O odor do Parkinson: a super olfatora, o sebo da pele e o olfato como sinal precoce - Camila Castellan

Sim, o Parkinson parece ter um odor próprio, e a pista veio de uma enfermeira escocesa com olfato muito acima da média. Ao analisar o sebo da pele das costas, cientistas da Universidade de Manchester encontraram um conjunto de compostos voláteis diferente em pessoas com Parkinson[1], resultado repetido em estudos seguintes com espectrometria de massa e coleta por swab[2][3][5]. Ao mesmo tempo, o olfato de quem vai ter Parkinson costuma piorar anos antes dos tremores: no estudo de Honolulu, homens com pior olfato tiveram mais chance de receber o diagnóstico nos quatro anos seguintes[9]. Nada disso é um exame disponível hoje, e perder o olfato não significa ter Parkinson. Quem nota perda de olfato junto com outros sinais deve procurar um neurologista.

Camila Castellan

Por Camila CastellanBiomédica, neurocientista e aromaterapeuta clínica · Publicado em 13 de outubro de 2026

Resumo rápido

Resumo rápido

A pistaUma enfermeira escocesa percebia um odor diferente em pessoas com Parkinson.
O estudoEm 2019, o sebo da pele revelou compostos voláteis próprios da doença.
Os seguintesNovos estudos repetiram o achado e testaram coleta rápida por swab.
Sinal precoceO olfato pode piorar anos antes dos sintomas motores.
O que não éAinda não existe teste de odor para diagnosticar Parkinson.
Na práticaPerder o olfato tem muitas causas; quem decide é o neurologista.

Este é um artigo da série Por dentro do estudo. Você vai ver como uma observação curiosa virou pesquisa de laboratório, o que os cientistas encontraram no sebo da pele, o gráfico de um estudo de 2025 e por que o olfato é considerado um dos sinais mais precoces do Parkinson.

Se você chegou aqui porque perdeu o olfato, calma: a maioria das perdas tem outras causas. O lado prático, com segurança em casa e cuidados com o humor, está em perda de olfato e saúde mental.

A pergunta dos cientistas

Você provavelmente aprendeu que o Parkinson é uma doença do movimento: tremor, rigidez, lentidão. Na ciência, ele é muito mais do que isso. Muito antes dos tremores, a doença já mexe no intestino, no sono, no humor e no olfato[5][13].

A história que mudou essa linha de pesquisa começou com uma enfermeira escocesa. O marido dela recebeu o diagnóstico de Parkinson em 1986, e ela percebeu que o odor do corpo dele tinha mudado. Ela tem hiperosmia, um olfato muito mais sensível do que a média, e por isso ficou conhecida entre os pesquisadores como “super olfatora”. Testes iniciais com camisetas e gazes mostraram que o odor diferente estava nas áreas da pele que produzem mais sebo, como a parte de cima das costas e a testa, e não nas axilas[1].

O sebo é uma substância oleosa produzida pelas glândulas sebáceas da pele. E aqui entra um detalhe importante: produzir sebo em excesso, a seborreia, já era conhecido como um sintoma não motor do Parkinson[1].

A pergunta dos cientistas: existem moléculas no sebo que explicam esse odor? E dá para medi-las com uma máquina, sem depender de um nariz excepcional?

Como o estudo foi feito

O estudo que respondeu a essa pergunta foi publicado em 2019 na revista ACS Central Science, pela equipe da professora Perdita Barran, da Universidade de Manchester, no Reino Unido[1].

O desenho teve duas fases: um grupo de “descoberta”, com 30 amostras, e um grupo de “validação”, com 31 amostras, para conferir se o que apareceu no primeiro grupo se repetia no segundo[1].

O que encontraram

O resultado principal: as pessoas com Parkinson tinham uma “assinatura” de compostos voláteis no sebo diferente das pessoas sem a doença, e essa assinatura se manteve no grupo de validação[1]. Entre os compostos alterados estavam o aldeído perílico e o eicosano. Quando a super olfatora inalou essas substâncias, descreveu o odor como muito parecido com o do Parkinson[1].

Foi o começo. Nos anos seguintes, a mesma linha de pesquisa avançou em várias frentes:

Do odor ao laboratório: o que cada estudo encontrou

EstudoQuem participouO que encontrou
Trivedi e colegas, 2019[1]64 pessoas (43 com Parkinson)Assinatura própria de voláteis no sebo, confirmada num segundo grupo
Sinclair e colegas, 2021[2]100 pessoas com Parkinson e 29 semOs voláteis medidos direto do swab classificaram corretamente 84,4% dos casos
Sinclair e colegas, 2021[3]274 amostrasGorduras do sebo alteradas no Parkinson, com ou sem remédio
Sarkar e colegas, 2022[4]150 pessoasAnálise de cerca de 3 minutos por swab separou classes de gorduras ligadas ao Parkinson
Walton-Doyle e colegas, 2025[5]46 com Parkinson, 28 sem e 9 com distúrbio do sono REMQuem tem o distúrbio do sono ficou no meio do caminho entre os dois grupos
Rooney e colegas, 2025[7]2 cães treinados, 100 amostrasSensibilidade de 70% e 80% e especificidade de 90% e 98% num teste duplo-cego

A coleta virou um swab. Em 2021, a equipe mediu os voláteis direto do swab de pele e chegou a 84,4% de classificação correta. Os compostos parecem ser uma família de moléculas parecidas, talvez restos da quebra de gorduras[2].

Não são só moléculas voláteis. As gorduras do sebo também mudam no Parkinson, com ou sem remédio[3], e já existe uma análise de cerca de 3 minutos por swab em teste[4]. O sebo no swab aguenta bem o transporte, o que abre a possibilidade de coleta em casa no futuro[15].

O odor pode aparecer antes. O estudo de 2025 é o que mais chama atenção. A equipe incluiu pessoas com distúrbio comportamental do sono REM isolado, quando a pessoa “encena” os sonhos, se mexe, fala ou se debate dormindo. Esse distúrbio é um dos sinais de maior risco para o Parkinson no futuro[5][13].

No gráfico abaixo, cada ponto é uma pessoa. À esquerda, o conjunto de compostos do sebo separa três grupos: sem Parkinson (azul), com distúrbio do sono REM (laranja) e com Parkinson (rosa). À direita, alguns compostos mostram o grupo do distúrbio do sono numa posição intermediária. Dos 76 compostos que mais pesaram na separação, 55 seguiram esse padrão “no meio do caminho”[5]. A super olfatora também analisou as amostras e classificou três delas como Parkinson; duas dessas pessoas mostraram sinais da doença nas consultas seguintes[5]. É um grupo pequeno, e o resultado precisa ser confirmado em mais pessoas.

Gráfico do estudo de Walton-Doyle e colegas (2025): os compostos do sebo separam pessoas sem Parkinson, com distúrbio do sono REM e com Parkinson
Os compostos voláteis do sebo separaram três grupos, e o distúrbio do sono REM ficou no meio do caminho. Fonte: Walton-Doyle et al., NPJ Parkinsons Dis, 2025 (CC BY 4.0).

Outras pessoas também percebem? Num estudo alemão de 2024, 26 mulheres jovens avaliaram camisetas usadas por 19 pessoas com Parkinson e 15 sem a doença. O odor das camisetas de Parkinson foi descrito como mais “mofado”, forte e desagradável. Mas uma mistura artificial com os quatro compostos do estudo de 2019 não conseguiu imitar esse odor: cerca de 80% das participantes perceberam a diferença[6]. Ou seja, o odor real é mais complexo do que quatro moléculas.

O que isso muda no corpo e no cérebro

Por que a pele teria um odor diferente? Uma explicação é que o Parkinson não fica só no cérebro. A proteína alfa-sinucleína, que se acumula de forma anormal na doença, já foi encontrada também na pele de pessoas com Parkinson, e o sistema nervoso que controla as glândulas da pele também é afetado[1]. O excesso de sebo e as mudanças nas gorduras da pele podem ser, então, um reflexo de algo que está acontecendo no corpo todo[1][3].

E o olfato de quem tem Parkinson? Aqui está o lado mais conhecido da história. Num estudo com 400 pessoas com Parkinson da Austrália, da Alemanha e da Holanda, só 3,3% tinham olfato normal; comparando com pessoas da mesma idade, 74,5% tinham perda de olfato importante[11].

A explicação vem de um estudo clássico de 2003. O neuroanatomista Heiko Braak e colegas analisaram o cérebro de pessoas com e sem sintomas e propuseram que as alterações do Parkinson começam em dois pontos: no tronco cerebral, ligado ao nervo vago, e no núcleo olfatório anterior, uma das primeiras estações do olfato. Só depois a doença avança para as áreas que controlam o movimento[12]. Isso ajuda a entender por que o olfato pode piorar tão cedo.

Para entender como os aromas viajam do nariz até as áreas da emoção e da memória, veja memória olfativa e como a aromaterapia age no cérebro.

Infográfico: como o Parkinson atinge o olfato e a pele antes dos sintomas motores
Olfato, pele e Parkinson: os sinais que podem vir antes dos tremores.

O olfato como sinal precoce

Se o olfato é atingido tão cedo, ele poderia avisar antes? Dois estudos marcaram essa resposta.

O estudo de Honolulu. Entre 1991 e 1996, pesquisadores testaram o olfato de 2.267 homens de 71 a 95 anos do Honolulu-Asia Aging Study, todos sem Parkinson e sem demência. Eles foram acompanhados por até oito anos, e 35 receberam o diagnóstico de Parkinson. Nos primeiros quatro anos, quem estava no grupo com pior olfato teve 5,2 vezes mais chance de ter Parkinson do que os grupos com melhor olfato. Depois de quatro anos, a relação deixou de aparecer[9]. Os autores concluíram que a perda de olfato pode vir pelo menos quatro anos antes do diagnóstico.

O estudo com familiares. Na Holanda, 361 parentes de pessoas com Parkinson fizeram testes de olfato. Depois de dois anos, 10% dos que tinham perda de olfato sem outra explicação desenvolveram Parkinson, contra nenhum dos demais. Os exames de imagem mostraram que essas pessoas já tinham menos atividade de dopamina no início do estudo[10].

Hoje, a perda de olfato faz parte dos critérios de pesquisa da Sociedade Internacional de Parkinson e Distúrbios do Movimento para identificar a fase “prodrômica”, aquela que vem antes dos sintomas motores, junto com outros sinais como o distúrbio do sono REM e a prisão de ventre. Na atualização de 2019, o peso da perda de olfato nesse cálculo aumentou[13].

Para quem quer comparar com outra doença do cérebro em que o olfato também dá sinais cedo, leia olfato e Alzheimer.

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O que isso significa na prática, e o que não significa

O que significa:

O que não significa:

Cuidados e quando procurar o neurologista

Procure um neurologista se a perda de olfato vier junto com um ou mais destes sinais:

Se a perda de olfato foi súbita, de um lado só, depois de uma pancada na cabeça ou de uma infecção, o primeiro passo costuma ser o otorrinolaringologista. Em qualquer caso, não tire conclusões sozinho: a avaliação médica é que separa as causas.

Para quem já tem Parkinson: os remédios só se reduzem ou se suspendem junto com o médico. E nada de ingerir óleo essencial por conta própria: a via oral é a via mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria. Cuidados específicos para pessoas mais velhas estão em aromaterapia para idosos.

Se aparecerem tristeza persistente ou pensamentos de morte, procure ajuda: CVV, no 188, ligação gratuita, 24 horas.

Mitos e verdades

Na aromaterapia clínica

Como neurocientista, essa é uma das histórias que mais gosto de contar. Na prática da aromaterapia, ela me lembra duas coisas. A primeira: o olfato diz muito sobre a saúde. Por isso, na anamnese, eu pergunto se a pessoa percebe bem os aromas, se algo mudou nos últimos anos, se a comida perdeu o gosto. Quando a resposta preocupa, e principalmente quando vem junto com outros sinais, o caminho é encaminhar ao médico. A aromaterapia é tratamento complementar, não substitui o tratamento médico e não faz diagnóstico médico.

A segunda: o olfato pode ser estimulado. O estudo de treino olfativo usou aromas de rosa, eucalipto, limão e cravo, inalados duas vezes ao dia, e as pessoas com Parkinson que treinaram tiveram melhora no olfato, ao contrário das que não treinaram[16]. Foi um estudo sem grupo cego, e mais pesquisas são necessárias, mas é uma porta interessante. Para quem já tem Parkinson, a aromaterapia também pode entrar como tratamento complementar no cuidado com o sono, a ansiedade e o bem-estar, sempre com doses seguras e junto com a equipe médica.

Se você quer um plano de aromaterapia para estimular o olfato ou cuidar do bem-estar de quem convive com o Parkinson, o atendimento é online, com Camila Castellan e/ou aromaterapeutas da equipe.

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Perguntas frequentes

O Parkinson tem cheiro?

Os estudos indicam que sim. O sebo da pele de pessoas com Parkinson tem um conjunto diferente de compostos voláteis[1][2], e o odor de camisetas foi descrito como mais mofado e forte[6].

Quem descobriu o odor do Parkinson?

Uma enfermeira escocesa com olfato muito sensível, cujo marido teve Parkinson. A observação dela levou ao estudo da Universidade de Manchester publicado em 2019[1].

Que compostos foram encontrados no sebo?

O estudo de 2019 destacou alterações em compostos como o aldeído perílico e o eicosano[1]. Estudos seguintes mostraram também mudanças nas gorduras do sebo[3][4].

Já existe exame de swab para Parkinson?

Não para uso clínico. Os testes com swab de pele ainda estão em pesquisa e precisam ser confirmados em grupos maiores[2][8].

Perder o olfato é sinal de Parkinson?

Pode ser um dos sinais precoces, mas a perda de olfato é comum e tem muitas causas, como envelhecimento, fumo e infecções[14]. Só o médico pode avaliar.

Quanto tempo antes o olfato muda?

No estudo de Honolulu, a pior pontuação de olfato se associou ao diagnóstico de Parkinson nos quatro anos seguintes[9].

Quantas pessoas com Parkinson têm perda de olfato?

A grande maioria. Num estudo com 400 pacientes, só 3,3% tinham olfato normal[11].

Por que o olfato é atingido tão cedo?

Porque as alterações do Parkinson parecem começar no núcleo olfatório anterior e no tronco cerebral, antes das áreas do movimento[12].

Cães conseguem farejar o Parkinson?

Em pesquisa, sim: dois cães treinados acertaram boa parte das amostras num teste duplo-cego, mas também erraram algumas[7].

Treino olfativo ajuda quem tem Parkinson?

Um estudo mostrou melhora do olfato com quatro aromas inalados duas vezes ao dia por 12 semanas[16]. É complementar e não muda o tratamento médico.

Referências

  1. Trivedi DK, Sinclair E, Xu Y, Sarkar D, Walton-Doyle C, Liscio C, et al. Discovery of volatile biomarkers of Parkinson’s disease from sebum. ACS Cent Sci. 2019;5(4):599-606. doi:10.1021/acscentsci.8b00879
  2. Sinclair E, Walton-Doyle C, Sarkar D, Hollywood KA, Milne J, Lim SH, et al. Validating differential volatilome profiles in Parkinson’s disease. ACS Cent Sci. 2021;7(2):300-306. doi:10.1021/acscentsci.0c01028
  3. Sinclair E, Trivedi DK, Sarkar D, Walton-Doyle C, Milne J, Kunath T, et al. Metabolomics of sebum reveals lipid dysregulation in Parkinson’s disease. Nat Commun. 2021;12(1):1592. doi:10.1038/s41467-021-21669-4
  4. Sarkar D, Sinclair E, Lim SH, Walton-Doyle C, Jafri K, Milne J, et al. Paper spray ionization ion mobility mass spectrometry of sebum classifies biomarker classes for the diagnosis of Parkinson’s disease. JACS Au. 2022;2(9):2013-2022. doi:10.1021/jacsau.2c00300
  5. Walton-Doyle C, Heim B, Sinclair E, Lim SH, Hollywood KA, Milne J, et al. Classification of Parkinson’s disease and isolated REM sleep behaviour disorder: delineating progression markers from the sebum volatilome. NPJ Parkinsons Dis. 2025;11(1):202. doi:10.1038/s41531-025-01026-8
  6. Drnovsek E, Parichenko A, Power Guerra N, Pabst J, Wunderlich K, Falkenburger B, et al. Human perception of Parkinson’s disease body odor in comparison to the volatile organic compounds of Parkinson’s disease. Parkinsonism Relat Disord. 2024;127:107091. doi:10.1016/j.parkreldis.2024.107091
  7. Rooney N, Trivedi DK, Sinclair E, Walton-Doyle C, Silverdale M, Barran P, et al. Trained dogs can detect the odor of Parkinson’s disease. J Parkinsons Dis. 2025;15(6):1111-1115. doi:10.1177/1877718X251342485
  8. Habibzadeh A, Ostovan VR, Keshavarzian O, Kardeh S, Mahmoudi SS, Zakeri MR, et al. Volatile organic compounds analysis as promising biomarkers for Parkinson’s disease diagnosis: a systematic review and meta-analysis. Clin Neurol Neurosurg. 2023;235:108022. doi:10.1016/j.clineuro.2023.108022
  9. Ross GW, Petrovitch H, Abbott RD, Tanner CM, Popper J, Masaki K, et al. Association of olfactory dysfunction with risk for future Parkinson’s disease. Ann Neurol. 2008;63(2):167-73. doi:10.1002/ana.21291
  10. Ponsen MM, Stoffers D, Booij J, van Eck-Smit BL, Wolters EC, Berendse HW. Idiopathic hyposmia as a preclinical sign of Parkinson’s disease. Ann Neurol. 2004;56(2):173-81. doi:10.1002/ana.20160
  11. Haehner A, Boesveldt S, Berendse HW, Mackay-Sim A, Fleischmann J, Silburn PA, et al. Prevalence of smell loss in Parkinson’s disease: a multicenter study. Parkinsonism Relat Disord. 2009;15(7):490-4. doi:10.1016/j.parkreldis.2008.12.005
  12. Braak H, Del Tredici K, Rüb U, de Vos RA, Jansen Steur EN, Braak E. Staging of brain pathology related to sporadic Parkinson’s disease. Neurobiol Aging. 2003;24(2):197-211. doi:10.1016/s0197-4580(02)00065-9
  13. Heinzel S, Berg D, Gasser T, Chen H, Yao C, Postuma RB, et al. Update of the MDS research criteria for prodromal Parkinson’s disease. Mov Disord. 2019;34(10):1464-1470. doi:10.1002/mds.27802
  14. Murphy C, Schubert CR, Cruickshanks KJ, Klein BE, Klein R, Nondahl DM. Prevalence of olfactory impairment in older adults. JAMA. 2002;288(18):2307-12. doi:10.1001/jama.288.18.2307
  15. Walton-Doyle C, Sinclair E, Begum H, Hollywood KA, Trivedi DK, Barran P. How storage post sampling influences the stability of sebum when used for mass spectrometry metabolomics analysis? Sci Rep. 2024;14(1):21707. doi:10.1038/s41598-024-71598-7
  16. Haehner A, Tosch C, Wolz M, Klingelhoefer L, Fauser M, Storch A, et al. Olfactory training in patients with Parkinson’s disease. PLoS One. 2013;8(4):e61680. doi:10.1371/journal.pone.0061680