
Não existe uma lei federal que regulamente a profissão de aromaterapeuta no Brasil, e isso significa que a atividade é livre: qualquer pessoa com preparo pode atender. A Constituição garante o livre exercício de qualquer trabalho quando a lei não exige qualificação específica.[1] Ao mesmo tempo, a aromaterapia é reconhecida pelo Ministério da Saúde como prática integrativa do SUS desde 2018[4], e quem atende tem responsabilidades reais pela segurança, pelas informações que dá e pelos dados de saúde que guarda.[11][12] Por isso, a formação é o que diferencia a aromaterapeuta no mercado.

Resumo rápido
O que significa uma profissão ser regulamentada
Uma profissão regulamentada tem uma lei federal que define quem pode exercê-la, qual formação é exigida e qual conselho fiscaliza, como a medicina (CRM), a psicologia (CRP), a enfermagem (Coren) e a nutrição (CRN). A regra geral da Constituição é o contrário: o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão é livre, e só a lei pode exigir qualificações específicas.[1]
Como não há lei para a aromaterapia, vale a regra geral. Na prática:
- não existe um curso obrigatório para se tornar aromaterapeuta;
- não existe registro em conselho para atender;
- não existe currículo mínimo oficial, e por isso a qualidade dos cursos varia muito.
Isso é uma oportunidade, porque a porta está aberta, e também uma responsabilidade, porque a segurança depende da formação de cada profissional.
A aromaterapia no SUS: a linha do tempo
| Ano | O que aconteceu |
|---|---|
| 2006 | a Portaria nº 971 cria a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS[2] |
| 2017 | a Portaria nº 849 amplia a lista de práticas integrativas[3] |
| 2018 | a Portaria nº 702 inclui a aromaterapia na PNPIC, ao lado de outras práticas[4] |
| Desde então | municípios e estados passaram a oferecer aromaterapia em unidades de saúde, e a prática ganhou espaço em hospitais e na enfermagem |
Estar na PNPIC significa que o SUS reconhece a aromaterapia como prática integrativa e pode oferecê-la como complemento aos tratamentos. Isso traz legitimidade, mas não cria uma profissão regulamentada nem exige diploma. Veja aromaterapia no SUS.

CBO, CNAE e como o aromaterapeuta se enquadra
- CBO (Classificação Brasileira de Ocupações): descreve as ocupações do mercado de trabalho. As terapias complementares estão na família 3221 (tecnólogos e técnicos em terapias complementares e estéticas), e o código 3221-25 (terapeuta holístico) é o que costuma abrigar quem trabalha com práticas integrativas.[5] A CBO descreve a ocupação, mas não regulamenta a profissão.
- CNAE (atividade da empresa): quem abre empresa precisa de um código de atividade compatível. A aromaterapeuta não está na lista de ocupações permitidas ao MEI, e o enquadramento costuma ser em atividades de práticas integrativas e complementares. Veja aromaterapeuta pode ser MEI? e confirme com um contador.
Existe projeto de lei para regulamentar?
Ao longo dos anos, surgiram propostas ligadas às terapias integrativas:
- Terapeuta holístico: o PL 1297/2011 propunha regulamentar a profissão, com formação mínima de 180 horas, e foi retirado pelo autor.[7]
- Dia Nacional da Aromatologia e da Aromaterapia: o projeto que cria a data comemorativa em 19 de dezembro, em homenagem ao nascimento de René-Maurice Gattefossé, está pronto para votação no Plenário do Senado.[8]
- Acupuntura: uma prática integrativa que conseguiu sua lei em 2026 (Lei nº 15.345), definindo quem pode exercê-la.[6] É um exemplo de como uma área pode ganhar regulamentação no futuro.
Hoje, não há lei específica para a aromaterapia. Se isso mudar, quem já tiver formação sólida e experiência comprovada estará mais bem posicionado.
Profissionais de saúde podem usar aromaterapia?
Podem, e muitos usam: enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, biomédicos, psicólogos, nutricionistas e médicos integram a aromaterapia à própria prática. Cada um segue as regras do seu conselho.
- Enfermagem: o Cofen tem parecer técnico considerando legal o enfermeiro prescrever óleos essenciais enquadrados como fitoterápicos, respeitando as normas da Anvisa.[9]
- Farmácia: a Resolução CFF nº 3/2025, publicada no Diário Oficial em março de 2025, define a atuação do farmacêutico na aromaterapia e na aromatologia: anamnese, plano de cuidado registrado em prontuário, prescrição de óleos essenciais dentro das normas do CFF e acompanhamento, além da qualidade, da conservação e da rotulagem dos óleos. O CRF-RS publicou um resumo da norma para os farmacêuticos.[15]
- Outras profissões: consulte as resoluções do seu conselho sobre práticas integrativas antes de incluir a aromaterapia no atendimento.
Existe certificação oficial em aromaterapia?
Não existe certificação do governo. A área se organiza por autorregulação: a Associação Brasileira de Aromaterapia e Aromatologia (Abraroma), por exemplo, criou a CertAroma, que estabelece uma formação livre mínima para o aromaterapeuta profissional.[10] Cursos livres e de extensão emitem certificados de conclusão, que comprovam a carga horária estudada. Veja a diferença entre as modalidades em curso de aromaterapia reconhecido pelo MEC.
Responsabilidades de quem atende
Atividade livre não quer dizer atividade sem regras. Quem atende responde por aquilo que oferece:
| Tema | O que diz | Na prática |
|---|---|---|
| Defesa do consumidor | o prestador de serviços responde pelos danos causados por falhas e por informações inadequadas sobre riscos[11] | informar riscos, cuidados e limites; não prometer resultado |
| Dados de saúde | dados de saúde são dados sensíveis e exigem cuidado especial[12] | guardar fichas com segurança, pedir consentimento, não expor casos |
| Limites do atendimento | diagnóstico médico e prescrição de medicamentos são atos de profissões regulamentadas | fazer a avaliação em aromaterapia e encaminhar quando necessário |
| Segurança dos óleos | óleos mal usados podem causar irritação, alergia e intoxicações[13][14] | diluir, perguntar sobre medicamentos, gestação, alergias e idade |
Ferramentas que ajudam: ficha de anamnese e termo de consentimento.

O que a aromaterapeuta pode e não pode fazer
Quando a pessoa quer reduzir ou sair de um medicamento, isso é possível em muitos casos, mas é decidido pelo médico, analisando a situação em conjunto com o acompanhamento da aromaterapia. Veja o que faz um aromaterapeuta.
Como construir credibilidade sem regulamentação
| O que fazer | Por que ajuda |
|---|---|
| Formação completa, com carga horária relevante | mostra que você estudou química, fisiologia, farmacologia e segurança, e não só “para que serve cada óleo” |
| Prática supervisionada e estudos de caso | transforma teoria em atendimento seguro |
| Ficha de anamnese e termo de consentimento | profissionaliza o atendimento e registra as orientações |
| Comunicação responsável | aromaterapia como tratamento complementar, sem promessas |
| Estudo contínuo e referências | a pesquisa sobre óleos essenciais avança todo ano |
| Rede com outros profissionais | médicos, psicólogos e nutricionistas passam a indicar |
Veja o caminho completo em como ser aromaterapeuta e formação em aromaterapia clínica.
O próximo passo
Se você já atende ou quer atender com aromaterapia e quer construir uma prática segura e respeitada, a Mentoria ATP é a formação da Camila Castellan para aromaterapeutas: raciocínio clínico em saúde mental, segurança, casos reais e estratégia para viver da profissão. Conheça a Mentoria ATP e veja como funciona a formação.

- ✓Raciocínio clínico em saúde mental: da avaliação ao plano de cuidado personalizado
- ✓Segurança para atender quem usa medicamentos psiquiátricos
- ✓Casos clínicos reais discutidos em encontros ao vivo quinzenais
- ✓Como estruturar, divulgar e valorizar os seus atendimentos, sem prometer cura
- Como ser aromaterapeuta: guia completo para começar com segurança
- Quem pode trabalhar com aromaterapia? O que diz cada conselho profissional
- O que faz um aromaterapeuta e como funciona uma consulta
- Aromaterapia no SUS: o que são as PICS e como funciona
- Aromaterapeuta pode ser MEI? Como formalizar o seu atendimento
Perguntas frequentes
Preciso de diploma para ser aromaterapeuta?
Não. Como a profissão não é regulamentada, não há diploma obrigatório.[1] Mesmo assim, uma formação completa é essencial para atender com segurança.
Aromaterapeuta precisa de registro em conselho?
Não. Não existe conselho de aromaterapia. Profissionais de saúde que usam a aromaterapia seguem as regras do próprio conselho.
Aromaterapia é reconhecida pelo Ministério da Saúde?
Sim. Faz parte da PNPIC do SUS desde 2018, pela Portaria nº 702.[4]
Qual a CBO do aromaterapeuta?
As terapias complementares estão na família 3221 da CBO; o código 3221-25 (terapeuta holístico) costuma abrigar quem trabalha com práticas integrativas.[5]
Aromaterapeuta pode ser MEI?
Não: a ocupação não está na lista do MEI. Veja o guia aromaterapeuta pode ser MEI?
Enfermeiro pode prescrever óleos essenciais?
O Cofen tem parecer considerando legal a prescrição de óleos essenciais enquadrados como fitoterápicos, respeitando as normas da Anvisa.[9]
Existe lei para a aromaterapia?
Não há lei que regulamente a profissão. Há o reconhecimento no SUS e um projeto que cria o Dia Nacional da Aromatologia e da Aromaterapia.[4][8]
Quem pode receitar óleos essenciais?
Prescrever é ato de profissionais de saúde com registro em conselho, dentro do que cada conselho autoriza. Farmacêuticos (Resolução CFF nº 3/2025) e enfermeiros (parecer do Cofen) têm normas próprias sobre óleos essenciais. A aromaterapeuta avalia a pessoa e monta um plano de uso dos óleos, como tratamento complementar.
A aromaterapeuta pode analisar exames?
Pode analisar os exames que a pessoa já tem para montar um plano mais seguro; o diagnóstico médico continua com o médico.
Referências
- Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 5º, inciso XIII.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 849, de 27 de março de 2017. Inclui novas práticas na PNPIC.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 702, de 21 de março de 2018. Inclui novas práticas na PNPIC, entre elas a aromaterapia.
- Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Família 3221: tecnólogos e técnicos em terapias complementares e estéticas; 3221-25: terapeuta holístico.
- Câmara dos Deputados. Lei regulamenta exercício profissional da acupuntura (Lei nº 15.345, de 2026).
- Câmara dos Deputados. PL 1297/2011. Dispõe sobre o exercício da profissão de terapeuta holístico.
- Senado Federal. PL 5982/2019. Institui o Dia Nacional da Aromatologia e da Aromaterapia.
- Conselho Federal de Enfermagem. Parecer de Câmara Técnica nº 34/2020/CTLN/Cofen. Prescrição de óleos essenciais por enfermeiro.
- Diário do Comércio. Certificação Nacional em Aromaterapia será lançada este ano (CertAroma, Abraroma).
- Brasil. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Código de Defesa do Consumidor.
- Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
- Posadzki P, Alotaibi A, Ernst E. Adverse effects of aromatherapy: a systematic review of case reports and case series. International Journal of Risk & Safety in Medicine. 2012;24(3):147-161. doi:10.3233/JRS-2012-0568
- Tisserand R, Young R. Essential Oil Safety: A Guide for Health Care Professionals. 2. ed. Edimburgo: Churchill Livingstone/Elsevier; 2014.
- Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF-RS). Atuação do farmacêutico no âmbito da aromaterapia, aromatologia e óleos essenciais. Sobre a Resolução CFF nº 3/2025 (DOU, 17/03/2025). 2025.



