
O óleo essencial de camomila vem de duas plantas diferentes, e isso muda tudo: a camomila-romana (Chamaemelum nobile) é rica em ésteres e tem aroma suave e frutado; a camomila-alemã ou azul (Matricaria chamomilla) tem camazuleno, que dá a cor azul, e bisabolol[1][2][3]. Ensaios clínicos com a inalação do óleo essencial mostraram menos ansiedade em crianças no dentista, em idosos e em pacientes de hospital[5][6][7][8]. Já os estudos famosos em ansiedade generalizada usaram extrato de camomila em cápsulas, e não o óleo essencial[11][12]. É um óleo de baixo risco quando diluído[16], mas quem tem alergia a plantas da família das margaridas (Asteraceae) precisa de cuidado redobrado[14][15].

Resumo rápido
Neste artigo: a diferença entre as duas camomilas, o que os estudos com o óleo essencial mostram (e por que são diferentes dos estudos com chá e extrato), como usar e os cuidados com alergia, gestação e crianças.
De onde vem o óleo essencial de camomila
“Camomila” é o nome popular de mais de uma planta. As duas que importam na aromaterapia são da família Asteraceae, a mesma das margaridas, e são parentes próximas, mas produzem óleos essenciais bem diferentes[2]. Uma revisão de 2026 que comparou as duas espécies concluiu que elas não devem ser tratadas como intercambiáveis[1].
- Camomila-romana (Chamaemelum nobile, antigo Anthemis nobilis): planta perene, rasteira, de flores pequenas. O óleo essencial é rico em ésteres, que dão o aroma suave, doce e lembrando maçã[1].
- Camomila-alemã (Matricaria chamomilla, também chamada Matricaria recutita): é a camomila do chá que a gente conhece. O óleo essencial é azul-escuro e tem aroma mais herbáceo e intenso[1][3].
A cor azul tem uma explicação curiosa. A flor da camomila-alemã não tem camazuleno pronto: ela tem uma substância chamada matricina, que se transforma em camazuleno durante a destilação[1]. Por isso o chá é amarelo e o óleo essencial é azul.
A “camomila-marroquina” (Ormenis mixta) é outra planta. Confira sempre o nome científico no rótulo. Veja como saber se o óleo essencial é puro.
Composição química: ésteres de um lado, camazuleno e bisabolol do outro
A diferença entre as duas camomilas está na química. Um estudo que comparou as plantas mostrou que a camomila-alemã produz mais terpenos nas flores do que a romana, e que os genes que fabricam essas moléculas funcionam de forma diferente nas duas espécies[2].
| Camomila-romana | Camomila-alemã (azul) | |
|---|---|---|
| Nome científico | Chamaemelum nobile | Matricaria chamomilla |
| Componentes principais | Ésteres (como os angelatos)[1] | Óxidos de bisabolol, alfa-bisabolol, camazuleno e beta-farneseno[3] |
| Cor do óleo | Amarelo-claro | Azul-escuro, pelo camazuleno[1] |
| Aroma | Suave, doce, frutado | Herbáceo, intenso, mais “remédio” |
| Uso mais comum na aromaterapia | Inalação para calma, sono e crianças | Pele irritada e inflamada, diluída |
O alfa-bisabolol e o camazuleno são estudados pelo efeito anti-inflamatório e antioxidante, principalmente em células e animais[3]. Esses estudos de laboratório sugerem um potencial interessante para a pele e precisam ser aprofundados em pessoas.
A camomila-alemã também tem quimiotipos: há óleos mais ricos em óxido de bisabolol A, outros em óxido B e outros em alfa-bisabolol[3]. Por isso o laudo de composição (cromatografia) ajuda a saber exatamente o que está no frasco. Veja o que é quimiotipo.

O que os estudos mostram com o óleo essencial
Esta é a parte mais importante do artigo. Os estudos abaixo usaram óleo essencial de camomila inalado. Em alguns, o artigo não informa qual das duas espécies foi usada, e isso está indicado:
| Estudo | Quem participou | O que aconteceu | Nível de evidência |
|---|---|---|---|
| Crianças no dentista[5] | 100 crianças de 6 a 9 anos | Camomila nebulizada teve a maior queda na ansiedade e no pulso, parecida com a lavanda e melhor que a hortelã | Ensaio clínico randomizado |
| Idosos na comunidade[6] | 183 idosos | 3 gotas a 1,5% inaladas por 30 noites: menos ansiedade, estresse e sintomas depressivos que o controle | Ensaio clínico randomizado |
| Síndrome coronariana aguda[7] | 154 pacientes | Camomila-alemã a 10% no algodão por duas noites: menos ansiedade, pressão e frequência cardíaca que o placebo | Ensaio duplo-cego |
| Cirurgia ortopédica de emergência[8] | 90 pacientes | Camomila e rosa reduziram dor e ansiedade antes da cirurgia; a rosa agiu mais rápido | Ensaio clínico randomizado |
| UTI após cateterismo[9] | 56 pacientes | Mistura de lavanda, camomila-romana e néroli: menos ansiedade e sono melhor | Estudo controlado, com mistura |
| Ratos[10] | Animais | Inalar camomila-romana reduziu comportamentos do tipo depressivo | Estudo em animais |
O conjunto é animador. O estudo com crianças no dentista é especialmente interessante: a camomila teve um efeito parecido com o da lavanda, que é o óleo com mais estudos em ansiedade, e maior do que o da hortelã-pimenta[5]. O estudo com idosos mostrou efeito que durou até um mês depois do fim da inalação[6].
Os limites também precisam aparecer. Os estudos são pequenos ou médios e quase todos em situações de estresse agudo. O estudo com ratos sugere um efeito sobre o humor e precisa ser aprofundado em pessoas[10]. Ainda não encontramos ensaios com o óleo essencial de camomila em pessoas com transtorno de ansiedade diagnosticado.
Óleo essencial não é chá: os estudos com extrato oral
Quando alguém diz que “a camomila foi testada para ansiedade”, quase sempre está falando de outro produto. Os dois estudos mais citados sobre camomila e transtorno de ansiedade generalizada usaram extrato seco da planta em cápsulas, tomado pela boca:
- No primeiro, 57 pessoas com ansiedade generalizada leve a moderada tomaram extrato de camomila-alemã ou placebo por 8 semanas. O grupo da camomila teve uma redução maior dos sintomas, e os autores descreveram o efeito como modesto[11].
- No segundo, 179 pessoas tomaram 1.500 mg de extrato por dia durante 12 semanas. Quem melhorou foi sorteado para continuar com camomila ou trocar para placebo. Quem continuou manteve os sintomas mais baixos, mas a diferença na taxa de recaída não foi significativa[12].
Para o sono, uma meta-análise de 2024 reuniu 10 estudos com 772 pessoas que usaram preparações da planta. Houve melhora na qualidade do sono e menos despertares noturnos, mas não no tempo total de sono[13].
Esses resultados são importantes, mas não podem ser transferidos para o óleo essencial. O extrato e o chá têm flavonoides, como a apigenina, que quase não passam para o óleo essencial. E o óleo essencial tem moléculas voláteis muito mais concentradas, que agem principalmente pelo olfato[1]. São produtos diferentes, com estudos diferentes.
E um alerta: nunca coloque óleo essencial de camomila no chá ou na água achando que “é a mesma coisa, só que mais forte”. A via oral é a via mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria. Veja óleo essencial pode ser ingerido?.
Para que o óleo essencial de camomila é mais usado
Na aromaterapia clínica, a camomila costuma entrar nestas situações:
- Ansiedade e tensão: principalmente a camomila-romana, por inalação. É a área com mais estudos[5][6][7][8]. Veja óleo essencial para ansiedade.
- Sono: como parte de uma rotina noturna, junto com higiene do sono. Há um estudo com mistura que incluiu camomila-romana e mostrou sono melhor em pacientes de UTI[9]. Veja aromaterapia para dormir.
- Crianças agitadas ou com medo de procedimentos: pelo aroma suave e pelo estudo no dentista[5]. Veja como acalmar criança agitada.
- Cólicas e desconforto abdominal: em massagem diluída na barriga. Num estudo de laboratório, o óleo essencial de camomila-romana relaxou o músculo liso do intestino de animais e de amostras humanas[4]. Esses dados sugerem um efeito e precisam ser aprofundados em pessoas.
- Pele sensível e irritada: principalmente a camomila-alemã, pelo bisabolol e pelo camazuleno, sempre diluída[3].
A camomila não cura ansiedade, insônia ou doenças de pele. Ela é um tratamento complementar, não substitui o tratamento médico e não faz diagnóstico médico.
Como usar o óleo essencial de camomila
| Via | Como fazer | Observação |
|---|---|---|
| Inalação direta | 1 a 2 gotas num algodão, lenço ou inalador pessoal; inalar devagar por alguns minutos | Foi a forma usada nos estudos com adultos[6][7][8] |
| Difusor | Poucas gotas, por 30 a 60 minutos, com pausas e ambiente ventilado | Bom para a rotina da noite |
| Pele, adulto | 1% a 2% no corpo (6 a 12 gotas em 30 ml de óleo vegetal) | Rosto e pele sensível: 0,5% a 1% |
| Massagem na barriga | 1% em óleo vegetal, movimentos circulares no sentido horário | Dor forte ou persistente pede avaliação médica |
Para fazer as contas da diluição, veja como diluir óleo essencial e óleo carreador. Para a inalação, siga o passo a passo:

Segurança: alergia, gestação, crianças e pets
A camomila é considerada um óleo de baixo risco. Na principal referência de segurança da área, Tisserand e Young não apontam riscos importantes para o uso na pele diluído; para a camomila-alemã, o alerta é de interação com medicamentos no uso oral[16]. Mas há um cuidado que merece destaque: a alergia.
Alergia a plantas da família Asteraceae. As camomilas são parentes de margaridas, crisântemo, arnica, calêndula, girassol e dente-de-leão. As principais moléculas que causam alergia de contato nessa família são as lactonas sesquiterpênicas[15]. Uma revisão sistemática de efeitos adversos da camomila-alemã encontrou poucos eventos nos ensaios clínicos, quase sempre leves, mas relatos de caso de alergia, incluindo três casos de anafilaxia[14]. A anafilaxia é rara, mas é grave.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Alergia a margaridas, arnica, crisântemo ou ambrosia | Evitar na pele; se for inalar, testar com muito pouco e com orientação[14][15] |
| Dermatite de contato ou eczema nas mãos | Conversar com o dermatologista antes; pode haver alergia à família[15] |
| Pele | Sempre diluída; fazer teste numa pequena área antes do primeiro uso |
| Gestação | As camomilas não estão entre os óleos a evitar em Tisserand e Young[16], mas use pouco e com orientação |
| Crianças | Diluição menor que a do adulto; nunca por via oral |
| Recém-nascido | Não usa óleo essencial |
| Medicamentos | Uso oral só com aromaterapeuta com formação clínica; risco de interação[16] |
| Gatos e cães | Difusor por pouco tempo, ambiente ventilado e porta aberta para o animal sair |
Coceira, vermelhidão, inchaço nos lábios ou nos olhos, falta de ar ou chiado no peito depois de usar qualquer produto com camomila pedem a suspensão imediata. Falta de ar e inchaço no rosto são emergência. Veja quem não pode fazer aromaterapia e óleo essencial faz mal para gatos e cachorros.
Camomila em crianças
A camomila-romana é um dos óleos mais usados com crianças, pelo aroma suave e pelo perfil de segurança. O estudo no dentista, com crianças de 6 a 9 anos, é um dos poucos ensaios clínicos de aromaterapia em crianças com resultado tão claro[5].
- Recém-nascido não usa óleo essencial. Em bebês maiores, só com orientação de aromaterapeuta com formação clínica. Veja óleo essencial para bebê.
- Criança nunca ingere óleo essencial, nem “uma gotinha” no chá ou no leite.
- Prefira o difusor ou um inalador, com a criança longe do aparelho e por pouco tempo.
- Na pele, a diluição é menor que a do adulto, e vale testar antes numa pequena área.
- Criança com dermatite atópica ou alergia a plantas precisa de cuidado redobrado: a alergia de contato às plantas dessa família também aparece na infância, e por isso a conversa com o pediatra vem antes[15].
Para entender as diluições por idade, veja óleo essencial para crianças e rotina de sono infantil.
Camomila, lavanda ou outro óleo?
Camomila ou lavanda? No estudo com crianças no dentista, tiveram efeito parecido[5]. Num estudo com idosos, também tiveram resultados semelhantes[6]. A escolha costuma depender do aroma que a pessoa prefere, do preço e da situação.
| Óleo | Quando costuma ser escolhido | Diferença principal |
|---|---|---|
| Camomila-romana | Calma, sono, crianças, pessoas sensíveis a aromas fortes | Aroma muito suave; óleo caro |
| Camomila-alemã | Pele irritada e inflamada | Aroma intenso; mais usada na pele do que na inalação |
| Lavanda | Ansiedade e sono, uso diário | O óleo com mais estudos em ansiedade; preço acessível |
| Copaíba | Dor e inflamação | Rica em beta-cariofileno; aroma discreto |
| Hortelã-pimenta | Foco, enjoo, sensação de nariz entupido | Estimulante: costuma ser o oposto da camomila |
Também é possível combinar: lavanda e camomila-romana aparecem juntas em estudos e na prática clínica[9]. Veja a ficha da lavanda, a ficha da copaíba e sinergia de óleos essenciais.
Mitos e verdades
- “Toda camomila é igual.” Mito. A romana e a alemã têm composição, cor e aroma diferentes[1][2].
- “O óleo azul é corante.” Mito. O azul vem do camazuleno, que se forma na destilação[1].
- “Há estudos com óleo essencial de camomila e ansiedade.” Verdade, principalmente em situações de estresse agudo[5][6][7][8].
- “Os estudos em ansiedade generalizada usaram óleo essencial.” Mito. Usaram extrato oral em cápsulas[11][12].
- “Camomila é natural, então não dá alergia.” Mito. Há relatos de alergia, inclusive anafilaxia, e o risco é maior em quem tem alergia à família das margaridas[14][15].
- “Pode pingar óleo de camomila no chá da criança.” Mito. Criança nunca ingere óleo essencial.
Na aromaterapia clínica
A camomila-romana é um dos óleos que eu mais uso com pessoas muito sensíveis, que se incomodam com aromas fortes, e com crianças. Antes de indicar, eu sempre pergunto sobre alergias: rinite no período de pólen, alergia a arnica, a calêndula ou a margaridas, dermatite e eczema.
Também explico à paciente a diferença entre o óleo essencial e o chá: são coisas diferentes, e cada uma tem o seu lugar. Quando a pessoa já usa medicação para ansiedade ou para dormir, ela só se reduz ou se suspende junto com o médico.
No retorno, pergunto como ficou o sono, a tensão do dia e a relação com o aroma. Se a camomila ajudou, mantemos. Se o aroma não agradou, trocamos, porque um aroma que a pessoa não gosta dificilmente acalma. Sempre como tratamento complementar, junto com o médico e o psicólogo. Se houver pensamentos de morte, o caminho é procurar ajuda imediata: CVV no 188, o médico ou a emergência.
Se você quer um plano de aromaterapia para ansiedade, sono ou para a sua família, o atendimento é online, com Camila Castellan e/ou aromaterapeutas da equipe.

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Perguntas frequentes
Qual a diferença entre camomila-romana e camomila-alemã?
A romana (Chamaemelum nobile) tem óleo rico em ésteres e aroma suave. A alemã (Matricaria chamomilla) tem óleo azul, com camazuleno e bisabolol[1][3].
Por que o óleo de camomila-alemã é azul?
Por causa do camazuleno, que se forma a partir da matricina da flor durante a destilação[1].
Óleo essencial de camomila acalma?
Ensaios clínicos com inalação mostraram menos ansiedade em crianças no dentista, idosos e pacientes de hospital[5][6][7][8].
Óleo de camomila ajuda a dormir?
Um estudo com mistura que incluía camomila-romana mostrou sono melhor em pacientes de UTI[9]. A meta-análise sobre sono usou preparações da planta, e não óleo essencial[13].
Chá de camomila e óleo essencial de camomila são a mesma coisa?
Não. Os estudos em ansiedade generalizada usaram extrato oral em cápsulas[11][12]. O óleo essencial tem outra composição e é usado principalmente por inalação.
Pode tomar óleo essencial de camomila?
A via oral é a mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria.
Quem tem alergia pode usar camomila?
Quem tem alergia a margaridas, arnica, crisântemo ou outras plantas da família Asteraceae deve evitar na pele e só usar com orientação[14][15].
Óleo de camomila pode ser usado em criança?
Sim, diluído e de preferência por inalação; houve bom resultado em crianças de 6 a 9 anos no dentista[5]. Recém-nascido não usa óleo e criança nunca ingere.
Gestante pode usar óleo de camomila?
As camomilas não estão entre os óleos a evitar na gestação em Tisserand e Young[16], mas o uso deve ser em pouca quantidade e com orientação.
Camomila ou lavanda para ansiedade?
No estudo com crianças no dentista, as duas tiveram efeito parecido[5]. A escolha depende do aroma preferido e da situação.
Referências
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