Olfato e longevidade: o que o estudo sobre perda de olfato e mortalidade mostra - Camila Castellan

Sim, estudos com milhares de idosos mostram que quem tem o olfato muito reduzido morre mais cedo, em média, do que quem sente bem os odores. No estudo de Pinto e colegas, de 2014, com 3.005 idosos dos Estados Unidos, 39% das pessoas com anosmia (perda total do olfato) tinham morrido em cinco anos, contra 10% das que tinham olfato normal[1]. Outro estudo acompanhou 2.289 idosos por 13 anos e encontrou risco 46% maior em dez anos[2], e meta-análises confirmam a associação, mais modesta do que nos primeiros estudos[3][4]. Isso não quer dizer que perder o olfato cause a morte: o olfato funciona como um termômetro do envelhecimento, ligado a doenças neurodegenerativas, à nutrição e à segurança em casa[1][2]. O caminho é avaliar com o médico ou o otorrino, cuidar da segurança e, quando indicado, fazer treino olfativo.

Camila Castellan

Por Camila CastellanBiomédica, neurocientista e aromaterapeuta clínica · Publicado em 13 de outubro de 2026

Resumo rápido

Resumo rápido

O estudo3.005 idosos dos EUA fizeram um teste de olfato de 5 odores e foram acompanhados por 5 anos.
O achado39% de quem tinha anosmia morreu em 5 anos, contra 10% de quem tinha olfato normal.
Dez anos depoisOutro estudo, com 2.289 idosos: risco 46% maior em 10 anos.
Por quêO olfato reflete envelhecimento, cérebro, nutrição e segurança.
O que não significaPerder o olfato não causa a morte, e o risco é uma média de grupos.
O que fazerAvaliação médica, segurança com gás e alimentos e treino olfativo.

Este é um artigo da série Por dentro do estudo. Você vai ver como os cientistas descobriram que o olfato ajuda a prever a longevidade de idosos, o gráfico original do estudo, o que as meta-análises mais recentes acrescentaram e, principalmente, o que isso significa, e não significa, para a sua vida.

A pergunta dos cientistas

Você provavelmente aprendeu que a saúde de um idoso se avalia pela pressão, pelo coração e pelos exames. Na ciência, um sentido que quase ninguém testa entrou nessa lista: o olfato.

A ideia partiu de uma observação simples. O olfato está ligado a muitas funções do corpo ao mesmo tempo: ele guia o apetite e as escolhas alimentares, avisa sobre perigos como fumaça e comida estragada e tem ligação direta com regiões do cérebro que cuidam da memória e das emoções[1]. Além disso, ele depende de renovação constante: os neurônios do nariz que captam os odores são substituídos ao longo da vida[1].

Pesquisadores da Universidade de Chicago, liderados pelo otorrino Jayant Pinto, perguntaram: será que o olfato é um sinal precoce de que o corpo está envelhecendo mais depressa? E será que um teste rápido de olfato prevê quem tem mais risco de morrer nos próximos anos[1]?

A pergunta faz ainda mais sentido porque a perda de olfato é comum e silenciosa. Num estudo com 2.491 moradores de uma cidade americana, de 53 a 97 anos, 24,5% tinham o olfato prejudicado no teste, e entre os de 80 a 97 anos eram 62,5%. Mas só 9,5% diziam perceber o problema[5]. Ou seja, muita gente perde o olfato sem notar.

Como o estudo foi feito

O estudo de 2014 usou os dados de um grande levantamento nacional sobre saúde e envelhecimento nos Estados Unidos, o NSHAP. Entre 2005 e 2006, entrevistadores visitaram 3.005 adultos de 57 a 85 anos, 1.454 homens e 1.551 mulheres, que moravam em suas próprias casas, ou seja, não eram pacientes de hospital nem de casas de repouso[1].

O teste de olfato. Cada pessoa recebeu cinco canetas com odores, uma de cada vez: rosa, couro, laranja, peixe e hortelã-pimenta. Para cada uma, escolhia o nome certo entre quatro opções com figuras. O teste levava cerca de três minutos[1]. Pelo número de erros, os participantes foram divididos em três grupos:

O acompanhamento. Cinco anos depois, a equipe voltou a procurar todos os participantes. Foram 430 mortes, e a análise final incluiu 2.918 pessoas[1].

Os cuidados estatísticos. Os autores ajustaram os resultados para idade, sexo, escolaridade, raça e doenças que mais matam idosos, como problemas cardíacos, câncer, AVC e diabetes. Também testaram se nutrição, memória, saúde mental, tabagismo, álcool ou fragilidade explicavam o resultado[1].

O que os pesquisadores encontraram

O resultado chamou atenção pela força. Em cinco anos, morreram 39% das pessoas com anosmia, 19% das que tinham olfato reduzido e 10% das que tinham olfato normal[1]. O padrão apareceu nas três faixas de idade e seguiu uma escada: quanto mais erros no teste, maior a mortalidade, mesmo entre as pessoas que erraram só um ou dois odores[1].

No gráfico abaixo, à esquerda, cada grupo de barras é uma faixa de idade: a barra escura é a anosmia, a do meio é o olfato reduzido e a clara é o olfato normal. À direita, a probabilidade de morte em cinco anos sobe a cada odor errado no teste.

Gráfico do estudo de Pinto e colegas (2014): mortalidade em cinco anos maior em idosos com anosmia e hiposmia, nas três faixas de idade, e aumento a cada odor errado no teste
Quanto pior o olfato, maior a mortalidade em cinco anos, em todas as faixas de idade. Fonte: Pinto et al., PLoS One, 2014 (CC BY 4.0).

Depois de todos os ajustes, as pessoas com anosmia ainda tinham mais de três vezes a chance de morrer em cinco anos em comparação com quem tinha olfato normal. A nutrição, a saúde mental, o tabagismo, o álcool e a fragilidade não explicaram o achado, e a memória explicou só uma pequena parte[1]. Na comparação dos autores, a anosmia foi um sinal de risco mais forte do que insuficiência cardíaca, câncer e doença pulmonar, e só a lesão grave no fígado pesou mais[1].

E os estudos seguintes? Outros grupos repetiram a pergunta, em outros países e por mais tempo:

Olfato e longevidade: os principais estudos

EstudoQuem participouO que encontrou
Pinto e colegas, EUA, 2014[1]2.918 adultos de 57 a 85 anos, por 5 anosMortalidade de 39% na anosmia, contra 10% no olfato normal
Liu e colegas, EUA, 2019[2]2.289 idosos de 71 a 82 anos, por até 13 anosRisco de morte 46% maior em 10 anos e 30% maior em 13 anos
Devanand e colegas, EUA, 2015[6]1.169 idosos, por cerca de 4 anosMortalidade de 45% no pior grupo do teste, contra 18% no melhor
Ekström e colegas, Suécia, 2017[7]1.774 adultos de 40 a 90 anos, por 10 anosAssociação mantida mesmo considerando quem desenvolveu demência
Ruane e colegas, Suécia, 2025[9]2.524 adultos de 60 a 99 anos, por 12 anosCada odor errado a mais: risco 6% maior em 6 anos
Meta-análise de 2026[4]14 estudos de coorte com idososRisco 20% maior, que cai para 9% após correção estatística

O estudo de dez anos. Em 2019, uma equipe que incluía o próprio Pinto acompanhou 2.289 idosos de duas cidades americanas. Comparados a quem tinha bom olfato, os que tinham olfato ruim tiveram risco de morte 46% maior em dez anos e 30% maior em treze anos[2]. Um detalhe surpreendente: a associação apareceu entre quem se dizia com saúde boa ou excelente, mas não entre quem já se sentia com saúde ruim[2].

O que as meta-análises dizem. Uma meta-análise de 2022 revisou 11 estudos, com 21.601 pessoas, e encontrou risco 52% maior de morte em quem tinha perda de olfato, com uma ressalva importante: quanto mais longo o acompanhamento, mais fraca a associação[3]. A meta-análise mais recente, de 2026, com 14 estudos de coorte, encontrou risco 20% maior. Ao corrigir um possível excesso de estudos positivos publicados, o número caiu para 9%, mas continuou significativo. Os autores destacam que o resultado muda bastante conforme o jeito de medir o olfato[4].

Em resumo: a associação se repete em vários países, mas é menor do que o primeiro estudo sugeria[3][4].

O que isso muda no corpo e no cérebro

Os autores de 2014 veem o olfato como o “canário na mina” da saúde humana, e não como a causa direta da morte[1]. As explicações discutidas provavelmente agem juntas.

Renovação celular. O olfato é o único sentido que depende de troca constante de neurônios a partir de células-tronco. Se essa renovação fica lenta, isso pode refletir uma perda mais geral da capacidade de reparo do corpo com a idade[1].

Cérebro e doenças neurodegenerativas. A perda de olfato costuma aparecer antes do diagnóstico de doenças como Alzheimer e Parkinson[1]. No estudo de 2019, as doenças neurodegenerativas explicaram 22% do risco extra em dez anos, e as mortes por doenças neurodegenerativas e cardiovasculares foram as que mais se ligaram ao olfato ruim[2]. No estudo sueco de 2025, a demência explicou 23% da associação em seis anos[9]. Num estudo australiano, a associação deixou de ser significativa quando os autores consideraram o declínio cognitivo[8]. Já no estudo sueco de 2017, ela se manteve mesmo considerando quem desenvolveu demência[7]. A relação com a memória está detalhada em olfato e Alzheimer.

Nutrição e peso. Boa parte do sabor dos alimentos vem do olfato. No estudo de 2019, a perda de peso explicou 6% do risco extra[2], e no estudo sueco a desnutrição explicou 5% e a fragilidade, 11%[9].

Segurança. Num estudo com 445 pacientes, 37% de quem tinha olfato prejudicado já tinha passado por algum acidente ligado a ele, contra 19% de quem tinha olfato normal, como queimar panelas, comer alimento estragado e não perceber vazamento de gás[10].

Ambiente e humor. O nervo olfatório é exposto direto ao ar, e os autores levantam a hipótese de que poluição e toxinas afetem o olfato e outros órgãos, algo que precisa ser aprofundado[1]. E a perda de olfato se associa a mais depressão em idosos[11].

Infográfico: por que o olfato acompanha a saúde no envelhecimento, com renovação celular, cérebro, nutrição, segurança, humor e ambiente
Por que o olfato funciona como um termômetro do envelhecimento.

O que isso significa na prática, e o que não significa

Lido com calma, esse é um resultado que ajuda a cuidar melhor.

O que significa:

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Cuidados: o que fazer se o olfato diminuiu

1. Converse com o médico ou o otorrino. A perda de olfato tem causas tratáveis, como sinusite, rinite, pólipos e efeitos de remédios, e o otorrino pode indicar testes de olfato. Procure avaliação mais rápida se a perda foi súbita, se aconteceu de um lado só, se veio depois de uma pancada na cabeça ou junto com tremores, alteração de memória ou outros sintomas neurológicos. As causas e o caminho de investigação estão em perda de olfato e saúde mental.

2. Cuide da segurança em casa. Os acidentes mais comuns de quem tem olfato reduzido envolvem a cozinha, alimentos estragados e gás[10]. Algumas medidas simples:

3. Cuide da alimentação. Como o sabor depende muito do olfato, a comida pode perder a graça e o peso pode cair[2][9]. Texturas, cores e temperos ajudam, assim como um nutricionista.

4. Fique atento ao humor. A perda de olfato se associa a mais depressão[11]. Se surgirem tristeza persistente, falta de prazer ou pensamentos de morte, procure ajuda. Em caso de ideia de morte, ligue para o CVV, no 188, ligação gratuita, 24 horas, ou procure um pronto-socorro.

5. Pergunte sobre o treino olfativo. No estudo pioneiro de 2009, na Alemanha, 40 pacientes inalaram quatro odores intensos, rosa, eucalipto, limão e cravo, duas vezes por dia por 12 semanas, e tiveram melhora no teste de olfato, enquanto o grupo sem treino não mudou[12]. Uma revisão com 10 estudos e 639 pacientes confirmou benefício em diferentes causas de perda de olfato[13], e uma meta-análise em perda após infecção viral mostrou chance 2,77 vezes maior de melhora relevante com o treino[14]. O treino não cura todas as causas e não foi testado para aumentar a longevidade, mas é seguro quando bem orientado.

Sobre os óleos essenciais: no treino e no uso pessoal e familiar, a via é a inalação, de um frasco ou de um inalador pessoal, sem aplicar óleo puro na pele nem dentro do nariz. A via oral é a via mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria. Medicação só se reduz ou se suspende junto com o médico. Veja os cuidados específicos em aromaterapia para idosos e inalador pessoal de aromaterapia.

Mitos e verdades

Na aromaterapia clínica

Na minha experiência de mais de 10 anos de atendimento clínico, o olfato é uma das primeiras coisas que observo, principalmente em idosos. Pergunto se a comida continua com sabor, se a pessoa percebe quando algo queima na cozinha, se o perfume de sempre ficou fraco.

Quando percebo uma perda, a prioridade é o encaminhamento ao médico ou ao otorrino, porque a aromaterapia não faz diagnóstico médico. Junto com isso, conversamos sobre segurança em casa e alimentação. Se o médico liberar, o treino olfativo entra como parte do cuidado, com aromas escolhidos junto com a pessoa, inalados de forma segura, e com retornos para acompanhar a evolução.

O recado desses estudos não é de medo, é de atenção. Para entender como o nariz conversa com o cérebro, veja memória olfativa e como a aromaterapia age no cérebro. A aromaterapia é tratamento complementar e não substitui o tratamento médico.

Se você quer um plano de aromaterapia para estimular o olfato e cuidar do bem-estar com segurança, o atendimento é online, com Camila Castellan e/ou aromaterapeutas da equipe.

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Perguntas frequentes

Perder o olfato pode indicar risco de morte?

Em idosos, sim, como sinal de alerta. No estudo de 2014, 39% das pessoas com anosmia morreram em cinco anos, contra 10% das que tinham olfato normal[1]. É uma média de grupos, não uma previsão individual.

Qual foi o estudo de Pinto e colegas?

Um estudo publicado na PLoS One em 2014, com 3.005 adultos de 57 a 85 anos dos Estados Unidos, que fizeram um teste de cinco odores e foram acompanhados por cinco anos[1].

E o estudo de dez anos?

É o de Liu e colegas, de 2019, com 2.289 idosos: quem tinha olfato ruim teve risco de morte 46% maior em dez anos[2].

Perder o olfato causa a morte?

Não. Os estudos mostram associação, não causa. O olfato funciona como um marcador do envelhecimento, ligado a doenças neurodegenerativas, nutrição e segurança[1][2].

O que as meta-análises mostram?

Elas confirmam a associação, com efeito mais modesto: risco 52% maior numa meta-análise de 2022 e 20% maior numa de 2026[3][4].

Por que o olfato tem ligação com a demência?

A perda de olfato costuma aparecer antes de doenças como Alzheimer e Parkinson[1]. A demência explicou cerca de um quinto da associação com a mortalidade em dois estudos[2][9].

Como saber se meu olfato diminuiu?

Muitas vezes a pessoa não percebe[5]. Comida sem graça ou não notar algo queimando merecem avaliação com o médico ou o otorrino.

Quais os riscos de perder o olfato em casa?

Os acidentes mais comuns são queimar panelas, comer alimento estragado e não perceber vazamento de gás[10]. Detectores de fumaça e de gás ajudam.

O treino olfativo funciona?

Ele pode melhorar o olfato em várias causas de perda, segundo revisões e meta-análises[12][13][14]. Não encontramos estudos que testem se ele aumenta a longevidade.

Aromaterapia ajuda quem perdeu o olfato?

Pode ajudar como tratamento complementar, com treino olfativo seguro, depois da avaliação médica. Ela não substitui o tratamento médico.

Referências

  1. Pinto JM, Wroblewski KE, Kern DW, Schumm LP, McClintock MK. Olfactory dysfunction predicts 5-year mortality in older adults. PLoS One. 2014;9(10):e107541. doi:10.1371/journal.pone.0107541
  2. Liu B, Luo Z, Pinto JM, Shiroma EJ, Tranah GJ, Wirdefeldt K, et al. Relationship between poor olfaction and mortality among community-dwelling older adults: a cohort study. Ann Intern Med. 2019;170(10):673-681. doi:10.7326/M18-0775
  3. Pang NY, Song HJJMD, Tan BKJ, Tan JX, Chen ASR, See A, et al. Association of olfactory impairment with all-cause mortality: a systematic review and meta-analysis. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2022;148(5):436-445. doi:10.1001/jamaoto.2022.0263
  4. Lin Z, Liao W, Xu M, Li T, Song L, Chen G, et al. Olfactory dysfunction and all-cause mortality: a systematic review and meta-analysis. J Glob Health. 2026;16:04146. doi:10.7189/jogh.16.04146
  5. Murphy C, Schubert CR, Cruickshanks KJ, Klein BEK, Klein R, Nondahl DM. Prevalence of olfactory impairment in older adults. JAMA. 2002;288(18):2307-12. doi:10.1001/jama.288.18.2307
  6. Devanand DP, Lee S, Manly J, Andrews H, Schupf N, Masurkar A, et al. Olfactory identification deficits and increased mortality in the community. Ann Neurol. 2015;78(3):401-11. doi:10.1002/ana.24447
  7. Ekström I, Sjölund S, Nordin S, Nordin Adolfsson A, Adolfsson R, Nilsson LG, et al. Smell loss predicts mortality risk regardless of dementia conversion. J Am Geriatr Soc. 2017;65(6):1238-1243. doi:10.1111/jgs.14770
  8. Gopinath B, Sue CM, Kifley A, Mitchell P. The association between olfactory impairment and total mortality in older adults. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2012;67(2):204-9. doi:10.1093/gerona/glr165
  9. Ruane R, Lampert O, Larsson M, Vetrano DL, Laukka EJ, Ekström I. Olfactory deficits and mortality in older adults. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2025;151(6):558-566. doi:10.1001/jamaoto.2025.0174
  10. Santos DV, Reiter ER, DiNardo LJ, Costanzo RM. Hazardous events associated with impaired olfactory function. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2004;130(3):317-9. doi:10.1001/archotol.130.3.317
  11. Bode H, Sjöberg L, Ekström I. Olfactory impairment and depression: a systematic review and meta-analysis. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2026;152(9):841-850. doi:10.1001/jamaoto.2026.1758
  12. Hummel T, Rissom K, Reden J, Hähner A, Weidenbecher M, Hüttenbrink KB. Effects of olfactory training in patients with olfactory loss. Laryngoscope. 2009;119(3):496-9. doi:10.1002/lary.20101
  13. Pekala K, Chandra RK, Turner JH. Efficacy of olfactory training in patients with olfactory loss: a systematic review and meta-analysis. Int Forum Allergy Rhinol. 2016;6(3):299-307. doi:10.1002/alr.21669
  14. Kattar N, Do TM, Unis GD, Migneron MR, Thomas AJ, McCoul ED. Olfactory training for postviral olfactory dysfunction: systematic review and meta-analysis. Otolaryngol Head Neck Surg. 2021;164(2):244-254. doi:10.1177/0194599820943550