
Sim, a aromaterapia já é usada em hospitais de vários países, principalmente pela enfermagem, para reduzir a ansiedade antes de cirurgias e exames e para melhorar o sono na UTI. Uma meta-análise com 20 ensaios clínicos e 1.717 adultos mostrou que a aromaterapia reduziu a ansiedade antes da cirurgia, e que sessões curtas de inalação, de até 20 minutos, tiveram o melhor resultado[1]. O uso é complementar: o óleo entra junto com o cuidado da equipe, nunca no lugar da anestesia, da medicação ou da orientação médica.

Resumo rápido
Neste artigo você vai ver onde a aromaterapia é usada dentro dos hospitais, o que cada tipo de estudo mostrou, como ela é aplicada na prática, os cuidados de segurança e o que isso significa para quem quer atuar profissionalmente.
Por que a aromaterapia entrou nos hospitais
A ansiedade antes de uma cirurgia é muito comum e não é só desconforto: ela pode atrapalhar o início do procedimento e está ligada a mais complicações depois[1]. Por isso as equipes procuram recursos simples, seguros e de baixo custo para somar ao cuidado de rotina.
A aromaterapia por inalação cumpre esses requisitos. Nos Estados Unidos, sistemas de saúde estruturaram programas em que enfermeiras capacitadas oferecem óleos essenciais aos pacientes internados para dor, náusea, ansiedade e sono, com protocolos, treinamento e registro de cada aplicação[12].
No Brasil, a aromaterapia faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS desde 2018[14]. Em 2024, o Conselho Federal de Enfermagem normatizou a atuação da enfermagem nessas práticas, incluindo a aromaterapia, para profissionais capacitados[15]. Veja também aromaterapia no SUS.

Antes da cirurgia: o que dizem as meta-análises
É no período antes da cirurgia que a aromaterapia hospitalar tem mais estudos. As meta-análises reúnem dezenas de ensaios clínicos e chegam a uma direção parecida: menos ansiedade quando o paciente inala um óleo essencial antes do procedimento[1][2].
| Estudo | Quem participou | Resultado | Observações |
|---|---|---|---|
| Guo e colegas, 2020[1] | 20 ensaios clínicos, 1.717 adultos | Redução significativa da ansiedade antes da cirurgia, comparada a placebo, cuidado de rotina ou nenhuma intervenção | Lavanda, cítricos e rosa foram os mais usados. Sessões de até 20 minutos tiveram efeito maior |
| Huang e colegas, 2021[2] | 10 ensaios clínicos, 750 adultos | Redução da ansiedade em relação ao grupo controle | Os autores recomendam estudos com desenho mais rigoroso para confirmar |
| Kahveci e Taylan, 2025[16] | 6 ensaios, 519 mulheres antes de cirurgia de mama | Métodos não farmacológicos reduziram a ansiedade; a aromaterapia teve efeito menor nesse grupo | Resultado que precisa ser ampliado com mais estudos |
Um detalhe prático chama atenção: sessões curtas funcionaram melhor que sessões longas[1]. Isso combina com o que se sabe sobre o olfato, que se adapta ao aroma depois de algum tempo. Mais não é melhor. Explico isso em em quanto tempo o óleo essencial faz efeito.
Em exames e procedimentos
Fora do centro cirúrgico, a aromaterapia também foi testada em momentos de tensão do dia a dia hospitalar: biópsias, cirurgias com anestesia local, punções e tratamentos que causam efeitos colaterais.
| Situação | Quem participou | O que foi feito | Resultado |
|---|---|---|---|
| Biópsia de mama[6] | 87 mulheres | Adesivo aromático de lavanda e sândalo, comparado com laranja e hortelã e com placebo | Menos ansiedade com lavanda e sândalo do que com placebo |
| Cirurgia de catarata[4] | 120 pacientes | Lavanda inalada por 15 minutos antes, comparada com sons da natureza e cuidado de rotina | Ansiedade e dor menores nos dois grupos de intervenção, sem efeitos adversos |
| Infarto e angina, com nitroglicerina na veia[5] | 90 pacientes | 3 gotas de lavanda a 2% em gaze, 15 minutos antes, comparada com paracetamol e cuidado de rotina | Dor de cabeça mais leve e mais conforto que o grupo de rotina; o paracetamol preveniu a dor |
| Punção da veia antes da cirurgia[3] | Revisão de 10 estudos | Várias estratégias para a ansiedade da punção | A lavanda foi a única associada a menos ansiedade; resultado promissor, ainda baseado em poucos estudos |
O estudo com pacientes cardíacos é um bom exemplo do papel da aromaterapia: a lavanda trouxe conforto e aliviou a dor de cabeça causada pelo medicamento, mas quem preveniu a dor por completo foi o analgésico[5]. Os dois recursos podem caminhar juntos, com a decisão da equipe médica.
Na UTI: sono e conforto
Dormir numa UTI é difícil: luz, ruído, alarmes e procedimentos durante a noite. Duas meta-análises recentes avaliaram recursos não farmacológicos para o sono desses pacientes.
- Uma análise de 36 estudos, publicada em 2026, comparou 16 tipos de intervenção. A aromaterapia melhorou o sono de forma significativa e ficou em segundo lugar entre as mais eficazes, logo depois da música[9].
- Outra análise reuniu 11 ensaios com 690 pacientes graves que inalaram óleos essenciais. A combinação de lavanda, camomila e neroli teve o melhor resultado, seguida por rosa, hortelã-pimenta e laranja-amarga[10].
Os autores classificam a certeza das evidências como baixa e pedem mais estudos[10]. Ainda assim, a inalação é simples, não invasiva e fácil de associar a outras medidas, como protetores de ouvido e máscara para os olhos.
Na odontologia, inclusive com crianças
O medo do dentista é um dos cenários mais estudados. Uma meta-análise de 2024 reuniu 61 estudos com 6.113 crianças e adolescentes de 4 a 16 anos e comparou 12 estratégias sem medicamento. A aromaterapia ficou em segundo lugar na redução da ansiedade, atrás apenas da música[8].
Com crianças, o aroma vai no ambiente ou à distância, nunca na boca e nunca puro na pele. A escolha do óleo e da quantidade muda conforme a idade, e recém-nascidos não recebem óleo essencial. Veja óleo essencial para bebê.
Na oncologia
Pessoas em tratamento de câncer convivem com ansiedade, insônia, cansaço e náusea. Uma meta-análise com 26 estudos e 2.912 pacientes mostrou que a aromaterapia melhorou a qualidade do sono e reduziu o cansaço, a ansiedade e a depressão. Também diminuiu a frequência de vômitos em 24 horas. A massagem com óleos teve efeito maior na ansiedade do que a inalação[11].
Na oncologia, a escolha do óleo, da via e da diluição precisa considerar a pele sensível, a radioterapia, a quimioterapia em curso e o olfato alterado, que pode transformar um aroma agradável em enjoo. Por isso, o uso deve ser combinado com a equipe que acompanha o tratamento.
Náusea depois da cirurgia
A náusea depois da anestesia é outro alvo frequente. Uma revisão Cochrane com 16 estudos e 1.036 participantes encontrou que quem recebeu aromaterapia precisou de menos remédios contra náusea do que o grupo placebo, mas o efeito sobre a intensidade da náusea ainda não ficou claro. Os autores consideram que estudos adicionais são necessários[7].
Na prática, a inalação pode ser oferecida como conforto, sem atrasar nem substituir a medicação prescrita.
O nível de evidência em cada situação
Lembre que a maior parte desses estudos é pequena e foi feita em poucos países. É um campo em crescimento: os resultados são consistentes o suficiente para justificar o uso complementar e precisam ser ampliados com novos ensaios.
Os óleos mais usados nos estudos
Poucos óleos concentram a maior parte das pesquisas hospitalares. Isso ajuda a equipe a montar um protocolo enxuto, com óleos bem conhecidos e laudo de qualidade de cada lote.
| Óleo | Onde aparece | Cuidados |
|---|---|---|
| Lavanda (Lavandula angustifolia) | Ansiedade antes de cirurgia e exames, sono na UTI, oncologia[1][4][10][11] | Pode irritar a pele quando oxidada; usar frasco bem fechado e dentro da validade |
| Cítricos: laranja, bergamota, neroli | Ansiedade antes de cirurgia, sono na UTI[1][10] | Bergamota na pele só na versão sem bergapteno (FCF); cítricos na pele e sol podem manchar |
| Rosa (Rosa damascena) | Ansiedade antes de cirurgia, sono na UTI[1][10] | Óleo caro e muito adulterado; exigir laudo |
| Camomila (Matricaria recutita) | Sono na UTI, em mistura com lavanda e neroli[10] | Cautela em pessoas alérgicas a plantas da mesma família |
| Hortelã-pimenta | Sono na UTI e náusea[7][10] | Não usar perto do rosto de crianças pequenas; evitar em quem tem asma sem orientação |
Mais importante que o nome do óleo é a resposta da pessoa: um aroma que lembra algo ruim pode aumentar a ansiedade em vez de reduzir. Por isso, no hospital e no consultório, o paciente sempre participa da escolha. Para saber se o óleo é de boa qualidade, veja como saber se o óleo essencial é puro.
Como é feito na prática

No hospital, a regra é simples: o aroma é individual, a dose é pequena e o tempo é curto. Os estudos usaram, em geral, de 1 a 3 gotas em gaze ou em inalador pessoal, por 5 a 20 minutos[1][4][5].
| Forma | Como | Quando faz sentido | Cuidados |
|---|---|---|---|
| Gaze ou algodão | 1 a 3 gotas, perto do paciente ou presa na roupa, sem tocar a pele | Antes de cirurgia, exame ou procedimento | Retirar depois do tempo combinado |
| Inalador pessoal | Bastão com o óleo, usado só por aquele paciente | Ansiedade, náusea, momentos de tensão | Individual, identificado e descartado na alta |
| Adesivo aromático | Adesivo com óleo, colado na roupa | Procedimentos longos, sono | Nunca diretamente na pele lesionada |
| Massagem com óleo diluído | Óleo essencial diluído em óleo vegetal | Oncologia, cuidados paliativos, quando liberado pela equipe | Diluição baixa, pele íntegra, sem áreas de radioterapia |
| Difusor no quarto | Aroma no ambiente | Pouco indicado em quarto compartilhado | Afeta outras pessoas, inclusive a equipe |
A via oral não faz parte desse cuidado. Ela é a via mais controversa e de maior risco, só com aromaterapeuta com formação clínica e nunca por conta própria. Antes de uma cirurgia, com jejum e anestesia, ela não tem lugar. Leia óleo essencial pode ser ingerido?.
Segurança no ambiente hospitalar
O hospital reúne pessoas mais sensíveis: alergias, asma, gestantes, bebês, idosos e pacientes com muitos medicamentos. Uma revisão de relatos de casos encontrou que o efeito adverso mais comum da aromaterapia é a dermatite, com lavanda, hortelã-pimenta, melaleuca e ylang-ylang entre os óleos mais envolvidos[13]. Por isso a inalação curta e individual é a forma mais usada.
Veja mais em quem não pode fazer aromaterapia.
Mitos e verdades
Vou passar por uma cirurgia. Posso levar um óleo?
Se você vai passar por uma cirurgia ou um exame e gosta de aromaterapia, converse antes com a equipe. Muitos hospitais têm regras próprias sobre o que pode entrar no centro cirúrgico e no quarto.
- Leve a ideia, não a surpresa: pergunte se pode usar um inalador pessoal na espera.
- Escolha um aroma de que você goste e que já tenha usado sem reação. Experimentar um óleo novo no dia da cirurgia não é uma boa ideia.
- Nada de óleo na boca nem passado puro na pele. E informe a equipe sobre tudo o que você usa.
- A técnica de respiração lenta, inspirando em 4 tempos e soltando em 6, potencializa o efeito. Explico em óleo essencial para ansiedade.
Na aromaterapia clínica
Para quem quer atuar com aromaterapia, o hospital mostra como a prática fica quando é levada a sério: protocolo, escolha do óleo pela pessoa e pelo momento, dose pequena, tempo definido, registro e conversa com a equipe. É o mesmo raciocínio que uso nos atendimentos e que ensino às alunas: primeiro entender quem é o paciente, os sintomas, o histórico e os medicamentos, depois escolher o aroma e a forma de uso.
Para enfermeiras, técnicas de enfermagem e outros profissionais de saúde, a aromaterapia é uma ferramenta concreta de cuidado, reconhecida no SUS e pelo conselho de classe[14][15]. Para aromaterapeutas que atendem em consultório, os estudos hospitalares são uma base sólida para orientar pacientes que vão passar por cirurgias e exames, sempre como tratamento complementar, que não substitui o tratamento médico e não faz diagnóstico médico.

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Perguntas frequentes
A aromaterapia é usada em hospitais?
Sim. Em vários países, a enfermagem usa óleos essenciais por inalação para ansiedade, dor, náusea e sono de pacientes internados, com protocolo e registro[12]. No Brasil, a aromaterapia está entre as práticas integrativas do SUS[14].
Aromaterapia ajuda na ansiedade antes da cirurgia?
Os estudos indicam que sim. Uma meta-análise com 20 ensaios clínicos e 1.717 adultos mostrou redução da ansiedade antes da cirurgia, com melhor resultado em sessões curtas de inalação[1].
Qual óleo essencial é mais usado antes de cirurgia?
Lavanda, cítricos como laranja e bergamota, e rosa são os mais estudados[1]. A escolha depende da pessoa, do procedimento e das condições de saúde.
Quantas gotas e por quanto tempo?
Nos estudos, em geral de 1 a 3 gotas em gaze ou inalador pessoal, por 5 a 20 minutos[1][4][5].
Posso usar difusor no quarto do hospital?
Em quarto compartilhado não é recomendado, porque o aroma atinge outros pacientes e a equipe. Prefira inalador pessoal ou gaze, combinando antes com a equipe.
Aromaterapia ajuda a dormir na UTI?
Meta-análises recentes mostram melhora do sono de pacientes graves com aromaterapia inalada, com certeza ainda baixa e necessidade de mais estudos[9][10].
Aromaterapia substitui o calmante ou a anestesia?
Não. Ela é complementar e entra junto com o cuidado da equipe. A medicação e a anestesia são decisões médicas.
Crianças podem usar aromaterapia no dentista ou no hospital?
Os estudos com crianças mostram redução da ansiedade no dentista[8]. O aroma vai no ambiente ou à distância, nunca na boca nem puro na pele, e recém-nascidos não recebem óleo essencial.
Enfermeiro pode aplicar aromaterapia?
Sim. O Cofen normatizou a atuação da enfermagem nas práticas integrativas, incluindo a aromaterapia, para profissionais capacitados[15].
A aromaterapia tem efeitos colaterais no hospital?
Pode ter. O mais comum é a irritação da pele[13]. Por isso se usa inalação curta e individual, perguntando antes sobre alergias, asma e gestação.
Referências
- Guo P, Li P, Zhang X, et al. The effectiveness of aromatherapy on preoperative anxiety in adults: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Int J Nurs Stud. 2020;111:103747. doi:10.1016/j.ijnurstu.2020.103747
- Huang H, Wang Q, Guan X, et al. Effect of aromatherapy on preoperative anxiety in adult patients: a meta-analysis of randomized controlled trials. Complement Ther Clin Pract. 2021;42:101302. doi:10.1016/j.ctcp.2021.101302
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