Aromaterapia e depressão: o que dizem os estudos e como ela entra no cuidado - Camila Castellan

A aromaterapia pode ajudar nos sintomas depressivos como cuidado complementar, junto do tratamento médico e da psicoterapia. Uma meta-análise com 32 ensaios clínicos mostrou redução moderada dos sintomas depressivos, com melhores resultados na inalação e nas sinergias de óleos.[3] Preparações de lavanda também melhoraram sintomas depressivos que acompanham a ansiedade.[4] E a relação entre olfato e humor é profunda: o olfato reduzido está associado à depressão.[7][8] Se você tem pensamentos de morte ou de se machucar, ligue 188 (CVV, gratuito, 24 horas).

Camila Castellan

Por Camila CastellanBiomédica, neurocientista e aromaterapeuta clínica · Publicado em 01/10/2026

Resumo rápido

Aromaterapia e depressão em uma olhada

O que a pesquisa mostraredução moderada dos sintomas depressivos em 32 ensaios[3]
Melhor formainalação e sinergias de óleos[3]
Lavandamelhora de sintomas depressivos junto da ansiedade[4]
Olfato e humorolfato reduzido está associado à depressão[7][8]
No Brasil12,3% dos adultos relatam diagnóstico de depressão[2]
Base do tratamentopsicoterapia, medicamentos quando indicados e exercício[10][11]
Antidepressivospodem ser usados junto, com orientação e o médico informado
Ajuda imediataCVV 188, gratuito, 24 horas

A depressão em números

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 322 milhões de pessoas vivem com depressão no mundo, incluindo 43 milhões de crianças e adolescentes.[1] No Brasil, a pesquisa Vigitel de 2023, com mais de 21 mil pessoas, mostrou que 12,3% dos adultos relatam ter recebido diagnóstico médico de depressão. O estudo também mostrou que a depressão é mais comum em quem acumula hábitos de risco, como sedentarismo, tabagismo e alto consumo de ultraprocessados.[2]

Depressão é diferente de tristeza. Ela envolve humor deprimido ou perda de interesse por semanas, junto de alterações no sono, no apetite, na energia, na concentração e na forma de ver a si mesma e o futuro. O diagnóstico é feito pelo médico ou pelo psicólogo.

Sinais que merecem atenção

Sinais comuns de depressão

ÁreaO que pode aparecer
Humortristeza na maior parte do dia, vazio, irritação
Interesseperda de prazer em coisas de que gostava
Sonoinsônia ou sono demais, acordar cansada
Apetiteperda ou aumento de apetite e de peso
Energiacansaço constante, lentidão
Pensamentodificuldade de concentração, culpa, sensação de inutilidade
Riscopensamentos de morte ou de se machucar: CVV 188

Quando vários desses sinais duram mais de duas semanas, é hora de buscar avaliação com médico ou psicólogo.

Olfato e depressão: uma via de mão dupla

O olfato e as emoções usam as mesmas regiões do cérebro, como a amígdala, o hipocampo e o córtex orbitofrontal.[12] Pesquisadores alemães mostraram que a depressão costuma vir acompanhada de alterações no olfato, como menor atenção aos cheiros e um bulbo olfatório menor, e propuseram que o olfato pode ser tanto um marcador quanto um caminho de cuidado.[7]

Uma meta-análise de 2026, com mais de 187 mil pessoas, confirmou: quem percebe o próprio olfato reduzido tem mais chance de ter depressão, principalmente na terceira idade.[8] E o treino olfativo, cheirar aromas variados todos os dias, reduziu os sintomas depressivos em adultos de meia-idade e idosos, num resultado que precisa ser confirmado em estudos maiores.[9] Entenda mais em como a aromaterapia age no cérebro.

O que dizem os estudos

Aromaterapia e sintomas depressivos

EstudoQuem participouO que foi feitoResultado
Cho e Kim, 2023[3]meta-análise de 32 ensaios clínicosaromaterapia em diferentes gruposredução moderada dos sintomas depressivos; melhor com inalação e sinergias; destaque na menopausa, em cardíacos e em quadros psicológicos
Bartova et al., 2023[4]ensaios com pessoas ansiosascápsulas de óleo de lavanda (Silexan)melhora dos sintomas depressivos que acompanham a ansiedade
Kasper e Eckert, 2025[5]revisãoSilexan na ansiedade e na depressãobase farmacológica e dados clínicos favoráveis
Hu et al., 2022[6]meta-análise no parto e pós-partoaromaterapiaredução dos sintomas depressivos na segunda semana pós-parto
Diego et al., 1998[14]40 adultos3 minutos de aroma de lavandahumor menos deprimido e mais relaxamento
Chen et al., 2025[9]meta-análise, adultos de meia-idade e idosostreino olfativoredução modesta dos sintomas depressivos

Os estudos com cápsulas de lavanda foram, em boa parte, financiados pelo fabricante, o que é comum em pesquisa de medicamentos.[5] O conjunto mostra que a aromaterapia tem um lugar real no cuidado dos sintomas depressivos, como complemento ao tratamento.

Infográfico: olfato e humor, o que a pesquisa mostra sobre aromaterapia e sintomas depressivos
Olfato e humor: quatro achados da pesquisa.

Os óleos mais usados

Óleos usados no cuidado do humor

ÓleoNome científicoAromaComo costuma entrar no plano
LavandaLavandula angustifoliafloral, herbáceoansiedade, sono e humor[4][14]
BergamotaCitrus bergamiacítrico, floralhumor e relaxamento no fim do dia
Laranja-doceCitrus sinensiscítrico, docemanhã, energia e bom humor
Laranja-amarga (néroli, petitgrain)Citrus aurantiumfloral, cítricoansiedade e sono
RosaRosa damascenafloralacolhimento emocional
OlíbanoBoswellia spp.resinosomomentos de pausa e respiração

Como a meta-análise mostrou melhores resultados com sinergias,[3] o plano costuma combinar dois ou três óleos, com aromas diferentes para a manhã e para a noite. Veja como montar uma sinergia.

Como usar no dia a dia

Na depressão, a energia para cuidar de si costuma estar baixa. Por isso o plano precisa ser simples, com poucos passos, e entrar aos poucos na rotina.

Infográfico: um plano simples de aromaterapia para o dia, manhã, pausas, noite e treino olfativo
Um plano simples para o dia, com poucos passos.

O que ajuda junto com os óleos

A depressão tem tratamento, e ele funciona melhor quando soma várias frentes:

Depressão nas diferentes fases da vida

Como a família pode ajudar

Para quem convive com alguém com depressão, alguns cuidados fazem diferença:

Antidepressivos e óleos essenciais

Quem usa antidepressivo pode usar óleos essenciais, com avaliação de uma aromaterapeuta com formação clínica e com o médico informado.[13] A atenção maior é com a via oral e com doses altas, que podem interagir com medicamentos. Explicamos os detalhes em óleo essencial e antidepressivo.

A aromaterapia também pode fazer parte do cuidado de quem quer reduzir ou sair de um medicamento, mas essa decisão é sempre do médico, analisada em conjunto. Nunca pare ou mude a dose por conta própria.

Nível de evidência por uso

O que a pesquisa mostra hoje

UsoTipo de estudoO que sugere
Sintomas depressivos em geralmeta-análise de 32 ensaios[3]redução moderada
Depressão junto da ansiedadeensaios com lavanda[4][5]melhora dos sintomas
Pós-partometa-análise[6]redução na segunda semana; efeito a longo prazo a confirmar
Treino olfativometa-análise em adultos mais velhos[9]redução modesta, a confirmar
Olfato como marcadorrevisão e meta-análise[7][8]associação consistente
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Mitos e verdades

O que é mito e o que é verdade

FraseO que a ciência mostra
“Depressão é falta de força de vontade”é uma condição de saúde com tratamento eficaz[10][11]
“Aromaterapia é só cheiro bom”uma meta-análise com 32 ensaios mostrou redução dos sintomas depressivos[3]
“Óleo essencial substitui o antidepressivo”é um cuidado complementar; mudanças em remédios são decididas pelo médico
“Quem toma antidepressivo não pode usar óleos”pode, com orientação e com o médico informado[13]
“Olfato não tem nada a ver com humor”olfato reduzido está associado à depressão[7][8]

Quando procurar ajuda

Se você tem pensamentos de morte ou de se machucar, procure ajuda agora: ligue 188 (CVV, gratuito, 24 horas), vá a um pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192.

Procure também um médico ou psicólogo se a tristeza ou a falta de interesse duram mais de duas semanas, se o sono, o apetite ou a energia mudaram muito, ou se fica difícil trabalhar, estudar ou cuidar de si. Depressão tem tratamento.

A depressão na aromaterapia clínica

Na prática da Camila, o cuidado começa por uma avaliação completa: a história, os medicamentos um a um, o sono (que horas deita, que horas dorme, como acorda), a alimentação, o intestino, os exames e os aromas que a pessoa aceita. O plano é simples, com poucos passos, entra em fases e caminha junto do médico e do psicólogo. Veja o guia de aromaterapia na saúde mental.

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Camila Castellan

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Perguntas frequentes

Aromaterapia ajuda na depressão?

Como cuidado complementar, sim: uma meta-análise com 32 ensaios clínicos mostrou redução moderada dos sintomas depressivos.[3]

Qual óleo essencial é bom para depressão?

Lavanda tem mais estudos, e os cítricos, como bergamota e laranja, são muito usados. Sinergias tiveram melhores resultados que óleos isolados.[3][4]

Como usar aromaterapia para depressão?

Inalação e difusor, com aromas diferentes para manhã e noite, e massagem diluída; o plano deve ser simples e individual.

Óleo essencial substitui antidepressivo?

Não. É um cuidado complementar, e qualquer mudança em medicamentos é decidida pelo médico.

Quem toma antidepressivo pode usar óleos essenciais?

Pode, com avaliação de uma aromaterapeuta com formação clínica e com o médico informado.[13]

Perder o olfato pode ter relação com depressão?

Sim, o olfato reduzido está associado a mais depressão, principalmente em idosos.[8]

Lavanda ajuda na depressão?

Preparações de lavanda melhoraram sintomas depressivos que acompanham a ansiedade em ensaios clínicos.[4]

Exercício ajuda na depressão?

Sim. Caminhar, correr, yoga e musculação reduziram os sintomas em uma grande meta-análise.[10]

Onde buscar ajuda imediata?

Ligue 188 (CVV, gratuito, 24 horas), vá a um pronto-socorro ou ligue 192.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Mental disorders: fact sheet. Genebra: OMS; atualizado em 2026. who.int
  2. Barbosa BCR, et al. Co-occurrence of health risk behaviors and depression in the Brazilian population: analysis of a population-based survey (Vigitel, 2023). Rev Bras Epidemiol. 2026;29:e260028. doi:10.1590/1980-549720260028
  3. Cho K, Kim M. Effects of aromatherapy on depression: a meta-analysis of randomized controlled trials. Gen Hosp Psychiatry. 2023;84:215-225. doi:10.1016/j.genhosppsych.2023.08.003
  4. Bartova L, Dold M, Volz HP, et al. Beneficial effects of Silexan on co-occurring depressive symptoms in patients with subthreshold anxiety and anxiety disorders: randomized, placebo-controlled trials revisited. Eur Arch Psychiatry Clin Neurosci. 2023;273(1):51-63. doi:10.1007/s00406-022-01390-z
  5. Kasper S, Eckert A. Silexan in anxiety, depression, and related disorders: pharmacological background and clinical data. Eur Arch Psychiatry Clin Neurosci. 2025;275(6):1621-1635. doi:10.1007/s00406-024-01923-8
  6. Hu TM, Lee SH, Loh EW. Effectiveness of aromatherapy for intrapartum and postpartum emotional problems among parturient women: a meta-analysis of randomized controlled trials. Jpn J Nurs Sci. 2022;19(3):e12471. doi:10.1111/jjns.12471
  7. Croy I, Hummel T. Olfaction as a marker for depression. J Neurol. 2017;264(4):631-638. doi:10.1007/s00415-016-8227-8
  8. Bode H, Sjöberg L, Ekström I. Olfactory impairment and depression: a systematic review and meta-analysis. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2026;152(9):841-850. doi:10.1001/jamaoto.2026.1758
  9. Chen K, Yu S, Jiang X. Effectiveness of olfactory training for cognition and depressive symptoms in middle-aged and elderly adults: a systematic review and meta-analysis. Psychogeriatrics. 2025;25(5):e70093. doi:10.1111/psyg.70093
  10. Noetel M, Sanders T, Gallardo-Gómez D, et al. Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ. 2024;384:e075847. doi:10.1136/bmj-2023-075847
  11. Cipriani A, Furukawa TA, Salanti G, et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder: a systematic review and network meta-analysis. Lancet. 2018;391(10128):1357-1366. doi:10.1016/S0140-6736(17)32802-7
  12. Kadohisa M. Effects of odor on emotion, with implications. Front Syst Neurosci. 2013;7:66. doi:10.3389/fnsys.2013.00066
  13. Tisserand R, Young R. Essential Oil Safety: A Guide for Health Care Professionals. 2. ed. Edimburgo: Churchill Livingstone/Elsevier; 2014.
  14. Diego MA, Jones NA, Field T, et al. Aromatherapy positively affects mood, EEG patterns of alertness and math computations. Int J Neurosci. 1998;96(3-4):217-224. doi:10.3109/00207459808986469