Óleo essencial de melaleuca (tea tree): para que serve, o que diz a ciência e como usar - Camila Castellan

O óleo essencial de melaleuca (Melaleuca alternifolia, o “tea tree”) é o óleo antimicrobiano mais estudado da aromaterapia e um grande aliado da pele. Em gel a 5%, melhorou a acne de forma semelhante ao peróxido de benzoíla, com menos efeitos colaterais[2][3]; em xampu a 5%, reduziu a caspa[4]; em solução, tratou a frieira (pé de atleta) em cerca de 7 de cada 10 pessoas[5] e teve resultado comparável ao clotrimazol na micose de unha.[6] Junto com lavanda, eliminou os piolhos em quase todas as crianças tratadas.[7] Use sempre diluído, guarde bem fechado (o óleo oxidado causa mais alergia) e mantenha longe de gatos e cães.[9][11]

Camila Castellan

Por Camila CastellanBiomédica, neurocientista e aromaterapeuta clínica · Publicado em 01/10/2026

Resumo rápido

Melaleuca em uma olhada

Nome científicoMelaleuca alternifolia
OrigemAustrália
Parte usadafolhas, por destilação a vapor
Molécula principalterpinen-4-ol[1]
Ação principalantimicrobiana: bactérias, fungos e alguns vírus[1]
Usos com evidênciaacne, caspa, frieira, micose de unha, piolho, gengivite[2][4][5][6][7][8]
Viaspele e couro cabeludo, sempre diluída; ambiente
Cuidadosoxidação, alergia, gatos e cães, nunca engolir[9][11]

O que é e o que tem dentro

A melaleuca é uma árvore nativa da Austrália, cujas folhas eram usadas pelos povos aborígenes em feridas e infecções. O óleo é destilado das folhas e tem composição regulada por norma internacional: o principal componente é o terpinen-4-ol, responsável por grande parte da ação antimicrobiana, e há limite máximo para o 1,8-cineol.[1]

Outras melaleucas, como o niaouli (M. quinquenervia) e o cajepute (M. cajuputi), têm composições diferentes, mais ricas em 1,8-cineol, e usos mais respiratórios.

Como a melaleuca age

O terpinen-4-ol e outros terpenos da melaleuca desorganizam a membrana de bactérias e fungos, fazendo a célula perder seu conteúdo. Em laboratório, o óleo age contra bactérias como o estafilococo e a Cutibacterium acnes (ligada à acne), contra fungos como a Candida e os dermatófitos (causadores de micoses) e contra alguns vírus.[1] Além disso, tem ação anti-inflamatória na pele.[1]

O que dizem os estudos

Principais ensaios clínicos com melaleuca

UsoEstudoResultado
AcneBassett et al., 1990[2]gel a 5% teve efeito semelhante ao peróxido de benzoíla 5% na redução de lesões, com menos ressecamento, ardor e coceira
AcneEnshaieh et al., 2007[3]gel a 5% foi melhor que o placebo na acne leve a moderada
CaspaSatchell et al., 2002[4]xampu a 5% melhorou 41% a gravidade da caspa, contra 11% do placebo, em quatro semanas
Frieira (pé de atleta)Satchell et al., 2002, 158 pacientes[5]solução a 25% e a 50% deu resposta clínica em 72% e 68%, contra 39% do placebo
Micose de unhaBuck et al., 1994[6]óleo puro teve resultado comparável ao clotrimazol 1%, com cerca de 60% de melhora parcial ou total
PiolhoBarker e Altman, 2010[7]produto com melaleuca e lavanda deixou 97,6% das crianças sem piolhos, contra 25% de um produto à base de piretrinas
GengiviteSoukoulis e Hirsch, 2004[8]gel com melaleuca reduziu a inflamação e o sangramento da gengiva
Infográfico: onde a melaleuca tem estudos — acne, caspa, frieira e piolho
Os resultados dos principais estudos com melaleuca na pele.

Melaleuca para acne

É o uso mais estudado. O gel a 5% reduz as lesões inflamadas e os cravos, com início de ação um pouco mais lento que o peróxido de benzoíla, mas com menos irritação.[2][3]

Acne moderada a grave ou com cicatrizes deve ser acompanhada por dermatologista.

Melaleuca para caspa e couro cabeludo

Um xampu com 5% de melaleuca reduziu a caspa, a coceira e a oleosidade em quatro semanas.[4] Na prática: acrescente cerca de 5 gotas para cada 5 ml de xampu neutro na hora de lavar, deixe agir de 3 a 5 minutos e enxágue bem.

Melaleuca para micoses: frieira e unha

Micoses extensas, em diabéticos ou que não melhoram precisam de avaliação médica.

Melaleuca para piolho

Num ensaio clínico com crianças, um produto com óleos de melaleuca e lavanda eliminou os piolhos em 97,6% delas, muito acima de um produto tradicional à base de piretrinas.[7] Use produtos próprios para piolho, formulados nas concentrações certas para crianças, e siga a bula. Não aplique óleo essencial puro no couro cabeludo de crianças.[14]

Gengiva e boca

Um gel com melaleuca reduziu a inflamação e o sangramento da gengivite crônica.[8] Produtos bucais com melaleuca devem ser próprios para uso oral e nunca engolidos: o óleo essencial puro é tóxico se ingerido.[1][13]

Para uso pessoal e familiar
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Como usar

Formas de uso

UsoComo fazerConcentração
Acnegel, creme ou óleo nas áreas afetadascerca de 5%[2][3]
Caspamisturada ao xampu na hora de lavarcerca de 5%[4]
Frieirasolução nas áreas afetadas, 2x/dia, por até 4 semanas25% a 50%, uso pontual[5]
Pequenos cortes e picadasdiluída, depois de lavar2% a 5%
Ambientedifusor, por pouco tempo e longe de gatos3 a 5 gotas
Limpeza caseiraem água com sabão, para superfíciesalgumas gotas

Veja como diluir óleo essencial e qual óleo vegetal usar.

Cuidados e contraindicações

Antes de usar

Oxidação. Exposto ao ar e à luz, o óleo oxida em dias a meses e passa a formar compostos que causam alergia três vezes mais forte que o óleo fresco.[9] Guarde bem fechado, no escuro, e descarte se o cheiro mudar.
Alergia de contato. A melaleuca está entre os óleos que mais causam reação em testes de contato.[10] Faça o teste numa pequena área.
Gatos e cães. Em 443 casos de intoxicação, a melaleuca pura aplicada em cães e gatos causou sonolência, fraqueza, falta de coordenação e tremores; gatos pequenos e jovens foram os mais afetados.[11] Nunca aplique em animais.
Nunca engolir. A ingestão é tóxica, principalmente para crianças.[1][13]
Crianças. Só diluída e na concentração própria para a idade.[14]
Uso prolongado em meninos antes da puberdade. Houve relatos de aumento das mamas com produtos de melaleuca e lavanda, que regrediu ao parar o uso; o tema precisa ser aprofundado, mas vale fazer pausas.[12]
Infográfico: 4 cuidados com a melaleuca — guardar bem fechada, testar antes, nunca em animais e nunca engolir
A melaleuca está entre os óleos que mais causam alergia de contato.

Como escolher um bom óleo de melaleuca

Melaleuca na aromaterapia clínica

Na prática, a melaleuca é uma aliada nos cuidados com a pele e o couro cabeludo e na higiene do ambiente. A concentração e o tempo de uso mudam conforme a área, a pele e a idade, e o plano considera também o que mais a pessoa usa na pele.

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Camila Castellan

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Perguntas frequentes

Para que serve o óleo essencial de melaleuca?

Para acne, caspa, frieira, micose de unha, piolho e gengivite, pela ação antimicrobiana.[1][2][4][5][6][7][8]

Posso passar óleo de melaleuca puro na espinha?

Não é recomendado. Os estudos usaram gel a 5%, e o óleo puro aumenta o risco de irritação e alergia.[2][9]

Melaleuca e tea tree são a mesma coisa?

Sim: tea tree é o nome em inglês da Melaleuca alternifolia. Niaouli e cajepute são outros óleos.[1]

Óleo de melaleuca serve para caspa?

Sim: xampu com 5% de melaleuca reduziu a caspa em quatro semanas.[4]

Melaleuca serve para micose?

Sim: teve bons resultados na frieira e resultado comparável ao clotrimazol na micose de unha.[5][6]

Melaleuca mata piolho?

Um produto com melaleuca e lavanda eliminou os piolhos em 97,6% das crianças.[7] Use produtos próprios para isso.

Óleo de melaleuca faz mal para gatos?

Sim. Usado puro em gatos e cães, pode causar intoxicação.[11] Nunca aplique em animais.

Posso usar melaleuca na boca?

Só em produtos bucais próprios, sem engolir; o gel com melaleuca reduziu a gengivite.[8]

Por quanto tempo o óleo de melaleuca dura?

Depois de aberto, prefira usar em alguns meses e guardar bem fechado, porque ele oxida.[9]

Referências

  1. Carson CF, Hammer KA, Riley TV. Melaleuca alternifolia (tea tree) oil: a review of antimicrobial and other medicinal properties. Clinical Microbiology Reviews. 2006;19(1):50-62. doi:10.1128/CMR.19.1.50-62.2006
  2. Bassett IB, Pannowitz DL, Barnetson RS. A comparative study of tea-tree oil versus benzoylperoxide in the treatment of acne. Medical Journal of Australia. 1990;153(8):455-458. doi:10.5694/j.1326-5377.1990.tb126150.x
  3. Enshaieh S, Jooya A, Siadat AH, Iraji F. The efficacy of 5% topical tea tree oil gel in mild to moderate acne vulgaris: a randomized, double-blind placebo-controlled study. Indian Journal of Dermatology, Venereology and Leprology. 2007;73(1):22-25. doi:10.4103/0378-6323.30646
  4. Satchell AC, Saurajen A, Bell C, Barnetson RS. Treatment of dandruff with 5% tea tree oil shampoo. Journal of the American Academy of Dermatology. 2002;47(6):852-855. doi:10.1067/mjd.2002.122734
  5. Satchell AC, Saurajen A, Bell C, Barnetson RS. Treatment of interdigital tinea pedis with 25% and 50% tea tree oil solution: a randomized, placebo-controlled, blinded study. Australasian Journal of Dermatology. 2002;43(3):175-178. doi:10.1046/j.1440-0960.2002.00590.x
  6. Buck DS, Nidorf DM, Addino JG. Comparison of two topical preparations for the treatment of onychomycosis: Melaleuca alternifolia (tea tree) oil and clotrimazole. Journal of Family Practice. 1994;38(6):601-605.
  7. Barker SC, Altman PM. A randomised, assessor blind, parallel group comparative efficacy trial of three products for the treatment of head lice in children: melaleuca oil and lavender oil, pyrethrins and piperonyl butoxide, and a “suffocation” product. BMC Dermatology. 2010;10:6. doi:10.1186/1471-5945-10-6
  8. Soukoulis S, Hirsch R. The effects of a tea tree oil-containing gel on plaque and chronic gingivitis. Australian Dental Journal. 2004;49(2):78-83. doi:10.1111/j.1834-7819.2004.tb00054.x
  9. Hausen BM, Reichling J, Harkenthal M. Degradation products of monoterpenes are the sensitizing agents in tea tree oil. American Journal of Contact Dermatitis. 1999;10(2):68-77. doi:10.1016/s1046-199x(99)90002-7
  10. Warshaw EM, Zug KA, Belsito DV, et al. Positive patch-test reactions to essential oils in consecutive patients from North America and Central Europe. Dermatitis. 2017;28(4):246-252. doi:10.1097/DER.0000000000000293
  11. Khan SA, McLean MK, Slater MR. Concentrated tea tree oil toxicosis in dogs and cats: 443 cases (2002-2012). Journal of the American Veterinary Medical Association. 2014;244(1):95-99. doi:10.2460/javma.244.1.95
  12. Henley DV, Lipson N, Korach KS, Bloch CA. Prepubertal gynecomastia linked to lavender and tea tree oils. New England Journal of Medicine. 2007;356(5):479-485. doi:10.1056/NEJMoa064725
  13. Tisserand R, Young R. Essential Oil Safety: A Guide for Health Care Professionals. 2. ed. Edimburgo: Churchill Livingstone/Elsevier; 2014.
  14. Tisserand Institute. Recommended dilutions for children.