Olfato de mulheres e homens: o que o estudo brasileiro do bulbo olfatório revelou - Camila Castellan

Em média, as mulheres se saem um pouco melhor que os homens nos testes de olfato, mas a diferença é pequena e varia muito de pessoa para pessoa. Uma meta-análise com milhares de participantes encontrou vantagem feminina na sensibilidade, na discriminação e na identificação de odores, sempre com efeitos pequenos[2]. Um estudo brasileiro de 2014, feito com bulbos olfatórios doados após a morte, contou cerca de 16,2 milhões de células no bulbo das mulheres e 9,2 milhões no dos homens[1]. Ao longo da vida da mulher, o olfato também oscila com o ciclo menstrual, a gestação e a menopausa, mas os resultados são variados[3]. Por isso, na aromaterapia, cada pessoa precisa ser avaliada do seu jeito, e a aromaterapia é tratamento complementar, que não substitui o tratamento médico.

Camila Castellan

Por Camila CastellanBiomédica, neurocientista e aromaterapeuta clínica · Publicado em 16 de outubro de 2026

Resumo rápido

Resumo rápido

A perguntaMulheres sentem os aromas melhor que os homens? E por quê?
O estudo brasileiroO bulbo olfatório das mulheres tinha bem mais células, mesmo pesando o mesmo.
A meta-análiseVantagem feminina em todos os testes, mas com efeitos pequenos.
Ciclo e gestaçãoO olfato oscila com os hormônios, mas os estudos não concordam em tudo.
IdadeO olfato atinge o auge entre 20 e 30 anos e cai depois dos 60.
Na práticaA diferença entre duas pessoas pesa mais do que a diferença entre os sexos.

Este é um artigo da série Por dentro do estudo. Você vai ver como pesquisadoras brasileiras contaram, célula por célula, o bulbo olfatório de homens e mulheres, o gráfico desse estudo, o que diz a maior meta-análise sobre o tema e como o olfato da mulher muda no ciclo menstrual, na gestação e na menopausa. E, no fim, o que isso significa para quem usa aromas no cuidado com a saúde.

Se você é uma pessoa que se incomoda com perfumes e odores fortes, vale ler também sensibilidade a cheiros.

A pergunta dos cientistas

Você provavelmente já ouviu que “mulher tem nariz melhor”. Na ciência, essa ideia é estudada há mais de cem anos, e a resposta é mais interessante do que um simples sim ou não[3].

Uma grande revisão de 2009, de Richard Doty, da Universidade da Pensilvânia, e Leslie Cameron, reuniu o que se sabia até então. A maioria dos estudos sugeria que, ao menos para alguns odores, as mulheres se saem melhor em detectar, identificar, diferenciar e lembrar aromas[3].

Mas ficavam duas perguntas: a diferença é grande ou pequena, já que alguns estudos grandes não a encontravam[2]? E de onde ela vem?

Uma pista curiosa: meninas antes da puberdade já identificam odores melhor que meninos, e mulheres com mais de 60 anos continuam à frente dos homens da mesma idade, mesmo com os hormônios em baixa nas duas fases[1][3]. Então não pode ser só o estrogênio do momento. Foi daí que um grupo brasileiro resolveu olhar para a estrutura do próprio cérebro[1].

Como o estudo foi feito

O estudo foi publicado em 2014 na revista PLoS One por Ana V. Oliveira-Pinto e colegas, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a participação do Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral da Faculdade de Medicina da USP[1].

Por que contar células? Porque, segundo os autores, o número de neurônios diz mais sobre a “maquinaria” de uma região do cérebro do que o peso ou o volume[1].

Detalhe importante: o estudo não testou o olfato dessas pessoas em vida. Ele mostra estrutura, não desempenho.

O que encontraram

O resultado chamou atenção. Os bulbos pesavam praticamente o mesmo: 0,132 grama nas mulheres e 0,137 grama nos homens, sem diferença estatística. Mas, por dentro, eram bem diferentes[1].

O bulbo olfatório de mulheres e homens (Oliveira-Pinto et al., 2014)

MedidaMulheresHomens
Peso médio do bulbo0,132 g0,137 g (diferença não significativa)
Total de células16,2 milhões9,2 milhões
Neurônios6,9 milhões3,5 milhões
Outras células (glia e demais)9,3 milhões5,7 milhões
Proporção entre glia e neurôniosSemelhanteSemelhante

Nas contas dos autores, a diferença ficou entre 40% e 50% a favor das mulheres: 43,2% no total de células, 49,3% nos neurônios e 38,7% nas demais células. As diferenças continuaram quando os números foram corrigidos pelo peso do bulbo, ou seja, o bulbo feminino é mais denso em células[1].

No gráfico abaixo, as barras azuis mostram a média dos homens e as rosadas, a das mulheres. Em neurônios, em células que não são neurônios e no total, as barras femininas são mais altas, e os asteriscos indicam que as diferenças são estatisticamente significativas[1].

Gráfico do estudo de Oliveira-Pinto e colegas (2014): o bulbo olfatório das mulheres tem mais neurônios, mais células não neuronais e mais células no total do que o dos homens
O bulbo olfatório feminino tinha mais neurônios, mais células de suporte e mais células no total. Fonte: Oliveira-Pinto et al., PLoS One, 2014 (CC BY 4.0).

A proporção entre glia e neurônios foi a mesma nos dois sexos: o bulbo feminino não é organizado de outro jeito, é mais povoado[1].

E o desempenho no olfato? Aqui entra a meta-análise de Piotr Sorokowski e colegas, publicada em 2019 na Frontiers in Psychology. Eles reuniram estudos que usaram os dois testes de olfato mais conhecidos do mundo: as canetas com odores, que medem limiar, discriminação e identificação, e um teste de raspar e identificar aromas[2].

Mulheres e homens nos testes de olfato (meta-análise de 2019)

O que foi medidoParticipantesResultado
Limiar: a menor concentração percebida8.848 (5.065 mulheres)Vantagem feminina pequena
Discriminação: diferenciar dois odores8.067 (4.496 mulheres)Vantagem feminina pequena
Identificação com canetas13.670 (7.501 mulheres)Vantagem feminina muito pequena
Identificação com teste de raspar7.154 (3.866 mulheres)Vantagem feminina pequena, a maior entre os testes

As mulheres se saíram melhor em todos os aspectos analisados. Mas os próprios autores fazem questão de frisar: os efeitos foram fracos. Em linguagem estatística, os efeitos ficaram entre 0,08 e 0,30, valores que os autores classificam como fracos e notavelmente pequenos[2]. Ou seja: muitos homens têm olfato tão bom quanto o de muitas mulheres, ou melhor.

O que isso muda no corpo e no cérebro

Se a diferença no bulbo é grande e a dos testes é pequena, como as peças se encaixam? Há algumas hipóteses.

Mais neurônios para processar a informação. Homens e mulheres parecem ter um número parecido de receptores de odor no nariz. A diferença estaria no processamento. Os autores sugerem que um bulbo com mais neurônios consiga processar mais informação e enviar mais sinal ao córtex piriforme e à amígdala[1]. É uma hipótese plausível, que ainda precisa ser testada medindo o olfato e o bulbo nas mesmas pessoas.

Os hormônios entram, mas não explicam tudo. Há sinais de que o estrogênio favorece e os androgênios reduzem o desempenho olfativo, mas a revisão de Doty e Cameron concluiu que a relação entre hormônios e olfato é complexa, e que associações simples entre o nível de hormônio no sangue e o olfato raramente aparecem[3]. Por isso, os autores do estudo brasileiro levantam a hipótese de que a diferença no número de células seja construída cedo, ainda no desenvolvimento, e não dependa só dos hormônios do momento[1][3].

A palavra também conta. Num estudo com 71 jovens, homens e mulheres não diferiram na sensibilidade. As mulheres foram melhores em identificar e lembrar odores familiares, e a vantagem na memória sumiu quando se descontou a habilidade de nomear os odores[15]. Parte da vantagem feminina parece estar em reconhecer e nomear o aroma.

A idade pesa mais do que o sexo. Num estudo clássico com 1.955 pessoas de 5 a 99 anos, as mulheres foram melhores em todas as idades, mas o grande divisor foi a idade: o desempenho atingiu o auge dos 20 aos 49 anos e caiu bastante depois dos 70. Mais da metade das pessoas de 65 a 80 anos tinha perda importante de olfato[5]. Os valores de referência mais recentes, com 9.139 pessoas, confirmam o padrão: o melhor desempenho fica entre 20 e 30 anos, e crianças com menos de 10 anos e adultos acima de 71 pontuam cerca da metade[4].

Infográfico: o que muda o olfato ao longo da vida, de sexo e idade a ciclo menstrual, gestação, menopausa e genética
O que faz cada pessoa perceber os aromas de um jeito.

Para entender o caminho do aroma até as emoções, veja como a aromaterapia age no cérebro e memória olfativa.

O olfato ao longo da vida da mulher

O olfato da mulher parece acompanhar, em parte, as mudanças hormonais da vida, mas os estudos são menores e nem sempre concordam[3].

No ciclo menstrual. Num estudo, 17 mulheres fizeram os testes de olfato em três fases do ciclo, confirmadas por exames de sangue. Na fase lútea, a segunda metade do ciclo, a pontuação total de olfato foi maior[6]. Num estudo com 60 mulheres, a sensibilidade a um aroma almiscarado usado em perfumaria foi menor durante a menstruação e maior na ovulação, acompanhando os níveis de estradiol[16]. E outro estudo mostrou que o efeito pode depender do odor: mulheres na fase fértil foram mais sensíveis a um odor corporal masculino do que ao aroma de rosa, e com as usuárias de pílula aconteceu o contrário[13].

E a pílula? Num estudo de 2026 com 98 mulheres, usuárias e não usuárias não diferiram no olfato em geral, mas o uso mais longo se associou a menor sensibilidade, e um olfato melhor andou junto com mais bem-estar. Os autores tratam esses achados como preliminares[8].

Se você sente que tolera menos alguns odores na TPM, isso combina com a ideia de que o olfato oscila, mas não há um padrão único para todas as mulheres. O cuidado com os sintomas do ciclo está em aromaterapia na TPM e na cólica menstrual.

Na gestação. Muitas gestantes dizem que ficam com o “olfato de cão”, a chamada hiperosmia, e enjoam com odores que antes eram neutros.[9] Num estudo de 2014, as gestantes, sobretudo no primeiro trimestre, avaliaram o próprio olfato como mais apurado, mas nos testes a sensibilidade foi igual à de mulheres não grávidas[11].

A meta-análise de 2022, com 523 gestantes e 365 mulheres não grávidas, foi na mesma linha: não houve diferença no limiar, na discriminação nem no quanto os odores pareciam agradáveis. A única diferença foi uma identificação de odores um pouco pior na gestação[10]. Ou seja, o incômodo é real, mas parece vir mais da forma como o cérebro reage aos odores, com mais aversão e enjoo, do que de um nariz mais sensível[9][10].

Na menopausa. A reposição hormonal protege o olfato? Os resultados são mistos. Num estudo com 47 mulheres, estradiol com drospirenona melhorou a sensibilidade em seis meses, talvez por reduzir o inchaço no nariz[14]. Num estudo com 432 mulheres, a reposição melhorou só uma medida de memória e discriminação de odores[12]. O que pesa mais nessa fase continua sendo a idade[4][5].

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O que isso significa na prática, e o que não significa

O que significa:

O que não significa:

Há ainda a genética. Um estudo na Nature mostrou que variações num único receptor, o OR7D4, mudam a percepção da androstenona, um composto do odor corporal: desagradável para uns, adocicada e floral para outros, imperceptível para alguns[7].

Esse é o ponto que mais interessa à aromaterapia: cada pessoa responde de um jeito aos aromas. O mesmo óleo pode acalmar uma pessoa e agitar outra, como explicamos em o mesmo óleo essencial acalma e agita.

Cuidados

Procure o médico ou o otorrinolaringologista se: a perda de olfato foi súbita, de um lado só, depois de uma pancada na cabeça, de uma infecção ou com outros sintomas neurológicos. Ela pode pesar no humor, como mostramos em perda de olfato e saúde mental.

Na gestação: enjoo com odores é comum, mas vômitos frequentes que impedem de comer ou beber pedem avaliação médica. Os óleos permitidos e as doses seguras nessa fase estão em óleo essencial na gestação.

Na menopausa: reposição hormonal é decisão médica. Medicação só se reduz ou se suspende junto com o médico.

Para quem é mais sensível: se aromas fortes dão dor de cabeça, náusea ou falta de ar, diminua a quantidade e ventile o ambiente. No uso pessoal e familiar, prefira a inalação em pouca quantidade e a diluição correta na pele. E nada de ingerir óleo por conta própria: a via oral é a via mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria.

Na saúde mental: se a mudança de olfato vem junto com tristeza intensa, falta de prazer ou pensamentos de morte, procure ajuda. Ligue para o CVV, no 188, ligação gratuita, 24 horas, ou procure um pronto-socorro.

Mitos e verdades

Na aromaterapia clínica

Gosto desse estudo porque é brasileiro e porque confirma o que vejo na prática: o olfato é muito individual. Na primeira consulta, pergunto quais aromas a pessoa ama, quais não suporta e se isso muda em algum momento.

Com mulheres, pergunto também sobre o ciclo, a pílula, a gestação e a menopausa. Uma sinergia que foi agradável numa fase pode incomodar em outra, e isso não é frescura: é o olfato mudando junto com o corpo. Com pessoas mais velhas, acompanho se a pessoa percebe o que inala, sem simplesmente aumentar a quantidade de óleo; veja aromaterapia para idosos.

A pessoa participa da escolha: testamos poucas opções, em pouca quantidade. Em mais de 10 anos de atendimento clínico, aprendi que o melhor óleo não é o da ficha técnica, é o que funciona para aquela pessoa, naquele momento. A aromaterapia é tratamento complementar, não substitui o tratamento médico e não faz diagnóstico médico.

Se você quer um plano de aromaterapia pensado para o seu olfato e a sua fase de vida, o atendimento é online, com Camila Castellan e/ou aromaterapeutas da equipe.

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Perguntas frequentes

Mulheres sentem os aromas melhor que os homens?

Em média, sim, mas a diferença é pequena. Uma meta-análise encontrou vantagem feminina em limiar, discriminação e identificação de odores, com efeitos fracos[2].

O que o estudo brasileiro de 2014 descobriu?

Que o bulbo olfatório das mulheres tinha cerca de 16,2 milhões de células, contra 9,2 milhões nos homens, apesar de pesar o mesmo[1].

O que é o bulbo olfatório?

É a primeira estação do olfato no cérebro, logo acima do nariz, e envia os sinais ao córtex piriforme e à amígdala[1].

Por que as mulheres têm olfato melhor?

Não se sabe ao certo. As hipóteses incluem mais neurônios no bulbo, o desenvolvimento do cérebro, os hormônios e a habilidade de nomear odores[1][3][15].

O olfato muda no ciclo menstrual?

Pode mudar, com melhor desempenho na fase lútea ou na ovulação em alguns estudos, mas varia conforme o odor e a mulher[6][13][16].

Anticoncepcional muda o olfato?

Em geral, não. Mas o uso mais longo da pílula se associou a menor sensibilidade num estudo de 2026[8].

Grávida tem o olfato mais sensível?

Ela sente que sim, mas os testes não mostram limiar mais baixo. Uma meta-análise viu apenas identificação um pouco pior na gestação[10][11].

A menopausa piora o olfato?

O que mais pesa é a idade, nos dois sexos[4]. Sobre a reposição hormonal, os estudos são mistos[12][14].

Com que idade o olfato é melhor?

Entre 20 e 30 anos. Acima dos 71, a pontuação média cai para cerca da metade[4][5].

Por que o mesmo aroma agrada a uma pessoa e incomoda outra?

Por idade, sexo, fase hormonal, história e genética: variações num único receptor já mudam a percepção de um odor[7].

Referências

  1. Oliveira-Pinto AV, Santos RM, Coutinho RA, Oliveira LM, Santos GB, Alho AT, et al. Sexual dimorphism in the human olfactory bulb: females have more neurons and glial cells than males. PLoS One. 2014;9(11):e111733. doi:10.1371/journal.pone.0111733
  2. Sorokowski P, Karwowski M, Misiak M, Marczak MK, Dziekan M, Hummel T, Sorokowska A. Sex differences in human olfaction: a meta-analysis. Front Psychol. 2019;10:242. doi:10.3389/fpsyg.2019.00242
  3. Doty RL, Cameron EL. Sex differences and reproductive hormone influences on human odor perception. Physiol Behav. 2009;97(2):213-28. doi:10.1016/j.physbeh.2009.02.032
  4. Oleszkiewicz A, Schriever VA, Croy I, Hähner A, Hummel T. Updated Sniffin’ Sticks normative data based on an extended sample of 9139 subjects. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2019;276(3):719-728. doi:10.1007/s00405-018-5248-1
  5. Doty RL, Shaman P, Applebaum SL, Giberson R, Siksorski L, Rosenberg L. Smell identification ability: changes with age. Science. 1984;226(4681):1441-3. doi:10.1126/science.6505700
  6. McNeil J, Cameron JD, Finlayson G, Blundell JE, Doucet É. Greater overall olfactory performance, explicit wanting for high fat foods and lipid intake during the mid-luteal phase of the menstrual cycle. Physiol Behav. 2013;112-113:84-9. doi:10.1016/j.physbeh.2013.02.008
  7. Keller A, Zhuang H, Chi Q, Vosshall LB, Matsunami H. Genetic variation in a human odorant receptor alters odour perception. Nature. 2007;449(7161):468-72. doi:10.1038/nature06162
  8. Gonçalves PMR, de Azevedo BC, Fomin D, Galeazzo RG, Veiga CA, Rezende NQ, et al. Olfactory perception and wellbeing across hormonal contraceptive users and menstrual cycle phases. Front Hum Neurosci. 2026;20:1646597. doi:10.3389/fnhum.2026.1646597
  9. Cameron EL. Pregnancy and olfaction: a review. Front Psychol. 2014;5:67. doi:10.3389/fpsyg.2014.00067
  10. Albaugh SL, Wu LL, Zhang D, Diaz A, Werner DA, Pinto JM, Cameron EL. Olfaction in pregnancy: systematic review and meta-analysis. Chem Senses. 2022;47:bjac035. doi:10.1093/chemse/bjac035
  11. Cameron EL. Pregnancy does not affect human olfactory detection thresholds. Chem Senses. 2014;39(2):143-50. doi:10.1093/chemse/bjt063
  12. Doty RL, Tourbier I, Ng V, Neff J, Armstrong D, Battistini M, et al. Influences of hormone replacement therapy on olfactory and cognitive function in postmenopausal women. Neurobiol Aging. 2015;36(6):2053-9. doi:10.1016/j.neurobiolaging.2015.02.028
  13. Lundström JN, McClintock MK, Olsson MJ. Effects of reproductive state on olfactory sensitivity suggest odor specificity. Biol Psychol. 2006;71(3):244-7. doi:10.1016/j.biopsycho.2005.07.001
  14. Caruso S, Serra A, Grillo C, De Leo V, Maiolino L, Agnello C, Cianci A. Prospective study evaluating olfactometric and rhinomanometric outcomes in postmenopausal women on 1 mg 17beta-estradiol and 2 mg drospirenone HT. Menopause. 2008;15(5):967-72. doi:10.1097/gme.0b013e31816be973
  15. Oberg C, Larsson M, Bäckman L. Differential sex effects in olfactory functioning: the role of verbal processing. J Int Neuropsychol Soc. 2002;8(5):691-8. doi:10.1017/s1355617702801424
  16. Clarós P, Mbonimpaye R, Clarós A, Lopez A. Why the olfactory acuity to Exaltolide test is different in women? Acta Otolaryngol. 2021;141(11):994-999. doi:10.1080/00016489.2021.1992011