Treino olfativo: por dentro do estudo das 4 garrafinhas e o que a ciência mostrou depois - Camila Castellan

O treino olfativo nasceu de um estudo simples, publicado em 2009 pelo grupo do professor Thomas Hummel: 56 pessoas com perda de olfato, quatro frascos com aromas de rosa, eucalipto, limão e cravo, e 12 semanas de inalação duas vezes ao dia. Quem treinou melhorou nos testes de olfato; quem não treinou ficou igual[1]. Desde então, ensaios clínicos e meta-análises confirmaram o efeito, principalmente na perda de olfato depois de infecções virais, como a covid[2][5][7]. Exames de imagem mostram que o treino muda a forma como o cérebro processa os aromas[10][11][12]. O treino é seguro quando feito do jeito certo e entra como tratamento complementar, junto com a avaliação do otorrino.

Camila Castellan

Por Camila CastellanBiomédica, neurocientista e aromaterapeuta clínica · Publicado em 10 de outubro de 2026

Resumo rápido

Resumo rápido

O estudoHummel, 2009: 40 pessoas treinaram e 16 não, por 12 semanas.
As garrafinhasRosa, eucalipto, limão e cravo: floral, resinoso, frutado e especiado.
O resultadoQuem treinou melhorou nos testes; quem não treinou ficou igual.
Depois de 2009Meta-análises confirmaram o efeito, maior na perda pós-viral.
No cérebroO treino reorganiza conexões e está ligado a mudanças no bulbo olfatório.
Com segurançaÓleo no algodão, nunca no nariz ou na pele; avaliação médica antes.

Neste artigo da série Por dentro do estudo, você vai ver qual pergunta os cientistas fizeram, como o estudo de 2009 foi montado, o que encontraram, o que as pesquisas seguintes acrescentaram, o que muda no nariz e no cérebro e como fazer o treino com segurança. Se o seu interesse é a relação entre perda de olfato, humor e depressão, leia também perda de olfato e saúde mental.

A pergunta dos cientistas

Você provavelmente aprendeu que, quando o olfato vai embora, não há muito o que fazer além de esperar. Na ciência, a pergunta foi outra: e se o olfato pudesse ser treinado, como um músculo que volta a ganhar força com exercício?

A ideia tinha uma base. Os pesquisadores já sabiam que a exposição repetida a um odor aumenta a sensibilidade a ele, mesmo em pessoas com olfato normal. E sabiam que o sistema olfatório tem uma capacidade rara no sistema nervoso: os neurônios do nariz morrem e são substituídos ao longo da vida, e, depois de uma lesão, o epitélio olfatório se reconstrói e volta a se conectar ao bulbo olfatório[13].

A pergunta do grupo de Dresden, na Alemanha, foi direta: pessoas com perda de olfato que se expõem de forma estruturada a alguns aromas, todos os dias, melhoram o olfato como um todo, e não só para os aromas treinados[1]?

Como o estudo foi feito

O estudo foi publicado na revista The Laryngoscope em 2009[1]. O desenho foi este:

As quatro garrafinhas do estudo original

AromaMolécula usada no estudoFamília de aroma
RosaFeniletil álcoolFloral
EucaliptoEucaliptol (1,8-cineol)Resinoso
LimãoCitronelalFrutado
CravoEugenolEspeciado

Um detalhe que pouca gente conta: o estudo usou moléculas isoladas, que representam cada aroma, e não necessariamente óleos essenciais[1]. A escolha seguiu uma lógica: quatro famílias de aroma bem diferentes entre si, para estimular o sistema olfatório de formas variadas. Na prática, muita gente monta o kit com óleos essenciais dessas plantas, porque eles contêm essas mesmas moléculas ou outras parecidas. Veja óleo essencial de eucalipto e óleos de limão e bergamota.

O que encontraram

Depois de 12 semanas, o grupo que treinou teve melhora no resultado geral dos Sniffin’ Sticks e ficou mais sensível aos próprios aromas do treino. No grupo que não treinou, o olfato ficou igual[1]. A conclusão dos autores foi cuidadosa: a exposição estruturada e de curto prazo a aromas selecionados pode aumentar a sensibilidade olfatória.

Era um estudo pequeno e sem sorteio dos grupos, e por isso precisava ser confirmado. E foi. As pesquisas seguintes acrescentaram detalhes importantes:

Do estudo de 2009 às meta-análises

EstudoQuem participouO que mostrou
Hummel, 2009[1]56 pessoas com perda de olfatoQuem treinou 12 semanas melhorou; quem não treinou ficou igual
Ensaio multicêntrico, 2014[2]144 pessoas com perda pós-infecçãoAromas concentrados funcionaram melhor; com menos de 12 meses de perda, 63% melhoraram contra 19%
Treino modificado, 2015[3]85 pessoas com perda pós-infecçãoTrocar os quatro aromas a cada 12 semanas, por 36 semanas, deu resultados melhores
Meta-análise, 2017[4]13 estudosEfeito positivo em todas as habilidades do olfato; treinos mais longos foram melhores
Meta-análise pós-viral, 2021[5]16 estudosQuem treinou teve 2,77 vezes mais chance de melhora clinicamente importante
Meta-análise, 2024[6]36 artigosEfeito de moderado a grande; duração, idade e anosmia influenciaram o resultado
Meta-análise pós-covid, 2026[7]10 ensaios, 628 pessoasMelhora pequena, mas significativa, no olfato e na qualidade de vida
Covid crônica, 2025[8]9 estudos, perda há mais de 16 semanasMelhora no limiar, na discriminação e na identificação

Repare num ponto: o tamanho do efeito muda de estudo para estudo. Nas pessoas com covid, a meta-análise de 2026 encontrou um efeito pequeno, e os autores pedem estudos maiores, com protocolos padronizados[7]. Isso não diminui o treino; mostra que ele ajuda, mas não faz milagre.

Outro motivo para ter um grupo de comparação: boa parte das pessoas recupera o olfato sozinha. Numa meta-análise com 3.699 pacientes com covid, as curvas de recuperação mostraram que cerca de 74% recuperaram o olfato em 30 dias, 86% em 60 dias, 90% em 90 dias e 96% em 180 dias. Os autores estimam que cerca de 5,6% podem ficar com alteração persistente[9]. Sem grupo de comparação, seria impossível saber o que é efeito do treino e o que é recuperação natural.

Figura de estudo científico: conexões do córtex olfatório no cérebro de pessoas sem olfato antes e depois de 12 semanas de treino olfativo
Antes do treino (a), a região do olfato estava ligada a muitas áreas que não são do olfato; depois de 12 semanas (b), as conexões se reorganizaram. Fonte: Kollndorfer et al., Neural Plasticity, 2014 (CC BY 3.0).

A figura acima vem de outro estudo, feito em Viena, que olhou para dentro do cérebro de sete pessoas sem olfato havia, em média, 4,6 anos. Antes do treino, a região que recebe os sinais do olfato (o córtex piriforme) estava conectada a várias áreas que não são do olfato. Depois de 12 semanas de treino, essas conexões se reorganizaram, e seis das sete pessoas melhoraram o limiar olfatório[10].

O que isso muda no corpo e no cérebro

O treino olfativo age em dois níveis, de baixo para cima e de cima para baixo. Os autores de uma das meta-análises sobre covid crônica chegaram a essa mesma conclusão: a recuperação parece envolver os dois caminhos[8].

No nariz. O epitélio olfatório tem células-tronco que produzem novos neurônios ao longo da vida, e essa renovação acelera depois de uma lesão. Os novos neurônios mandam seus prolongamentos até o bulbo olfatório e refazem as conexões[13]. A hipótese é que a exposição repetida aos aromas ajude esses neurônios novos a amadurecer e a se conectar.

No bulbo olfatório. O bulbo é a primeira estação do olfato dentro do crânio. Uma meta-análise de 2026 reuniu sete estudos com ressonância magnética, com 310 participantes, e encontrou um pequeno aumento do volume do bulbo depois do treino, tanto em pacientes como em pessoas saudáveis; quem não treinou não teve mudança[12].

No córtex. Em pessoas saudáveis que fizeram um treino olfativo intensivo por 6 semanas, a ressonância mostrou aumento da espessura de áreas que processam aromas, incluindo o córtex entorrinal, ligado à memória[11]. E, em pessoas sem olfato, o treino reorganizou as conexões do córtex piriforme[10].

E a neurogênese no bulbo? Aqui vale ser honesta com a ciência. Em camundongos e outros mamíferos, o bulbo olfatório recebe neurônios novos durante a vida toda. Em humanos adultos, um estudo que datou os neurônios do bulbo pelo carbono-14 encontrou pouquíssima ou nenhuma formação de neurônios novos ali depois do nascimento[14]. Ou seja, nas pessoas, a renovação de neurônios acontece sobretudo no nariz, e o que muda no bulbo e no córtex é principalmente a forma como as conexões se organizam. É plasticidade, e não um “bulbo novo”.

Infográfico: o que o treino olfativo muda no nariz, no bulbo olfatório e no cérebro
Treino olfativo: o que muda do nariz ao cérebro.

Esse é o mesmo raciocínio que explica por que aromas mexem com a memória e as emoções. Veja como a aromaterapia age no cérebro e memória olfativa.

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O que isso significa na prática (e o que não significa)

O que os estudos permitem dizer:

O que os estudos não permitem dizer:

Também é importante entender a diferença entre este post e o que fala de humor. A perda de olfato pesa na saúde mental, e esse lado está explicado em perda de olfato e saúde mental. Aqui, o foco é o treino em si: o que ele é, como foi testado e o que dá para esperar dele.

Como fazer o treino com segurança

Para adultos, em uso pessoal e familiar, o roteiro segue os estudos[1][2][3]:

  1. Passe pelo otorrino antes. Ele confirma a causa da perda e indica se o treino faz sentido no seu caso[15].
  2. Monte quatro frascos de vidro escuro, cada um com um algodão e algumas gotas de um óleo essencial de família diferente: floral, resinoso, frutado e especiado.
  3. Inale cada frasco por 10 a 20 segundos, com inalações curtas e tranquilas, a alguns centímetros do nariz, pensando no aroma que deveria estar ali.
  4. Faça duas vezes ao dia, de manhã e à noite, por pelo menos 12 semanas[1].
  5. Depois de 12 semanas, troque os quatro aromas por outros quatro e continue, se ainda houver perda[3].
  6. Anote a evolução, com uma nota de 0 a 10 por aroma, para conversar com o médico.

Os cuidados que não podem faltar:

Treino olfativo: cuidados

SituaçãoO que fazer
Óleo de cravoRico em eugenol, irrita pele e mucosas: só no algodão, nunca na pele[16]
Dentro do narizNunca pingar óleo no nariz nem encostar o algodão na narina
Asma, enxaqueca, sensibilidade a aromasComeçar com distância maior e conversar com o médico
Eucalipto e criançasÓleos ricos em 1,8-cineol não devem ser usados perto do rosto de crianças pequenas[16]
CriançasTreino só com orientação do pediatra ou do otorrino
Gatos em casaGuardar os frascos fechados e longe dos animais
ParosmiaSe um aroma ficar muito desagradável, trocar por outro da mesma família

O treino é feito só por inalação. Criança nunca ingere óleo. A via oral é a via mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria. Veja óleo essencial pode ser ingerido?, quem não pode fazer aromaterapia e como saber se o óleo essencial é puro. Quem prefere levar o treino na bolsa pode usar um inalador pessoal para cada aroma.

Procure o médico com urgência se a perda de olfato for súbita e de um lado só, vier depois de uma pancada na cabeça ou junto com fraqueza, alteração da fala, da visão ou do equilíbrio. Se a perda vier com tristeza persistente ou pensamentos de morte, procure o médico e o psicólogo e, se precisar, ligue para o CVV no 188. A aromaterapia não faz diagnóstico médico, e qualquer medicação só se reduz ou se suspende junto com o médico.

Mitos e verdades

Na aromaterapia clínica

Quando alguém me procura para o treino olfativo, a primeira pergunta é se já passou pelo otorrino. Depois, quero entender há quanto tempo o olfato mudou, se há parosmia e como está o dia a dia: comer, cozinhar, trabalhar, dormir.

Na escolha dos aromas, sigo a lógica do estudo de Hummel, com quatro famílias diferentes, mas ajusto para cada pessoa. Se o cravo virou um odor insuportável por causa da parosmia, troco por outro especiado. Se a pessoa tem asma, começo com distância maior e aromas mais suaves. Combinamos uma rotina que caiba na vida real, porque o treino só funciona se for feito duas vezes ao dia, por meses.

Nos retornos, olho as anotações, ajusto os aromas a cada ciclo e acompanho o humor, que costuma sofrer junto. Sempre como tratamento complementar, que não substitui o tratamento médico.

Se você quer um plano de treino olfativo feito para você, o atendimento é online, com Camila Castellan e/ou aromaterapeutas da equipe.

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Perguntas frequentes

O que é o treino olfativo de Hummel?

É o protocolo descrito em 2009: inalar quatro aromas intensos (rosa, eucalipto, limão e cravo), duas vezes ao dia, por 12 semanas. Quem treinou melhorou; quem não treinou ficou igual[1].

Treino olfativo funciona mesmo?

Meta-análises mostram melhora do olfato, principalmente na perda depois de vírus[4][5][6]. O efeito varia e, na covid, foi pequeno, mas significativo[7].

Quanto tempo leva para o treino olfativo fazer efeito?

Os estudos usam pelo menos 12 semanas. Treinos mais longos, de até 36 semanas, trocando os aromas, tiveram resultados melhores[3][4].

Preciso usar exatamente rosa, eucalipto, limão e cravo?

Não. O importante é ter quatro aromas de famílias diferentes e concentrados. Trocar os aromas a cada 12 semanas ajudou[2][3].

Treino olfativo serve para perda de olfato da covid?

Sim, há ensaios clínicos e meta-análises com resultados favoráveis, inclusive em perdas com mais de 16 semanas[7][8].

O treino olfativo muda o cérebro?

Estudos de imagem mostram reorganização das conexões do córtex olfatório[10], aumento da espessura de áreas que processam aromas[11] e pequeno aumento do volume do bulbo olfatório[12].

O treino faz nascer neurônios novos?

No nariz, sim: o epitélio olfatório se renova ao longo da vida[13]. No bulbo olfatório de adultos, quase não há neurônios novos[14]; o que muda são as conexões.

Posso pingar óleo essencial no nariz para treinar?

Não. O óleo fica sempre no algodão, dentro do frasco. O óleo de cravo, por exemplo, irrita pele e mucosas[16].

Se meu olfato voltou sozinho depois da covid, preciso treinar?

Não necessariamente. A maioria das pessoas recupera em poucos meses[9]. O treino é indicado para quem continua com perda.

Quando procurar o otorrino?

Sempre, antes de começar o treino. Com urgência se a perda for súbita, de um lado só, após pancada na cabeça ou com sinais neurológicos[15].

Referências

  1. Hummel T, Rissom K, Reden J, Hähner A, Weidenbecher M, Hüttenbrink KB. Effects of olfactory training in patients with olfactory loss. Laryngoscope. 2009;119(3):496-9. doi:10.1002/lary.20101
  2. Damm M, Pikart LK, Reimann H, et al. Olfactory training is helpful in postinfectious olfactory loss: a randomized, controlled, multicenter study. Laryngoscope. 2014;124(4):826-31. doi:10.1002/lary.24340
  3. Altundag A, Cayonu M, Kayabasoglu G, et al. Modified olfactory training in patients with postinfectious olfactory loss. Laryngoscope. 2015;125(8):1763-6. doi:10.1002/lary.25245
  4. Sorokowska A, Drechsler E, Karwowski M, Hummel T. Effects of olfactory training: a meta-analysis. Rhinology. 2017;55(1):17-26. doi:10.4193/Rhin16.195
  5. Kattar N, Do TM, Unis GD, et al. Olfactory training for postviral olfactory dysfunction: systematic review and meta-analysis. Otolaryngol Head Neck Surg. 2021;164(2):244-254. doi:10.1177/0194599820943550
  6. Delgado-Lima AH, Bouhaben J, Delgado-Losada ML. The efficacy of olfactory training in improving olfactory function: a meta-analysis. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2024;281(10):5267-5284. doi:10.1007/s00405-024-08733-7
  7. Albazee E, Aldawas G, Alzeeby M, et al. Olfactory training for COVID-19-related olfactory dysfunction: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Turk Arch Otorhinolaryngol. 2026;64(2):94-104. doi:10.4274/tao.2026.2026-3-27
  8. Chen CH, Shih CF, Hummel T, Chao YT. Multidimensional benefits of olfactory training for chronic COVID-19-related olfactory dysfunction: a systematic review and meta-analysis. Rhinology. 2025;63(4):431-440. doi:10.4193/Rhin24.355
  9. Tan BKJ, Han R, Zhao JJ, et al. Prognosis and persistence of smell and taste dysfunction in patients with covid-19: meta-analysis with parametric cure modelling of recovery curves. BMJ. 2022;378:e069503. doi:10.1136/bmj-2021-069503
  10. Kollndorfer K, Kowalczyk K, Hoche E, et al. Recovery of olfactory function induces neuroplasticity effects in patients with smell loss. Neural Plast. 2014;2014:140419. doi:10.1155/2014/140419
  11. Al Aïn S, Poupon D, Hétu S, et al. Smell training improves olfactory function and alters brain structure. Neuroimage. 2019;189:45-54. doi:10.1016/j.neuroimage.2019.01.008
  12. Liu X, Jiang X, Li Y, Ge X, Wu D. Effects of olfactory training on olfactory bulb volume among patients with non-sinonasal-related olfactory dysfunction: a systematic review and meta-analysis. Am J Rhinol Allergy. 2026;40(5):453-463. doi:10.1177/19458924261442892
  13. Schwob JE. Neural regeneration and the peripheral olfactory system. Anat Rec. 2002;269(1):33-49. doi:10.1002/ar.10047
  14. Bergmann O, Liebl J, Bernard S, et al. The age of olfactory bulb neurons in humans. Neuron. 2012;74(4):634-9. doi:10.1016/j.neuron.2012.03.030
  15. Whitcroft KL, Altundag A, Balungwe P, et al. Position paper on olfactory dysfunction: 2023. Rhinology. 2023;61(33):1-108. doi:10.4193/Rhin22.483
  16. Tisserand R, Young R. Essential Oil Safety: A Guide for Health Care Professionals. 2. ed. Edimburgo: Churchill Livingstone/Elsevier; 2014.