., 1990[2] | gel a 5% teve efeito semelhante ao peróxido de benzoíla 5% na redução de lesões, com menos ressecamento, ardor e coceira |
| Acne | Enshaieh et al., 2007[3] | gel a 5% foi melhor que o placebo na acne leve a moderada |
| Caspa | Satchell et al., 2002[4] | xampu a 5% melhorou 41% a gravidade da caspa, contra 11% do placebo, em quatro semanas |
| Frieira (pé de atleta) | Satchell et al., 2002, 158 pacientes[5] | solução a 25% e a 50% deu resposta clínica em 72% e 68%, contra 39% do placebo |
| Micose de unha | Buck et al., 1994[6] | óleo puro teve resultado comparável ao clotrimazol 1%, com cerca de 60% de melhora parcial ou total |
| Piolho | Barker e Altman, 2010[7] | produto com melaleuca e lavanda deixou 97,6% das crianças sem piolhos, contra 25% de um produto à base de piretrinas |
| Gengivite | Soukoulis e Hirsch, 2004[8] | gel com melaleuca reduziu a inflamação e o sangramento da gengiva |

Melaleuca para acne
É o uso mais estudado. O gel a 5% reduz as lesões inflamadas e os cravos, com início de ação um pouco mais lento que o peróxido de benzoíla, mas com menos irritação.[2][3]
- Use em gel, creme ou loção com cerca de 5% de melaleuca, ou dilua em óleo vegetal leve (por exemplo, 15 gotas em 15 ml de jojoba).
- Aplique nas áreas com acne uma a duas vezes ao dia.
- Dê tempo: os estudos avaliaram semanas a meses de uso.
- Evite o óleo puro direto na espinha, que aumenta o risco de irritação e alergia.[9]
Acne moderada a grave ou com cicatrizes deve ser acompanhada por dermatologista.
Melaleuca para caspa e couro cabeludo
Um xampu com 5% de melaleuca reduziu a caspa, a coceira e a oleosidade em quatro semanas.[4] Na prática: acrescente cerca de 5 gotas para cada 5 ml de xampu neutro na hora de lavar, deixe agir de 3 a 5 minutos e enxágue bem.
Melaleuca para micoses: frieira e unha
- Frieira (pé de atleta): soluções a 25% e 50%, duas vezes ao dia por quatro semanas, deram boa resposta clínica.[5] Por serem concentrações altas, são uso pontual e por tempo limitado.
- Micose de unha: o óleo aplicado na unha teve resultado comparável ao clotrimazol; como todas as micoses de unha, o tratamento é longo e a recorrência é comum.[6]
Micoses extensas, em diabéticos ou que não melhoram precisam de avaliação médica.
Melaleuca para piolho
Num ensaio clínico com crianças, um produto com óleos de melaleuca e lavanda eliminou os piolhos em 97,6% delas, muito acima de um produto tradicional à base de piretrinas.[7] Use produtos próprios para piolho, formulados nas concentrações certas para crianças, e siga a bula. Não aplique óleo essencial puro no couro cabeludo de crianças.[14]
Gengiva e boca
Um gel com melaleuca reduziu a inflamação e o sangramento da gengivite crônica.[8] Produtos bucais com melaleuca devem ser próprios para uso oral e nunca engolidos: o óleo essencial puro é tóxico se ingerido.[1][13]
Como usar
| Uso | Como fazer | Concentração |
|---|---|---|
| Acne | gel, creme ou óleo nas áreas afetadas | cerca de 5%[2][3] |
| Caspa | misturada ao xampu na hora de lavar | cerca de 5%[4] |
| Frieira | solução nas áreas afetadas, 2x/dia, por até 4 semanas | 25% a 50%, uso pontual[5] |
| Pequenos cortes e picadas | diluída, depois de lavar | 2% a 5% |
| Ambiente | difusor, por pouco tempo e longe de gatos | 3 a 5 gotas |
| Limpeza caseira | em água com sabão, para superfícies | algumas gotas |
Veja como diluir óleo essencial e qual óleo vegetal usar.
Cuidados e contraindicações

Como escolher um bom óleo de melaleuca
- Nome científico Melaleuca alternifolia no rótulo.
- Laudo com teor de terpinen-4-ol (alto) e de 1,8-cineol (baixo).[1]
- Frasco âmbar pequeno, para usar em poucos meses.
- Cuidado com “tea tree” sem nome científico ou muito barato. Veja como saber se o óleo é puro.
Melaleuca na aromaterapia clínica
Na prática, a melaleuca é uma aliada nos cuidados com a pele e o couro cabeludo e na higiene do ambiente. A concentração e o tempo de uso mudam conforme a área, a pele e a idade, e o plano considera também o que mais a pessoa usa na pele.
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- ✓A via de uso e a diluição certa para cada idade
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Perguntas frequentes
Para que serve o óleo essencial de melaleuca?
Para acne, caspa, frieira, micose de unha, piolho e gengivite, pela ação antimicrobiana.[1][2][4][5][6][7][8]
Posso passar óleo de melaleuca puro na espinha?
Não é recomendado. Os estudos usaram gel a 5%, e o óleo puro aumenta o risco de irritação e alergia.[2][9]
Melaleuca e tea tree são a mesma coisa?
Sim: tea tree é o nome em inglês da Melaleuca alternifolia. Niaouli e cajepute são outros óleos.[1]
Óleo de melaleuca serve para caspa?
Sim: xampu com 5% de melaleuca reduziu a caspa em quatro semanas.[4]
Melaleuca serve para micose?
Sim: teve bons resultados na frieira e resultado comparável ao clotrimazol na micose de unha.[5][6]
Melaleuca mata piolho?
Um produto com melaleuca e lavanda eliminou os piolhos em 97,6% das crianças.[7] Use produtos próprios para isso.
Óleo de melaleuca faz mal para gatos?
Sim. Usado puro em gatos e cães, pode causar intoxicação.[11] Nunca aplique em animais.
Posso usar melaleuca na boca?
Só em produtos bucais próprios, sem engolir; o gel com melaleuca reduziu a gengivite.[8]
Por quanto tempo o óleo de melaleuca dura?
Depois de aberto, prefira usar em alguns meses e guardar bem fechado, porque ele oxida.[9]
Referências
- Carson CF, Hammer KA, Riley TV. Melaleuca alternifolia (tea tree) oil: a review of antimicrobial and other medicinal properties. Clinical Microbiology Reviews. 2006;19(1):50-62. doi:10.1128/CMR.19.1.50-62.2006
- Bassett IB, Pannowitz DL, Barnetson RS. A comparative study of tea-tree oil versus benzoylperoxide in the treatment of acne. Medical Journal of Australia. 1990;153(8):455-458. doi:10.5694/j.1326-5377.1990.tb126150.x
- Enshaieh S, Jooya A, Siadat AH, Iraji F. The efficacy of 5% topical tea tree oil gel in mild to moderate acne vulgaris: a randomized, double-blind placebo-controlled study. Indian Journal of Dermatology, Venereology and Leprology. 2007;73(1):22-25. doi:10.4103/0378-6323.30646
- Satchell AC, Saurajen A, Bell C, Barnetson RS. Treatment of dandruff with 5% tea tree oil shampoo. Journal of the American Academy of Dermatology. 2002;47(6):852-855. doi:10.1067/mjd.2002.122734
- Satchell AC, Saurajen A, Bell C, Barnetson RS. Treatment of interdigital tinea pedis with 25% and 50% tea tree oil solution: a randomized, placebo-controlled, blinded study. Australasian Journal of Dermatology. 2002;43(3):175-178. doi:10.1046/j.1440-0960.2002.00590.x
- Buck DS, Nidorf DM, Addino JG. Comparison of two topical preparations for the treatment of onychomycosis: Melaleuca alternifolia (tea tree) oil and clotrimazole. Journal of Family Practice. 1994;38(6):601-605.
- Barker SC, Altman PM. A randomised, assessor blind, parallel group comparative efficacy trial of three products for the treatment of head lice in children: melaleuca oil and lavender oil, pyrethrins and piperonyl butoxide, and a “suffocation” product. BMC Dermatology. 2010;10:6. doi:10.1186/1471-5945-10-6
- Soukoulis S, Hirsch R. The effects of a tea tree oil-containing gel on plaque and chronic gingivitis. Australian Dental Journal. 2004;49(2):78-83. doi:10.1111/j.1834-7819.2004.tb00054.x
- Hausen BM, Reichling J, Harkenthal M. Degradation products of monoterpenes are the sensitizing agents in tea tree oil. American Journal of Contact Dermatitis. 1999;10(2):68-77. doi:10.1016/s1046-199x(99)90002-7
- Warshaw EM, Zug KA, Belsito DV, et al. Positive patch-test reactions to essential oils in consecutive patients from North America and Central Europe. Dermatitis. 2017;28(4):246-252. doi:10.1097/DER.0000000000000293
- Khan SA, McLean MK, Slater MR. Concentrated tea tree oil toxicosis in dogs and cats: 443 cases (2002-2012). Journal of the American Veterinary Medical Association. 2014;244(1):95-99. doi:10.2460/javma.244.1.95
- Henley DV, Lipson N, Korach KS, Bloch CA. Prepubertal gynecomastia linked to lavender and tea tree oils. New England Journal of Medicine. 2007;356(5):479-485. doi:10.1056/NEJMoa064725
- Tisserand R, Young R. Essential Oil Safety: A Guide for Health Care Professionals. 2. ed. Edimburgo: Churchill Livingstone/Elsevier; 2014.
- Tisserand Institute. Recommended dilutions for children.
