Pimenta-preta e vontade de fumar: por dentro do estudo que reduziu a fissura - Camila Castellan

Em 1994, pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, deram a fumantes em abstinência um aparelho que liberava vapor de óleo essencial de pimenta-preta. Quem inalou a pimenta-preta sentiu menos fissura pelo cigarro do que quem usou aparelho com menta ou aparelho vazio, e também teve menos sintomas de ansiedade no corpo[1]. A explicação mais aceita é que parte do prazer de fumar vem da sensação do fumo na garganta e no peito, e a pimenta-preta imita essa sensação[2][7]. O beta-cariofileno, um dos componentes do óleo, se liga ao receptor CB2 do sistema endocanabinoide, e estudos em células e em animais sugerem efeitos sobre a busca por nicotina, mas mais estudos são necessários em pessoas[11][12]. A pimenta-preta pode ser um apoio complementar, mas não substitui o tratamento para parar de fumar, que o SUS oferece de graça[15].

Camila Castellan

Por Camila CastellanBiomédica, neurocientista e aromaterapeuta clínica · Publicado em 12 de outubro de 2026

Resumo rápido

Resumo rápido

O estudo48 fumantes sem fumar desde a noite anterior inalaram vapor de pimenta-preta, de menta ou nada.
O resultadoCom a pimenta-preta, a fissura caiu mais do que nos outros dois grupos.
Por quêO vapor imita a sensação do fumo na garganta e no peito.
Beta-cariofilenoAge no receptor CB2: resultados em células e animais, ainda não em pessoas.
O que não significaNão é tratamento para parar de fumar nem substitui o acompanhamento.
Onde buscar ajudaO SUS oferece tratamento gratuito com acompanhamento e medicamentos.

Neste artigo, da série Por dentro do estudo, você vai entender a pergunta que os cientistas fizeram, como o estudo com pimenta-preta foi feito, o que ele encontrou, o que isso muda no corpo e no cérebro, o que o óleo tem na sua composição, como usar com segurança e o que esse estudo não prova.

A pergunta dos cientistas

Você aprendeu que o cigarro vicia por causa da nicotina. Na ciência, a história é um pouco maior. Quem já fumou conhece aquele “soco” na garganta e o peso no peito na primeira tragada. Para muitos fumantes, essa sensação faz parte do prazer, tanto quanto a nicotina.

No começo dos anos 1990, o grupo do pesquisador Jed Rose, no laboratório de nicotina da Universidade Duke, estava testando exatamente isso. Em um dos experimentos, 12 fumantes receberam três tipos de fumaça: cigarro com bastante nicotina, fumaça diluída e um vapor com pouca nicotina, mas com sensação forte na garganta. Os participantes ajustaram a forma de tragar para manter a mesma intensidade de sensação, e não a mesma quantidade de nicotina, e o vapor de sensação forte reduziu a fissura quase tanto quanto o cigarro forte[2].

Outros estudos do mesmo grupo foram na mesma direção. Um vapor feito com componentes da fumaça, mas com só uma fração da nicotina, reduziu a vontade de fumar tanto quanto um cigarro comum[3]. E, quando os pesquisadores bloquearam os receptores de nicotina dos nervos das vias aéreas com um medicamento, a diferença de satisfação entre cigarros fortes e fracos desapareceu[6].

Daí veio a pergunta: se a sensação nas vias aéreas acalma a fissura, dá para criar essa sensação sem cigarro e sem fumaça? E será que um aroma de especiaria, que “arde” de leve no nariz e na garganta, faria esse papel? A pimenta-preta foi a candidata escolhida.

Como o estudo foi feito

O estudo foi publicado em 1994 na revista Drug and Alcohol Dependence, por Jed Rose e Frédérique Behm[1]. O desenho foi simples e bem pensado:

O detalhe mais inteligente está no grupo da menta. Ele serviu para responder: será que qualquer aroma forte ajuda? Ou existe algo especial na pimenta-preta?

Um ponto importante: o aparelho era um dispositivo de pesquisa, feito para o estudo. Não era cigarro eletrônico, não aquecia óleo e não tinha nicotina.

O que encontraram

Os resultados foram claros para uma sessão de laboratório[1]:

Ou seja, não foi “qualquer aroma”. A menta, mesmo sendo forte, não teve o mesmo efeito sobre a fissura.

Veja como esse estudo conversa com os outros da mesma linha de pesquisa:

Sensação nas vias aéreas e vontade de fumar: os estudos

EstudoQuem participouO que aconteceu
Vapor de pimenta-preta[1]48 fumantes em abstinênciaMenos fissura do que menta e placebo; menos ansiedade no corpo do que placebo
Vapor com sensação forte[2]12 fumantesOs fumantes regularam a tragada pela sensação, não pela nicotina
Inalador de ácido cítrico[8]74 fumantesMenos fissura e menos humor negativo durante a tentativa de parar
Ácido cítrico + adesivo[4]100 fumantesMais abstinência em 10 semanas (19,5% contra 6,8%), mas sem diferença em 6 meses
Cigarro sem nicotina[5]6 fumantesMuitos efeitos positivos do cigarro comum apareceram mesmo sem nicotina

O estudo com ácido cítrico é o mais próximo de um tratamento real: ele foi usado junto com o adesivo de nicotina por semanas, e ajudou no curto prazo. Mas, depois de 6 meses, a vantagem sumiu[4]. Isso mostra que a sensação ajuda a atravessar a fissura, mas sozinha não sustenta a decisão de parar.

Também é preciso dizer o que o estudo da pimenta-preta não mediu: ninguém foi acompanhado tentando parar de fumar. Foi uma única sessão de 3 horas. Não encontramos ensaios clínicos que tenham testado o óleo de pimenta-preta como parte de um tratamento completo para parar de fumar.

De onde vem e o que tem o óleo de pimenta-preta

O óleo essencial de pimenta-preta é destilado dos grãos de Piper nigrum, a mesma pimenta-do-reino da cozinha. A composição varia bastante com a origem, a maturação e o tempo de armazenamento dos grãos. Num estudo que comparou pimenta-preta, verde e branca, o beta-cariofileno variou de 1,4% a 70,4%, o limoneno de 2,9% a 38,4% e o beta-pineno de 0,7% a 25,6%[14].

Num óleo destilado de grãos da Tailândia, analisado em 2023, os principais componentes foram o sabineno (24,4%), o limoneno (23,8%), o beta-cariofileno (18,5%) e o alfa-pineno (10,6%)[13]. A figura abaixo é o “retrato químico” desse óleo:

Cromatograma do óleo essencial de pimenta-preta mostrando os picos de alfa-pineno, sabineno, limoneno e beta-cariofileno
O “retrato químico” do óleo de pimenta-preta: cada pico é um componente. Fonte: Weluwanarak T, et al. Plants (Basel). 2023;12(5):1043, CC BY 4.0.

Em linguagem simples:

Como os monoterpenos oxidam com o tempo, o óleo de pimenta-preta precisa ser guardado bem fechado, longe da luz e do calor[16]. Para entender por que isso importa, veja óleo essencial vence?.

O que isso muda no corpo e no cérebro

Há duas explicações possíveis para o efeito da pimenta-preta, e elas têm níveis de evidência bem diferentes.

1. A sensação nas vias aéreas (a mais provável). A garganta, a traqueia e os brônquios têm terminações nervosas que respondem à fumaça. Quando o fumante traga, essas terminações mandam ao cérebro um sinal de “o cigarro chegou”, antes mesmo de a nicotina agir. Com o tempo, esse sinal vira um gatilho de alívio[7]. A pimenta-preta provoca uma sensação parecida no peito[1], e o cérebro reconhece parte desse sinal. Uma revisão do próprio Jed Rose resume: os componentes do cigarro que não são nicotina, como as sensações, dão muitos dos efeitos de recompensa do fumo, e substitutos dessas sensações podem aliviar a fissura[7].

O aroma de pimenta-preta também chega a áreas do cérebro ligadas ao corpo e ao apetite. Num estudo com 105 idosos que tiveram AVC, inalar óleo de pimenta-preta por 1 minuto melhorou o reflexo de engolir, e os exames mostraram mais fluxo de sangue na ínsula e no córtex orbitofrontal[9]. A ínsula é justamente uma região que integra as sensações do corpo com a vontade e o desejo. Para entender o caminho do aroma até o cérebro, veja como a aromaterapia age no cérebro.

2. O beta-cariofileno e o receptor CB2 (ainda em laboratório). Em 2008, pesquisadores suíços mostraram que o beta-cariofileno se liga ao receptor CB2, um dos receptores do sistema endocanabinoide, e o ativa. Ele não age no receptor CB1, responsável pelos efeitos psicoativos da maconha. Em camundongos, o beta-cariofileno por via oral reduziu uma inflamação, mas não nos animais sem o receptor CB2[11].

Em 2020, um grupo americano testou o beta-cariofileno em ratos e camundongos que recebiam nicotina. A substância reduziu o consumo de nicotina e a busca pela droga nesses animais[12]. Esses estudos sugerem um caminho interessante, e precisam ser aprofundados. Mas atenção: nos animais, o beta-cariofileno foi dado puro, por injeção ou por via oral, em doses calculadas. Isso é muito diferente de inalar algumas tragadas de vapor de pimenta-preta. Não sabemos se a inalação leva beta-cariofileno suficiente ao cérebro para ter esse efeito em pessoas.

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O que isso significa na prática (e o que não significa)

O que o estudo sustenta: a inalação de pimenta-preta pode ajudar a atravessar um momento de fissura, junto com outras estratégias[1].

O que o estudo não sustenta:

O tratamento para parar de fumar existe e é gratuito. O SUS oferece tratamento do tabagismo com avaliação clínica, abordagem cognitivo-comportamental individual ou em grupo e, quando indicado, adesivo e goma de nicotina e bupropiona[15]. Para saber onde, procure a unidade básica de saúde ou a secretaria de saúde do seu município. A aromaterapia entra como tratamento complementar, não substitui o tratamento médico e não faz diagnóstico médico. Se você já usa algum medicamento, ele só se reduz ou se suspende junto com o médico.

Para quem decidiu parar e quer usar a pimenta-preta como apoio, este é um jeito simples para adultos:

  1. Monte um inalador pessoal com 2 a 3 gotas no pavio, ou use 1 gota num algodão guardado num potinho fechado.
  2. Na fissura, aproxime do nariz e inale devagar, duas ou três vezes. O aroma é para ser sentido no nariz e na garganta, sem ardência forte.
  3. Solte o ar mais devagar do que puxou. A expiração longa ajuda o corpo a sair do modo de alerta.
  4. Troque o ritual: beba água, mude de lugar, mexa as mãos. A fissura costuma passar em alguns minutos.
  5. Anote quando a fissura veio e o que ajudou. Isso ajuda o seu acompanhamento no SUS ou com o seu médico.
Infográfico: como usar a pimenta-preta na fissura do cigarro, passo a passo
Pimenta-preta na fissura do cigarro: um apoio, passo a passo.

Veja como montar o seu em inalador pessoal de aromaterapia. E, se a vontade de fumar vem junto com estresse, vale ler também óleo essencial para estresse.

Cuidados

Pimenta-preta: cuidados

SituaçãoO que fazer
Cigarro eletrônico ou vaporizadorNunca coloque óleo essencial: o estudo usou um aparelho de pesquisa, sem aquecimento
PeleNunca puro: diluir em óleo vegetal, de 1% a 2% para adultos[16]
Óleo velho ou oxidadoPode irritar e sensibilizar a pele: descarte se o aroma mudou[16]
CriançasSem inalação direta perto do rosto; em crianças pequenas houve tosse[10]
Gestação e amamentaçãoSó com orientação de aromaterapeuta com formação clínica
Asma, bronquite e tosseO aroma pode irritar vias aéreas sensíveis: comece com muito pouco
Gatos e cães em casaEvite difusor no ambiente do animal

Também vale lembrar: o óleo de pimenta-preta não é para ingerir. A via oral é a via mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria. Criança nunca ingere óleo, e recém-nascido não usa óleo. Veja óleo essencial pode ser ingerido?, como diluir óleo essencial e óleo essencial faz mal para gatos e cachorros?.

Quando procurar ajuda logo: parar de fumar pode trazer irritação, insônia, ansiedade e tristeza nas primeiras semanas. Se a tristeza for profunda, se durar muitos dias ou se vier com ideias de morte, procure o médico ou um serviço de saúde. O CVV atende pelo telefone 188, 24 horas. Falta de ar intensa, dor no peito ou chiado forte pedem atendimento de emergência.

Mitos e verdades

Na aromaterapia clínica

Quando uma pessoa me procura porque quer parar de fumar, a primeira coisa que pergunto é se ela já está em acompanhamento. Se não está, eu explico que o SUS oferece o tratamento e incentivo a procurar. A aromaterapia entra junto, e não no lugar.

Depois, investigo como é a vontade de fumar dela. Para algumas pessoas, o mais difícil é a falta do gesto e da tragada. Para outras, é a ansiedade, o tédio ou o café da manhã sem cigarro. A pimenta-preta faz mais sentido para quem sente falta da sensação na garganta e no peito, porque é isso que o estudo testou. Para quem fuma por ansiedade, costumo pensar também em aromas mais calmantes, como os que aparecem em óleo essencial para ansiedade.

Também pergunto sobre asma, bronquite, gestação, crianças e animais em casa, e sobre os medicamentos em uso. No retorno, quero saber quantas vezes a pessoa usou o inalador, em que momentos, se a fissura ficou mais curta e se o aroma incomodou. Se a pimenta-preta não ajudou, trocamos. Se ajudou, mantemos e pensamos no resto do plano: sono, estresse e a rotina sem cigarro. Em mais de 10 anos de atendimento clínico, aprendi que o aroma funciona melhor quando tem um papel claro e combinado.

Se você quer um plano de aromaterapia para apoiar a sua decisão de parar de fumar, o atendimento é online, com Camila Castellan e/ou aromaterapeutas da equipe.

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Perguntas frequentes

Óleo de pimenta-preta ajuda a parar de fumar?

Num estudo de 1994, o vapor de pimenta-preta reduziu a fissura de fumantes em abstinência numa sessão de 3 horas[1]. Ele pode ser um apoio, mas não substitui o tratamento para parar de fumar.

Como a pimenta-preta reduz a vontade de fumar?

A explicação mais aceita é que o vapor imita a sensação do fumo na garganta e no peito, que faz parte do prazer de fumar[1][7].

Por que a menta não teve o mesmo efeito?

No estudo, a menta foi usada justamente para comparar, e a fissura caiu mais com a pimenta-preta[1]. A sensação no peito foi mais intensa com a pimenta.

O que é o beta-cariofileno?

É um componente da pimenta-preta que ativa o receptor CB2 do sistema endocanabinoide, sem efeito psicoativo[11]. Os estudos com nicotina foram em animais[12].

Como usar a pimenta-preta na fissura?

Adultos: 2 a 3 gotas num inalador pessoal, duas ou três inalações lentas e expiração longa, junto com outras estratégias para atravessar a fissura.

Posso colocar óleo essencial no cigarro eletrônico?

Não. O estudo usou um aparelho de pesquisa, sem aquecimento. Óleo essencial não deve ser aquecido e tragado para o pulmão.

O SUS tem tratamento para parar de fumar?

Sim. O SUS oferece avaliação, abordagem cognitivo-comportamental e, quando indicado, adesivo, goma de nicotina e bupropiona[15]. Procure a unidade básica de saúde.

Posso usar pimenta-preta junto com o adesivo de nicotina?

A inalação pode ser usada como apoio, mas converse com o seu médico. Em outro estudo, uma sensação nas vias aéreas somada ao adesivo ajudou no curto prazo[4].

Gestante pode usar óleo de pimenta-preta?

Só com orientação de uma aromaterapeuta com formação clínica. E, para gestantes que fumam, o acompanhamento médico é prioridade.

Pode passar óleo de pimenta-preta na pele?

Só diluído em óleo vegetal, de 1% a 2% para adultos, e nunca com óleo velho ou oxidado, que pode sensibilizar a pele[16].

Referências

  1. Rose JE, Behm FM. Inhalation of vapor from black pepper extract reduces smoking withdrawal symptoms. Drug Alcohol Depend. 1994;34(3):225-9. doi:10.1016/0376-8716(94)90160-0
  2. Rose JE, Behm FM, Levin ED. Role of nicotine dose and sensory cues in the regulation of smoke intake. Pharmacol Biochem Behav. 1993;44(4):891-900. doi:10.1016/0091-3057(93)90021-k
  3. Behm FM, Levin ED, Lee YK, Rose JE. Low-nicotine regenerated smoke aerosol reduces desire for cigarettes. J Subst Abuse. 1990;2(2):237-47. doi:10.1016/s0899-3289(05)80058-6
  4. Westman EC, Behm FM, Rose JE. Airway sensory replacement combined with nicotine replacement for smoking cessation. A randomized, placebo-controlled trial using a citric acid inhaler. Chest. 1995;107(5):1358-64. doi:10.1378/chest.107.5.1358
  5. Westman EC, Behm FM, Rose JE. Dissociating the nicotine and airway sensory effects of smoking. Pharmacol Biochem Behav. 1996;53(2):309-15. doi:10.1016/0091-3057(95)02027-6
  6. Rose JE, Westman EC, Behm FM, Johnson MP, Goldberg JS. Blockade of smoking satisfaction using the peripheral nicotinic antagonist trimethaphan. Pharmacol Biochem Behav. 1999;62(1):165-72. doi:10.1016/s0091-3057(98)00153-1
  7. Rose JE. Nicotine and nonnicotine factors in cigarette addiction. Psychopharmacology (Berl). 2006;184(3-4):274-85. doi:10.1007/s00213-005-0250-x
  8. Behm FM, Schur C, Levin ED, Tashkin DP, Rose JE. Clinical evaluation of a citric acid inhaler for smoking cessation. Drug Alcohol Depend. 1993;31(2):131-8. doi:10.1016/0376-8716(93)90065-x
  9. Ebihara T, Ebihara S, Maruyama M, et al. A randomized trial of olfactory stimulation using black pepper oil in older people with swallowing dysfunction. J Am Geriatr Soc. 2006;54(9):1401-6. doi:10.1111/j.1532-5415.2006.00840.x
  10. Munakata M, Kobayashi K, Niisato-Nezu J, et al. Olfactory stimulation using black pepper oil facilitates oral feeding in pediatric patients receiving long-term enteral nutrition. Tohoku J Exp Med. 2008;214(4):327-32. doi:10.1620/tjem.214.327
  11. Gertsch J, Leonti M, Raduner S, et al. Beta-caryophyllene is a dietary cannabinoid. Proc Natl Acad Sci U S A. 2008;105(26):9099-104. doi:10.1073/pnas.0803601105
  12. He Y, Galaj E, Bi GH, et al. β-Caryophyllene, a dietary terpenoid, inhibits nicotine taking and nicotine seeking in rodents. Br J Pharmacol. 2020;177(9):2058-72. doi:10.1111/bph.14969
  13. Weluwanarak T, Changbunjong T, Leesombun A, Boonmasawai S, Sungpradit S. Effects of Piper nigrum L. fruit essential oil toxicity against stable fly (Diptera: Muscidae). Plants (Basel). 2023;12(5):1043. doi:10.3390/plants12051043
  14. Orav A, Stulova I, Kailas T, Müürisepp M. Effect of storage on the essential oil composition of Piper nigrum L. fruits of different ripening states. J Agric Food Chem. 2004;52(9):2582-6. doi:10.1021/jf030635s
  15. Instituto Nacional de Câncer (INCA), Ministério da Saúde. Tratamento do tabagismo. gov.br/inca
  16. Tisserand R, Young R. Essential Oil Safety: A Guide for Health Care Professionals. 2. ed. Edimburgo: Churchill Livingstone/Elsevier; 2014.