Olfato e depressão: o que os estudos mostram sobre o nariz e o humor - Camila Castellan

Olfato e depressão andam juntos, e a relação vai nos dois sentidos. Pessoas com depressão percebem os odores com menos sensibilidade e acham os aromas agradáveis menos prazerosos[1][8], e quem perde o olfato tem mais chance de ter depressão, segundo uma meta-análise com 187.056 pessoas[2]. Exames de ressonância mostraram que o bulbo olfatório, a primeira estação do olfato no cérebro, é menor em pessoas com depressão[3][4]. A explicação mais aceita é que o olfato e o humor dividem as mesmas regiões do cérebro, como a amígdala e o córtex orbitofrontal[13]. Isso não faz do olfato um exame de depressão, e a aromaterapia entra como tratamento complementar, que não substitui o tratamento médico.

Camila Castellan

Por Camila CastellanBiomédica, neurocientista e aromaterapeuta clínica · Publicado em 11 de outubro de 2026

Resumo rápido

Resumo rápido

A perguntaPor que quem tem depressão sente menos os aromas, e vice-versa?
Meta-análise187.056 pessoas: sentir que o olfato piorou se associa a mais depressão.
Bulbo olfatórioNa ressonância, ele aparece menor em pessoas com depressão.
No cérebroOlfato e emoção dividem amígdala, ínsula e córtex orbitofrontal.
Mão duplaA depressão apaga o prazer dos aromas; a perda de olfato pesa no humor.
O que não significaTeste de olfato não diagnostica depressão; ideia de morte: CVV 188.

Este é um artigo da série Por dentro do estudo. Você vai ver como os cientistas investigaram a ligação entre olfato e depressão, o que as meta-análises e a ressonância encontraram, o gráfico de um experimento sobre estresse e prazer dos aromas e o que isso significa, e não significa, na prática.

O lado prático de quem perdeu o olfato, com segurança em casa e treino olfativo, está em perda de olfato e saúde mental.

A pergunta dos cientistas

Você provavelmente aprendeu que a depressão é uma doença “da cabeça”, do humor e dos pensamentos. Na ciência, ela é também uma doença do corpo e dos sentidos. E, entre os sentidos, o olfato chamou atenção dos pesquisadores por um motivo anatômico: o caminho entre o nariz e as regiões do cérebro que cuidam das emoções é muito curto, com poucas conexões no meio[13].

A informação dos aromas segue do bulbo olfatório para a amígdala, o hipocampo, a ínsula, o cíngulo anterior e o córtex orbitofrontal, estruturas que também cuidam das emoções[13].

Daí a pergunta que move essa linha de estudos: se olfato e humor usam o mesmo “fio”, será que a depressão muda o olfato? E será que perder o olfato pode empurrar alguém para a depressão? Uma revisão de 2021 resume: a ligação está estabelecida, mas ainda se discute quem vem primeiro[11].

Uma pista veio dos animais. Há décadas, retirar os bulbos olfatórios de ratos é usado como modelo de depressão em laboratório. Os animais passam a ter mudanças de comportamento e de hormônios parecidas com as da depressão, que melhoram com antidepressivos usados por semanas[12]. Curiosamente, tirar o olfato pelo nariz, sem mexer no bulbo, não produz o mesmo efeito: o problema parece ser desorganizar o circuito que liga o bulbo à amígdala e ao hipocampo[12]. São resultados em animais, que sugerem caminhos e precisam ser aprofundados em pessoas.

Como os estudos foram feitos

Não existe um único estudo que responda tudo, e sim uma linha de pesquisas que se complementam. Veja o que cada tipo mede.

Na meta-análise mais recente, de 2026, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, reuniram 23 estudos de base populacional, que representam 17 grupos independentes e 187.056 pessoas, com idade média de 63,6 anos e 63% mulheres. Eles separaram dois tipos de perda de olfato: a subjetiva, quando a própria pessoa diz que o olfato piorou, e a objetiva, medida em teste[2].

A linha do bulbo olfatório começou em 2010, na Universidade de Dresden, na Alemanha: Simona Negoias e colegas compararam 21 pessoas em depressão maior aguda com 21 saudáveis, pareadas por idade, sexo e hábito de fumar[3].

O que os pesquisadores encontraram

Os resultados apontam na mesma direção, com nuances:

Olfato e depressão: o que cada estudo encontrou

EstudoQuem participouO que encontrou
Bulbo olfatório, 2010[3]21 pessoas em depressão e 21 saudáveisBulbo menor e olfato menos sensível; quanto mais grave a depressão, menor o bulbo
Bulbo olfatório, 2018[4]32 pessoas em depressão e 51 saudáveisBulbo em média 17% menor, ligado ao volume da amígdala e da ínsula
Bulbo e resposta à terapia[5]24 mulheres internadas e 36 saudáveisQuem não respondeu à psicoterapia tinha bulbo 23% menor do que quem respondeu
Olfato antes e depois do tratamento[6]27 mulheres internadas e 28 saudáveisMenos ativação do córtex orbitofrontal e da ínsula; tudo melhorou após o tratamento
Prazer dos aromas[8][9]Pessoas em episódio depressivoAromas agradáveis pareceram menos agradáveis e os desagradáveis, mais desagradáveis
Meta-análise de 2026[2]187.056 pessoas da populaçãoSentir que o olfato piorou aumentou em 56% a chance de depressão

O bulbo encolhe, mas o olfato volta. No estudo de 2010, as pessoas com depressão tinham bulbo olfatório menor e menor sensibilidade aos odores, e o tamanho do bulbo caía conforme a pontuação de depressão subia[3]. Em 2018, um grupo maior confirmou: bulbo 17% menor, acompanhando o volume da ínsula e da amígdala[4]. Já a sensibilidade aos odores melhora quando a depressão melhora[6][7].

O bulbo como fator de vulnerabilidade. Num estudo de 2016, o bulbo das pacientes que responderam à psicoterapia era parecido com o das mulheres saudáveis. Já o das que não responderam era 23% menor. E o volume não mudou ao longo do tratamento[5]. Os autores levantaram a hipótese de que um bulbo menor seja um fator de vulnerabilidade biológica para a depressão aparecer ou se manter, ao menos em mulheres.

O que a pessoa sente pesa muito. Na meta-análise de 2026, a perda de olfato percebida pela pessoa se associou à depressão de forma consistente: 56% mais chance. A perda medida em teste teve uma associação mais fraca, de 26%, que diminuiu ainda mais depois do ajuste estatístico para estudos não publicados. Mas ela continuou firme em dois grupos: pessoas com 65 anos ou mais e pessoas com perda total do olfato, a anosmia[2].

Nem todo estudo encontra o mesmo. Numa revisão de 15 estudos, 9 (60%) acharam diferença no olfato entre pessoas com e sem depressão, cada um numa parte diferente do olfato[16]. Nos testes padronizados, as diferenças existem, mas são pequenas em números absolutos[1].

E nos animais? Num experimento de 2023, na França, metade de 20 camundongos passou sete semanas sob estresse leve e imprevisível, um modelo de laboratório para a depressão. Depois, os pesquisadores mediram quanto tempo cada animal passava investigando aromas agradáveis para camundongos, como limoneno, citronelol e cânfora, e aromas desagradáveis[10].

No gráfico abaixo, os animais sem estresse passaram bem mais tempo nos aromas agradáveis. Nos estressados, o interesse pelos aromas agradáveis caiu, enquanto a resposta aos desagradáveis não mudou. Os estressados também tinham menos neurônios novos no bulbo olfatório, e menos desses neurônios respondiam aos aromas agradáveis[10]. É um estudo em animais, que sugere um mecanismo para a “anedonia olfativa” e precisa ser aprofundado em pessoas.

Gráfico do estudo de Athanassi e colegas (2023): camundongos sob estresse crônico investigaram menos os aromas agradáveis, sem mudança nos desagradáveis
Estresse crônico reduziu o interesse de camundongos pelos aromas agradáveis. Fonte: Athanassi et al., Front Neurosci, 2023 (CC BY 4.0).

O que isso muda no corpo e no cérebro

Juntando as peças, os pesquisadores descrevem a relação como uma via de mão dupla[11][14].

Do humor para o nariz. Na depressão, o cérebro processa os aromas de outro jeito. No estudo com ressonância funcional, as pacientes deprimidas tiveram menos ativação em estruturas olfatórias secundárias, como o tálamo, a ínsula e o córtex orbitofrontal, além de respostas elétricas mais lentas aos odores. Depois do tratamento, essas diferenças desapareceram[6]. Em outro estudo, a menor sensibilidade apareceu num nível bem inicial do processamento, e os autores discutem a conexão estreita entre o bulbo olfatório e a amígdala[7].

O córtex orbitofrontal é a região que dá “valor” ao que sentimos: decide se um aroma é bom, se vale a pena se aproximar. É também uma das áreas ligadas à anedonia, a perda de prazer típica da depressão[13]. Faz sentido, então, que a depressão mexa no prazer dos aromas. Pesquisadores franceses mostraram que, no episódio depressivo, os aromas agradáveis parecem menos agradáveis, a chamada anedonia olfativa, e os desagradáveis parecem mais desagradáveis, a aliestesia negativa[8][9]. A anedonia olfativa melhorou com o tratamento, um sinal de que ela acompanha o estado da doença[8][9].

Do nariz para o humor. No caminho inverso, o olfato é uma fonte constante de estímulos para o sistema emocional, e a perda de olfato afeta o dia a dia e pode levar à depressão[14]. Os autores do estudo de 2018 propõem que menos sinal vindo do bulbo facilite a redução de áreas como a ínsula, ligadas a perceber o que é importante[4].

O bulbo olfatório é também um dos poucos lugares do cérebro adulto onde novos neurônios continuam a nascer, ao lado do hipocampo, e nos animais o estresse reduz essa formação[10][12]. O estudo de 2010 levanta a hipótese de que isso aconteça também no bulbo de pessoas com depressão[3]. É promissor, e mais estudos são necessários em pessoas.

Infográfico: olfato e depressão, uma via de mão dupla entre o nariz e o humor
Olfato e depressão: uma via de mão dupla.

Para entender melhor como os aromas chegam às emoções, veja como a aromaterapia age no cérebro e memória olfativa.

O que isso significa na prática, e o que não significa

Esses estudos ajudam a entender por que tantas pessoas com depressão dizem que “a comida perdeu o gosto”, e por que quem perdeu o olfato pode se sentir mais triste. Mas é preciso ler os resultados com cuidado.

O que significa:

O que não significa:

E a aromaterapia? Ela não cura a depressão. Ela pode entrar como tratamento complementar, ajudando no cuidado com o humor, no sono e na rotina, junto com o médico e o psicólogo. Os estudos com aromas em sintomas depressivos estão reunidos em aromaterapia para depressão, e a relação com os remédios, em óleo essencial e antidepressivo.

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Cuidados e sinais de alerta

Procure ajuda imediata se houver:

Procure o otorrinolaringologista se: a perda de olfato foi súbita, aconteceu de um lado só, veio depois de uma pancada na cabeça ou junto com outros sintomas neurológicos. As causas e o caminho de investigação estão em perda de olfato e saúde mental. Em idosos, mudanças de olfato também são estudadas ao lado de mudanças de memória; veja olfato e Alzheimer, sem alarmismo.

Sobre os óleos essenciais: quem usa antidepressivo pode usar aromaterapia por inalação, com orientação. Medicação só se reduz ou se suspende junto com o médico. E nada de ingerir óleo por conta própria: a via oral é a via mais controversa e de maior risco, e só deve ser usada com o acompanhamento de uma aromaterapeuta com formação clínica, nunca por conta própria.

Para entender a diferença entre uma fase triste e um quadro que pede tratamento, leia tristeza, desânimo ou depressão.

Mitos e verdades

Na aromaterapia clínica

Quando atendo alguém com depressão, eu sempre pergunto sobre o olfato. Se a comida perdeu a graça, se algum aroma que antes era querido ficou indiferente, se algum odor passou a incomodar mais. Isso me ajuda a escolher aromas que ela consiga, de fato, sentir e apreciar.

Os estudos mostram que, na depressão, os aromas agradáveis podem parecer menos agradáveis[8][9]. Por isso não escolho o óleo só pela ficha técnica: a pessoa participa da escolha, testamos poucas opções, em pouca quantidade, e começamos pelo que ela reconhece como bom. Nos retornos, observamos juntas se o prazer dos aromas vai voltando.

E, quando a queixa é a perda de olfato, pergunto sobre sono, ânimo e prazer, porque a perda pesa no humor. E, quando aparecem sinais de alerta, a prioridade é o encaminhamento ao médico e ao psicólogo. A aromaterapia é tratamento complementar, não substitui o tratamento médico e não faz diagnóstico médico.

Se você quer um plano para cuidar do humor com aromaterapia, o atendimento é online, com Camila Castellan e/ou aromaterapeutas da equipe.

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Perguntas frequentes

Depressão pode tirar o olfato?

Pode diminuir. Pessoas com depressão têm, em média, menor sensibilidade e pior desempenho nos testes de olfato[1][3], e várias dessas medidas melhoram com o tratamento[6][7].

Perder o olfato pode causar depressão?

A perda de olfato se associa a mais depressão, sobretudo quando a pessoa sente a perda, em idosos e na anosmia[2]. Os estudos são observacionais e ainda não provam causa.

O que é o bulbo olfatório?

É a primeira estação do olfato no cérebro, logo acima do nariz. Ele envia os sinais para regiões ligadas à emoção e à memória[13].

O bulbo olfatório é menor na depressão?

Sim. Estudos de ressonância encontraram bulbo menor em pessoas com depressão, em média 17% menor num deles[3][4].

Qual é a meta-análise com 187 mil pessoas?

É a de Bode e colegas, de 2026, na JAMA Otolaryngology: 23 estudos, 187.056 pessoas e 56% mais chance de depressão em quem sente que o olfato piorou[2].

O que é anedonia olfativa?

É quando os aromas agradáveis parecem menos agradáveis. Ela aparece no episódio depressivo e tende a melhorar com o tratamento[8][9].

Por que olfato e emoção estão tão ligados?

Porque o olfato chega quase direto à amígdala, ao hipocampo, à ínsula e ao córtex orbitofrontal, regiões que também cuidam das emoções[13].

Teste de olfato serve para diagnosticar depressão?

Não. Num estudo, o volume do bulbo acertou a depressão em 68,1% das vezes, menos do que os questionários usados pelos profissionais[15].

Aromaterapia ajuda na depressão?

Ela não cura, mas pode entrar como tratamento complementar, junto com o médico e o psicólogo. O olfato é visto como campo de pesquisa promissor na depressão[14].

Quando procurar ajuda?

Com pensamentos de morte, ligue para o CVV no 188 ou procure um pronto-socorro. Tristeza ou falta de prazer por mais de duas semanas pedem avaliação médica ou psicológica.

Referências

  1. Kohli P, Soler ZM, Nguyen SA, Muus JS, Schlosser RJ. The association between olfaction and depression: a systematic review. Chem Senses. 2016;41(6):479-86. doi:10.1093/chemse/bjw061
  2. Bode H, Sjöberg L, Ekström I. Olfactory impairment and depression: a systematic review and meta-analysis. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2026;152(9):841-850. doi:10.1001/jamaoto.2026.1758
  3. Negoias S, Croy I, Gerber J, Puschmann S, Petrowski K, Joraschky P, Hummel T. Reduced olfactory bulb volume and olfactory sensitivity in patients with acute major depression. Neuroscience. 2010;169(1):415-21. doi:10.1016/j.neuroscience.2010.05.012
  4. Rottstädt F, Han P, Weidner K, Schellong J, Wolff-Stephan S, Strauß T, et al. Reduced olfactory bulb volume in depression: a structural moderator analysis. Hum Brain Mapp. 2018;39(6):2573-2582. doi:10.1002/hbm.24024
  5. Negoias S, Hummel T, Symmank A, Schellong J, Joraschky P, Croy I. Olfactory bulb volume predicts therapeutic outcome in major depression disorder. Brain Imaging Behav. 2016;10(2):367-72. doi:10.1007/s11682-015-9400-x
  6. Croy I, Symmank A, Schellong J, Hummel C, Gerber J, Joraschky P, Hummel T. Olfaction as a marker for depression in humans. J Affect Disord. 2014;160:80-6. doi:10.1016/j.jad.2013.12.026
  7. Pause BM, Miranda A, Göder R, Aldenhoff JB, Ferstl R. Reduced olfactory performance in patients with major depression. J Psychiatr Res. 2001;35(5):271-7. doi:10.1016/s0022-3956(01)00029-2
  8. Naudin M, El-Hage W, Gomes M, Gaillard P, Belzung C, Atanasova B. State and trait olfactory markers of major depression. PLoS One. 2012;7(10):e46938. doi:10.1371/journal.pone.0046938
  9. Naudin M, Carl T, Surguladze S, Guillen C, Gaillard P, Belzung C, et al. Perceptive biases in major depressive episode. PLoS One. 2014;9(2):e86832. doi:10.1371/journal.pone.0086832
  10. Athanassi A, Breton M, Chalençon L, Brunelin J, Didier A, Bath K, Mandairon N. Chronic unpredictable mild stress alters odor hedonics and adult olfactory neurogenesis in mice. Front Neurosci. 2023;17:1224941. doi:10.3389/fnins.2023.1224941
  11. Athanassi A, Dorado Doncel R, Bath KG, Mandairon N. Relationship between depression and olfactory sensory function: a review. Chem Senses. 2021;46:bjab044. doi:10.1093/chemse/bjab044
  12. Song C, Leonard BE. The olfactory bulbectomised rat as a model of depression. Neurosci Biobehav Rev. 2005;29(4-5):627-47. doi:10.1016/j.neubiorev.2005.03.010
  13. Soudry Y, Lemogne C, Malinvaud D, Consoli SM, Bonfils P. Olfactory system and emotion: common substrates. Eur Ann Otorhinolaryngol Head Neck Dis. 2011;128(1):18-23. doi:10.1016/j.anorl.2010.09.007
  14. Rochet M, El-Hage W, Richa S, Kazour F, Atanasova B. Depression, olfaction, and quality of life: a mutual relationship. Brain Sci. 2018;8(5):80. doi:10.3390/brainsci8050080
  15. Rottstaedt F, Weidner K, Strauß T, Schellong J, Kitzler H, Wolff-Stephan S, et al. Size matters: the olfactory bulb as a marker for depression. J Affect Disord. 2018;229:193-198. doi:10.1016/j.jad.2017.12.047
  16. Taalman H, Wallace C, Milev R. Olfactory functioning and depression: a systematic review. Front Psychiatry. 2017;8:190. doi:10.3389/fpsyt.2017.00190