
Em 2022, cientistas pediram a 225 pessoas de 9 culturas muito diferentes, de caçadores-coletores da floresta a moradores de grandes cidades, que colocassem 10 aromas em ordem, do mais agradável ao menos agradável[1]. O resultado surpreendeu: as preferências foram parecidas no mundo todo. A cultura explicou só 6% das diferenças; a própria molécula explicou 41%; e o gosto de cada pessoa, 54%[1]. A vanilina, a molécula principal da baunilha, ficou no topo, e o ácido isovalérico, com odor de suor e chulé, ficou no fim[1]. Mas a mesma ciência mostra que a experiência, as memórias e até o nome dado a um aroma mudam o quanto ele agrada[9][10][12]. Na aromaterapia, isso tem uma consequência prática: o aroma precisa agradar à pessoa que vai usá-lo.

Resumo rápido
Neste artigo da série Por dentro do estudo, você vai entender qual era a pergunta dos cientistas, como o estudo foi feito em lugares tão diferentes, o que a figura principal mostra, o que outros estudos dizem sobre aprendizagem e memória, e o que tudo isso significa, e não significa, para quem usa aromaterapia.
A pergunta dos cientistas
Você aprendeu que cada povo gosta de aromas diferentes. E estudos comparando culturas encontraram, sim, diferenças reais. Quando mulheres japonesas e alemãs avaliaram 18 aromas do dia a dia, as notas de quão agradável era cada aroma foram bem diferentes entre os dois grupos, e o que era considerado comestível em cada cultura costumava ser também o mais agradável[6].
Na ciência, porém, havia outra linha de pistas. Pesquisas em laboratório mostraram que o eixo principal da percepção dos odores é justamente o agradável e o desagradável, e que esse eixo acompanha propriedades físicas e químicas das moléculas[4]. Até camundongos passam mais tempo investigando os odores que as pessoas acham agradáveis[5].
O problema é que quase todos esses estudos foram feitos com pessoas parecidas: urbanas, escolarizadas, acostumadas aos mesmos perfumes, produtos de limpeza e sabores industrializados[1]. Então ficava a dúvida: o prazer de um aroma é aprendido com a cultura ou existe algo universal na forma como os humanos percebem os odores? Foi essa a pergunta da equipe liderada por Artin Arshamian, do Instituto Karolinska, na Suécia, e Asifa Majid, hoje na Universidade de Oxford[1].
Como o estudo foi feito
Pesquisadores de campo foram até comunidades muito diferentes entre si, em vários continentes[1]. Sete delas eram sociedades de pequena escala, com modo de vida tradicional: os Seri, caçadores-coletores do deserto costeiro do México; os Maniq, da floresta tropical da Tailândia; os Semaq Beri, da floresta da Malásia; os Mah Meri, coletores do litoral malaio; os Semelai, que cultivam roças na floresta; os Chachi, agricultores e coletores da floresta do Equador; e os Quichua de Imbabura, agricultores das terras altas equatorianas. As outras duas eram urbanas: moradores da Cidade do México e de uma cidade universitária da Tailândia[1].
Os aromas foram escolhidos a partir de um grande estudo anterior, no qual moradores de Nova York avaliaram 480 moléculas diferentes[2]. Os pesquisadores selecionaram 10 delas, de modo a cobrir toda a escala, das mais desagradáveis às mais agradáveis[1]. Cada molécula foi colocada numa caneta de teste olfativo, diluída em óleo mineral.
| Etapa | O que foi feito |
|---|---|
| Participantes | 225 pessoas de 9 culturas não ocidentais, mais um grupo de comparação de Nova York[1] |
| Aromas | 10 moléculas isoladas, entre elas vanilina, linalol, eugenol e ácido isovalérico[1] |
| Tarefa | Sentir todos os aromas e colocá-los em fila, do mais agradável ao menos agradável[1] |
| Controle de intensidade | Parte dos participantes também ordenou os aromas do mais forte ao mais fraco[1] |
| Análise | Quanto da ordem era explicado pela molécula, pela cultura e pelo indivíduo[1] |
| Teste de previsão | Um modelo de computador, treinado com outras 466 moléculas, tentou prever a ordem[1][3] |
Repare na escolha das moléculas. Algumas são conhecidas de quem trabalha com óleos essenciais: o linalol aparece em grande quantidade na lavanda, e o eugenol é o componente principal do cravo. Outras, como o ácido isovalérico, são claramente desagradáveis[1].
Para ter certeza de que o método enxergaria a cultura caso ela pesasse, os pesquisadores simularam culturas com ordens próprias: nesse cenário artificial, a cultura passou a explicar 41% das diferenças[1].
O que encontraram
A figura abaixo é a figura 2 do artigo original. Cada linha é uma molécula, e cada fina coluna colorida é uma pessoa. O azul escuro indica o primeiro lugar, o mais agradável, e o vermelho escuro indica o último, o menos agradável. As pessoas estão agrupadas por cultura, e a coluna larga à esquerda mostra a média de todos[1].

O que salta aos olhos é o padrão de faixas: a linha do ácido isovalérico fica quase toda vermelha em todas as culturas, e a da vanilina fica quase toda azul. Pela média da figura, a ordem foi: vanilina em primeiro, seguida do butirato de etila e do linalol; depois eugenol e 2-feniletanol, de nota floral de rosa; mais abaixo, os odores de cogumelo, de pimentão verde e o sulfuroso; e, no fim, o ácido isovalérico[1].
Os números confirmam o que a imagem mostra. A ordem média de cada cultura se correlacionou fortemente com a das outras. A identidade da molécula explicou 41% das diferenças nas classificações, enquanto a cultura explicou apenas 6%. Os outros 54% vieram da variação individual, uma mistura de gosto pessoal e da imprecisão natural de qualquer teste sensorial[1].
E houve mais um achado forte. O modelo de computador, treinado apenas com as características químicas de outras moléculas e com as notas dadas por nova-iorquinos, previu a ordem média de cada cultura melhor do que um participante qualquer da própria cultura[1]. Esse modelo veio de um desafio científico internacional que mostrou ser possível prever, a partir da estrutura química, o quanto um odor será percebido como agradável e intenso[3].
E a cultura, a memória e a aprendizagem?
Os próprios autores escrevem que os dados não decidem se a preferência é inata ou aprendida, e lembram que o prazer de um odor é plástico, modulado pela exposição precoce e pelo contexto[1]. Existe uma linha sólida de estudos mostrando isso, com destaque para a psicóloga Rachel Herz.
| Estudo | Quem participou | O que mostrou |
|---|---|---|
| Ayabe-Kanamura e colegas, 1998 | 40 japonesas e 44 alemãs | Aromas típicos de cada cultura foram avaliados de forma diferente[6] |
| Schaal e colegas, 2000 | 24 recém-nascidos | Bebês de mães que consumiram anis na gestação preferiram o aroma de anis[7] |
| Mennella e colegas, 2001 | Mães e bebês | Sabor de cenoura na gestação ou no leite aumentou a aceitação do sabor depois[8] |
| Herz e von Clef, 2001 | Adultos | O mesmo odor com nome positivo ou negativo foi percebido de outro jeito[9] |
| Djordjevic e colegas, 2008 | 40 e 30 adultos | Nomes positivos aumentaram o prazer e mudaram a resposta da pele e a inspiração[10] |
| De Araujo e colegas, 2005 | Adultos em ressonância | O rótulo “queijo” ou “odor corporal” mudou o prazer e a atividade cerebral[11] |
| Epple e Herz, 1999 | Crianças de 5 anos | Um aroma ligado a frustração piorou o desempenho num teste posterior[12] |
O estudo de De Araujo é o contraponto perfeito, porque usou justamente o ácido isovalérico, o último colocado no estudo das 9 culturas. Quando o mesmo odor vinha acompanhado da palavra “queijo cheddar”, as pessoas o achavam bem menos desagradável do que quando vinha com a palavra “odor corporal”. E o cérebro acompanhou o rótulo: áreas ligadas ao valor e ao prazer ficaram mais ativas com o nome “queijo”[11].
Como juntar tudo? Os dois lados não se contradizem. Existe uma base comum, ligada à química da molécula, que faz a baunilha agradar e o suor desagradar na maior parte das pessoas[1][4]. Sobre essa base, a história de cada um, as lembranças, o nome que se dá ao aroma e a expectativa movem o ponteiro para cima ou para baixo[9][10][14]. Para entender a força dessas lembranças, leia memória olfativa.
O que isso muda no corpo e no cérebro
O prazer de um aroma não é um detalhe. Quando as pessoas descrevem odores, a primeira coisa que separam é se são agradáveis ou desagradáveis, e esse é o eixo mais importante da percepção olfativa[4]. E, quando um nome positivo torna um odor mais agradável, mudam também a condutância da pele, um sinal do sistema nervoso autônomo, e o volume da inspiração[10].
No cérebro, o valor de um aroma é calculado em áreas ligadas à emoção e à recompensa. No estudo do queijo e do odor corporal, o córtex orbitofrontal medial e o cíngulo anterior responderam ao prazer percebido, e a amígdala também mudou sua resposta conforme o rótulo[11]. Veja mais em como a aromaterapia age no cérebro.
A memória entra nesse circuito. Uma revisão de Rachel Herz concluiu que aromas que evocam lembranças pessoais positivas têm potencial para aumentar emoções positivas, diminuir o humor negativo e reduzir sinais fisiológicos de estresse[14]. O caminho inverso também existe: um aroma ligado a uma experiência ruim pode trazer de volta o desconforto[12].

O que isso significa na prática, e o que não significa
O que o estudo sugere. Que existe uma base universal no prazer dos aromas. Isso ajuda a entender por que alguns aromas, como a baunilha e notas frutadas e florais, costumam ser bem aceitos em muitas pessoas, e por que o linalol, tão presente na lavanda, ficou entre os mais agradáveis nas 9 culturas[1].
O que ele também mostra. Que a maior fatia das diferenças, 54%, veio de cada indivíduo[1]. Ou seja, mesmo com uma tendência comum, a sua preferência pessoal pesa muito. É por isso que um aroma que acalma uma pessoa pode incomodar outra. Esse tema é aprofundado em o mesmo óleo essencial acalma e agita?.
O papel da expectativa. Num experimento com 90 mulheres, o que era dito sobre o aroma, “relaxante” ou “estimulante”, mudou a frequência cardíaca e a condutância da pele na direção da sugestão, tanto com lavanda e neroli quanto com placebo[13]. Uma revisão sobre aromaterapia também discute como associações aprendidas e expectativas influenciam os efeitos dos aromas no humor[15].
O que o estudo NÃO significa:
- não significa que todo mundo vai gostar de lavanda. O linalol ficou bem colocado na média, mas a variação individual foi grande[1];
- não significa que o óleo mais agradável é o mais eficaz para um sintoma. O estudo mediu prazer, e não efeitos sobre ansiedade, sono ou dor;
- não diz nada sobre óleos essenciais inteiros. Foram testadas moléculas isoladas e diluídas, e um óleo essencial é uma mistura de dezenas de componentes;
- não significa que a cultura não importa. Os autores reconhecem que a exposição precoce e o contexto mudam o prazer de um odor[1];
- não significa que a aromaterapia cura ansiedade, depressão ou outro quadro. Ela é um tratamento complementar, não substitui o tratamento médico e não faz diagnóstico médico.
A vanilina do estudo é uma molécula isolada; muitos produtos “de baunilha” são essências, e não óleos essenciais. Veja óleo essencial ou essência.
Cuidados
Escolher um aroma que agrada é importante, mas agradar não é sinônimo de seguro. Alguns cuidados valem para qualquer óleo essencial no uso pessoal e familiar:
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Aroma forte demais | Menos é mais: poucas gotas, ambiente ventilado e uso por períodos |
| Aroma que traz lembrança ruim | Troque o óleo; um aroma ligado a uma experiência negativa pode trazer desconforto[12] |
| Uso na pele | Sempre diluído em óleo vegetal, com teste numa pequena área |
| Crianças | Só com orientação; recém-nascido não usa óleo essencial e criança nunca ingere óleo |
| Gestação | Só com orientação profissional; a experiência com aromas na gestação chega ao bebê[7] |
| Asma, rinite ou enxaqueca | Comece com pouquíssima quantidade e suspenda se houver piora |
| Quem usa medicamentos | Não troque o remédio pelo aroma; medicação só se reduz ou se suspende junto com o médico |
Se você vai ingerir alguma coisa, atenção: a via oral é a via mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria. Para usar com segurança no ambiente, veja óleo essencial no difusor e como diluir óleo essencial.
Quando procurar ajuda. Se você notou que perdeu o olfato, que os aromas mudaram de repente ou que odores comuns ficaram desagradáveis, procure um médico, porque isso pode ter causas que precisam de avaliação. Veja também perda de olfato e saúde mental. Tristeza persistente, ansiedade que atrapalha a rotina ou crises frequentes pedem avaliação médica e psicológica. Se surgirem pensamentos de morte ou de se machucar, procure ajuda imediatamente: ligue para o CVV no 188 (ligação gratuita, 24 horas) ou vá a um serviço de emergência.
Mitos e verdades
- “Cada cultura gosta de aromas completamente diferentes.” Mito. Em 9 culturas, a cultura explicou só 6% das diferenças na ordem de preferência[1].
- “A química da molécula influencia se o aroma agrada.” Verdade. A estrutura da molécula explicou 41%, e modelos químicos conseguem prever o prazer de um odor[1][3][4].
- “Então a preferência é toda inata.” Mito. Bebês aprendem aromas ainda na gestação[7], e os autores não decidem entre inato e aprendido[1].
- “O nome de um aroma não muda nada.” Mito. O mesmo odor foi percebido como mais ou menos agradável conforme o rótulo[9][10][11].
- “Se todo mundo gosta de lavanda, ela serve para todo mundo.” Mito. A maior fatia das diferenças vem de cada pessoa[1].
- “Um aroma pode trazer de volta uma emoção.” Verdade. Aromas ligados a lembranças podem mudar o humor, para o bem ou para o mal[12][14].
- “Dizer que o aroma relaxa pode influenciar o corpo.” Verdade. A sugestão mudou a frequência cardíaca e a condutância da pele num experimento[13].
Na aromaterapia clínica
Gosto desse estudo porque ele mostra que existe uma base comum no prazer dos aromas e, ao mesmo tempo, confirma algo que vejo todos os dias no consultório: a pessoa precisa gostar do aroma.
Por isso, na minha anamnese, eu pergunto quais aromas a pessoa ama, quais detesta e se algum aroma lembra alguma situação marcante, boa ou ruim. Depois, escolho os óleos pelo quadro e pelo perfil químico e, antes de fechar a sinergia, deixo a pessoa sentir as opções. Se ela torce o nariz, eu troco, mesmo que o óleo seja o “clássico” para aquele objetivo. Um aroma que desagrada pode virar mais uma fonte de tensão, e não de alívio.
Também cuido da forma como explico o uso. Expectativa faz parte do cuidado, então eu explico o que o aroma pode fazer, sem prometer cura, e combino momentos de uso, por exemplo num inalador pessoal, junto com a respiração lenta. No retorno, ajusto o que não funcionou. E sempre lembro: a aromaterapia é um tratamento complementar, e medicação só se reduz ou se suspende junto com o médico. Para escolher melhor, veja como escolher óleo essencial.
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- Memória olfativa: por que um aroma traz lembranças tão fortes
- Por que o mesmo óleo essencial acalma uma pessoa e agita outra
- Como a aromaterapia age no cérebro: olfato, emoção e memória
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Perguntas frequentes
O que o estudo de Arshamian mostrou?
Que pessoas de 9 culturas muito diferentes ordenaram 10 aromas de forma parecida. A molécula explicou 41% das diferenças, a cultura só 6% e o gosto individual 54%[1].
Qual foi o aroma preferido no estudo?
A vanilina, molécula principal da baunilha, ficou em primeiro lugar na média[1].
E qual foi o menos agradável?
O ácido isovalérico, com odor que lembra suor e chulé, ficou em último lugar[1].
Quais culturas participaram?
Caçadores-coletores, coletores do litoral, agricultores e moradores de cidades do México, da Tailândia, da Malásia e do Equador, comparados com nova-iorquinos[1].
Então a cultura não influencia o gosto por aromas?
Influencia, mas menos do que se imaginava. Estudos mostram que exposição precoce, memória e contexto mudam o prazer de um aroma[6][7][9].
O nome de um aroma muda a forma como o sentimos?
Sim. O mesmo odor foi percebido como mais agradável com um nome positivo, e até a atividade cerebral mudou com o rótulo[10][11].
O linalol da lavanda foi bem avaliado?
Sim, ficou entre os mais agradáveis na média. Mas a variação individual foi grande, então nem todo mundo gosta de lavanda[1].
Gostar do aroma faz diferença na aromaterapia?
Faz. O prazer é o eixo principal da percepção olfativa[4] e aromas ligados a lembranças positivas podem melhorar o humor[14]. Por isso o aroma precisa agradar à pessoa.
A expectativa interfere no efeito do aroma?
Sim. Num experimento, o que era dito sobre o aroma mudou a frequência cardíaca e a condutância da pele na direção da sugestão[13].
Posso usar qualquer aroma de que eu goste?
O prazer ajuda, mas não garante segurança. Dilua, use pouca quantidade e procure orientação em crianças, gestação e doenças respiratórias. A via oral é a mais controversa e de maior risco e só deve ser usada com acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica.
Referências
- Arshamian A, Gerkin RC, Kruspe N, et al. The perception of odor pleasantness is shared across cultures. Curr Biol. 2022;32(9):2061-2066.e3. doi:10.1016/j.cub.2022.02.062
- Keller A, Vosshall LB. Olfactory perception of chemically diverse molecules. BMC Neurosci. 2016;17(1):55. doi:10.1186/s12868-016-0287-2
- Keller A, Gerkin RC, Guan Y, et al. Predicting human olfactory perception from chemical features of odor molecules. Science. 2017;355(6327):820-826. doi:10.1126/science.aal2014
- Khan RM, Luk CH, Flinker A, et al. Predicting odor pleasantness from odorant structure: pleasantness as a reflection of the physical world. J Neurosci. 2007;27(37):10015-23. doi:10.1523/JNEUROSCI.1158-07.2007
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- Ayabe-Kanamura S, Schicker I, Laska M, et al. Differences in perception of everyday odors: a Japanese-German cross-cultural study. Chem Senses. 1998;23(1):31-8. doi:10.1093/chemse/23.1.31
- Schaal B, Marlier L, Soussignan R. Human foetuses learn odours from their pregnant mother’s diet. Chem Senses. 2000;25(6):729-37. doi:10.1093/chemse/25.6.729
- Mennella JA, Jagnow CP, Beauchamp GK. Prenatal and postnatal flavor learning by human infants. Pediatrics. 2001;107(6):E88. doi:10.1542/peds.107.6.e88
- Herz RS, von Clef J. The influence of verbal labeling on the perception of odors: evidence for olfactory illusions? Perception. 2001;30(3):381-91. doi:10.1068/p3179
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